Ronaldo e o Corinthians

  • por Caio Araújo
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Dia 9 de dezembro de 2008, essa data já está na história do Sport Club Corinthians. Foi quando o clube paulista anunciou – não oficialmente – um acordo com o Ronaldo.

Mesmo vindo de outra cirurgia no joelho e de muito tempo de inatividade, não havia um corintiano que não estivesse extasiado com a notícia. Mais do que o reforço dentro de campo, o Fenômeno trazia consigo uma marca conhecida mundialmente. 

O Timão havia acabado de ganhar a Série B e estava se reestruturando. Achou no R9 um parceiro ideal para ajudar a dar esse suporte, por todo o conhecimento que adquiriu no futebol europeu, onde teve a oportunidade de jogar em alguns dos maiores clubes do mundo.

Na reapresentação do elenco, em janeiro, Ronaldo ainda estava na fase final da recuperação da cirurgia no joelho. E, além disso, ainda estava visivelmente fora de forma. Fatos que contribuíram para que ele só estreasse no dia 4 de março, pela Copa do Brasil, contra o Itumbiara. Estava sem jogar desde fevereiro do ano anterior e sentiu bastante o tempo de inatividade. Arriscou algumas jogadas individuais, mas sem sucesso. Porém, o que importava era que o craque estava novamente apto a entrar em campo e praticar futebol, sem problemas clínicos. Na oportunidade, o Coringão venceu por 2 a 0, garantindo a classificação pra fase seguinte.

Mas quatro dias depois, no 8 de Março de 2009, estava reservado um dos mais lindos capítulos da história de Ronaldo no futebol. Em jogo válido pela primeira fase do Campeonato Paulista, contra o Palmeiras, o Corinthians perdia por 1 a 0, quando o então técnico Mano Menezes, resolveu lançá-lo a campo. Com uma atuação bastante diferente de sua estréia, Ronaldo mostrou que realmente futebol não se desaprende, independente da forma física. Deu dribles, colocou bola na cabeça do companheiro, carimbou a trave, mas o principal só veio no último lance do jogo. Quando todos já decretavam a vitória do Verdão, lá estava o Fenômeno para avisar a todos que ele voltou, marcando de cabeça o gol de empate, após escanteio batido por Douglas. Se fosse roteiro de filme, certamente muitos achariam fantasioso demais. Não tinha jeito melhor para fazer o primeiro gol, não tinha jeito melhor para chocar novamente o mundo. Na comemoração, a torcida foi ao delírio subindo no alambrado junto com o craque e quebrando o muro, que hoje leva uma placa registrando tal feito.

Era só o início do sucesso de Ronaldo no Corinthians. Já no primeiro semestre, conquistava seu primeiro título com a camisa do Timão. De forma invicta, foi Campeão Paulista com direito a dois gols contra o Santos na final. Um deles é citado por Ronnie como o mais bonito de sua carreira. Dias depois conquistara a Copa do Brasil. E, mais uma vez, o ídolo teve participação decisiva na final, fazendo o segundo gol na primeira partida contra o Internacional.

Com o objetivo já alcançado, que era o de assegurar uma vaga na Taça Libertadores de 2010, o Corinthians não empolgou no segundo semestre. Vendeu três jogadores da espinha dorsal do time (Cristian, André Santos e Douglas) e não conseguiu repor à altura. E Ronaldo já sentia o volume de jogos. Com dois joelhos operados, sem a forma de outrora e com 32 anos, as lesões se tornavam recorrentes. Mesmo sem conseguir engatar grandes sequências de jogos, Ronaldo terminou o Brasileiro com 12 gols e sua equipe ficou na décima posição.

O ano de 2010 tinha como foco principal a maior obsessão do Corinthians e de sua torcida, a Libertadores. Mas a temporada não começou bem para Ronaldo. Mais pesado que no ano anterior, entrar em forma parecia algo quase impossível para o artilheiro. Sem conseguir repetir as boas atuações de 2009, ele chegou a ser insultado após uma derrota no Estadual para o Paulista, na Arena Barueri, e respondeu mostrando o dedo para os quase 20 torcedores que estavam no estacionamento.

Mesmo com esse desentendimento e com o fraco futebol, o jogador ainda tinha apoio da grande massa. No Campeonato Paulista, anotou apenas três gols e viu seu time terminar na quinta posição da primeira fase, ficando fora da fase final. Na Libertadores, o Corinthians fez a melhor campanha da competição na fase de grupos, mas Ronaldo anotou apenas dois gols.

O adversário nas oitavas era nada mais, nada menos que seu time de infância, o Flamengo. A primeira partida foi debaixo de um dilúvio no Maracanã. E, para muitos, R9 fez ali a pior partida da sua carreira. O Rubro-Negro acabou saindo vitorioso do jogo. Com a vantagem de 1 a 0, os cariocas levavam para São Paulo uma boa vantagem.

No Pacaembu, o Corinthians impressionou no primeiro tempo. Sufocando o adversário, com 40 minutos de jogo, a vantagem do Flamengo já havia sido anulada com o placar marcando 2 a 0 para o Timão. Ronaldo, que deixou o Maracanã devendo muito, foi o autor do segundo gol. Mas o que parecia ser uma classificação heroica logo virou pesadelo no início do segundo tempo, com o gol de Vagner Love pelo Flamengo. O Corinthians sentiu demais esse duro golpe, não tendo forças para buscar o terceiro gol, que seria da classificação. Mesmo com a vitória, o Alvinegro dava adeus à competição e, a partir daí, se dedicaria apenas ao Brasileiro, que começaria quatro dias depois.

Na competição nacional, o Corinthians liderou boa parte, mas terminou na terceira colocação. Ronaldo participou pouco dessa campanha, já que sofria muito com as contusões. Terminou o Brasileiro com apenas seis gols, a maioria na reta final, quando ajudou o time a se recuperar de uma crise que havia se instalado durante a era Adílson Batista no Timão.

Com a terceira posição no Brasileiro, o Timão teria que passar pela Pré-Libertadores, em 2011. E tinha pela frente o Tolima. E foi justamente contra os colombianos o último jogo oficial da vida de Ronaldo. A frustrante e vexatória eliminação foi determinante para que o ídolo abreviasse sua carreira, mas seu corpo também não permitia mais que ele jogasse em alto nível. 

Mesmo fazendo parte de um dos piores capítulos do clube, Ronaldo com certeza foi um marco para o Corinthians. A história do Timão se divide entre antes e depois da chegada do craque. O Fenômeno encontrou um time recém-promovido à Série A, sem CT, sem grandes receitas. E saiu deixando o maior patrocínio do futebol sulamericano, saiu deixando um CT que ajudou a construir sendo consultor, ajudou na reformulação do elenco, já que sua presença atraía muitos jogadores, e ajudou muito a difundir a marca do clube mundo afora. Hoje, o Corinthians é um dos clubes mais poderosos da América do Sul, graças aos frutos colhidos com as sementes que o Ronaldo ajudou plantar.