Menino prodígio

  • por Lucas Amaral Nunes
  • 5 Anos atrás

Ronaldo chegava ao Cruzeiro, aos dezesseis anos, em 1993. Talentoso, o moleque magrelo, ainda de aparelhos nos dentes, já destoava entre os companheiros de categoria. A aposta do ex-jogador Jairzinho demonstrava alta perícia no trato à pelota e, tão rápido quanto esperado, conquistou vaga no elenco principal de uma das principais equipes do país.

De súbito, o Brasil enxergava o nascimento de um menino prodígio, um fenômeno, como mais tarde se sustentaria. Momentos realçaram seu brilhante desempenho em seu primeiro ano como profissional, e voltou para si a vista do então treinador Carlos Alberto Silva . Sem margem para dubitações, reivindicou a 9 celeste, sagrando-se campeão da Supercopa dos Campeões daquele ano. O zagueiro Luizinho, companheiro de clube, contaria que Ronaldo prometera nunca mais perder a condição de titular. Assim o fez, até o fim de sua carreira.

Cruzeirenses se recordarão aos risos de memoráveis atuações, como quando marcou um hatrick (três gols em um mesmo jogo) contra o rival Atlético Mineiro e o célebre gol contra o Boca Juniors, driblando nada menos que quatro defensores, incluindo o goleiro, antes de fazer tensionar as redes adversárias.No Campeonato Brasileiro, Ronaldo marcou doze gols em quatorze jogos, cinco deles em uma única partida, contra o Bahia. Em uma de suas mais famosas jogadas, ele aproveitou uma falha do famoso guarda-redes Rodolfo Rodríguez, que largara a bola para reclamar à própria zaga, marcando um dos mais inusitados tentos já vistos no futebol.

No ano seguinte, marcaria 22 gols no Campeonato Mineiro. Agora aos dezessete anos, mas não menos alegre e astuto ao praticar aquele que lhe era um dom natural: o de jogar bola. Naquela época, alvo de propostas e olhares de clubes e empresários de diferentes localidades, Ronaldo sonhava em, um dia, defender a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.

Os deuses do futebol não tardaram em atender as orações do jovem. Em 1994, convocado para a Copa do Mundo, Ronaldo alçaria aquele que, para ele, seria o voo máximo em sua carreira. Seria… para um jogador comum. Mas quando relembrados os fatos da carreira de Ronaldo, fica nítida a sua recusa à normalidade e sua afeição ao fenomenal. Mesmo sem entrar em campo, se consagraria, pela primeira vez, como campeão do mundo.

Ao fim do torneio, por U$ 6 milhões, ele embarcava para a cidade de Eindhoven, na Holanda, para escrever novas páginas de sua história em solo europeu, pelo PSV. Deixava o Cruzeiro com a impressionante marca de 44 gols em 46 jogos. Como é sabido, era apenas o início de uma narrativa que seria, simultaneamente, trágica e gloriosa.

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Lucas é jornalista desde 2011, mas o fanatismo pelo futebol o acompanha desde o berço. Aficionado por história, jogadores antigos e contemporâneos e causos e contos sobre o mais famoso esporte bretão. Participou de sites como o cruzeiro.org e o fanáticos por futebol. Atualmente atua como editor do futebol mineiro na Doentes por Futebol, onde também é o responsável pela coluna “Lendas do Futebol”.

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