Ronaldo na Internazionale – Relembre a passagem do ‘Fenômeno’

  • por Tiago Lima Domingos
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Ronaldo na Inter – O ‘Fenômeno’ e o drama do joelho

Quando chegou à Itália já era mais do que realidade, com passagens marcantes por PSV e Barcelona. Massimo Moratti, até hoje presidente da Inter, sonhava com o brasileiro. E fez por onde. Pagou a cláusula rescisória do contrato com o Barcelona (48 milhões de liras na época). Recebido com festa, a 1ª temporada foi extraordinária. De agosto a dezembro foram 14 gols em 19 jogos, o que rendeu ao final do ano o seu 2º Premio FIFA de Melhor Jogador do Mundo e a 1ª Bola de Ouro da France Football. Os italianos ficaram extasiados, apaixonados. Como podia um jogador tão talentoso ser tão perfeito driblando, arrancando, finalizando, fazendo grandes defensores se tornarem insignificantes (Nesta que o diga)? Surgia ali para a Itália e para o mundo o apelido que o consagrou: “Fenômeno”

Fenômeno mesmo. A temporada seguiu e Ronaldo explodia cada vez mais. Foram 25 gols em 32 jogos na Série A, só não foi o artilheiro porque o alemão Bierhoff marcara dois tentos a mais. Mas é até hoje o estrangeiro a marcar mais vezes em sua temporada de estreia no Calcio. Mas não poderia passar em branco a temporada fantástica. A Inter vivia uma crise, não ganhava um título desde 1994, e foi com Ronaldo que os nerazzurri venceriam novamente (pela 3ª vez) a Copa da Uefa em 98, em final contra a Lazio. Ronaldo marcou o 3º gol, dos 3-0 da Inter. Gol, aliás, muito famoso, em que recebe sozinho, arranca, e na ginga de corpo sai do goleiro para matar o jogo. Fechava a temporada 97/98 com 34 gols em 47 partidas. E uma carreira na Itália que prometia…

Se em 97/98 foram 47 partidas jogadas, começavam no meio de 1998 os problemas clínicos. O primeiro episódio foi na Copa da França com a famosa convulsão momentos antes da final contra os donos da casa e depois vieram duas graves lesões no joelho que fariam Ronaldo e todos os seus fãs chorarem e viverem o drama junto com ele. Na temporada 98/99 algumas pequenas lesões o atrapalharam. Entrou em campo apenas 28 vezes e marcou 15 gols, sendo 14 no campeonato local.

Se 28 vezes em campo nessa temporada já não foi muito, o que dizer de apenas 8 jogos em 1999/2000? Aí que começava o drama do joelho direito. Dia 21 de novembro de 1999, em partida contra o Lecce, o tendão patelar se rompeu parcialmente. Foram 6 meses de recuperação. A aguardada volta ocorreria ainda na mesma temporada. O mundo parou. Queria ver de volta o craque. Quis o destino que a volta seria contra a Lazio, novamente numa final, dessa vez a da Copa da Itália. Não havia cenário melhor. Mas dessa vez o destino foi cruel. Ronaldo saiu do banco e, com 6 minutos em campo, o mesmo tendão do joelho veio a romper. Dessa vez pior, pois se rompia completamente. O choro foi instantâneo e veio com ele o desespero dos companheiros no campo. Quem via a partida ao vivo não acreditava. Por que? Por que ele de novo? Talvez pelo fato da história reservar algo maior dali em diante.

A lesão foi ainda mais grave do que parecia. Os brasileiros, principalmente, acompanharam de perto, sofreram juntos, lutaram juntos, fizeram fisioterapia juntos. A recuperação que, a princípio, duraria oito meses, durou quinze. Muita gente suspeitava se retornaria a ser o jogador que deixou o mundo boquiaberto. A temporada 2000/01 não existiu pra ele, foi apenas de recuperação.

Ronaldo retornaria ao gramado no final de 2001. Ainda sem confiança, o treinador Héctor Cúper o fazia jogar ocasionalmente, sob total cautela. Foram ao todo 16 partidas na temporada. O Campeonato Italiano chegava ao final, Ronaldo voltava a ser decisivo. Com 7 gols em 10 jogos, ajudou a Inter a disputar ponto a ponto o scudetto de 2002 com Juventus e Roma.

Faltava a ele esse título. O clube de Milão vivia um jejum de 12 anos. Seria uma volta triunfal perfeita. E o destino seria novamente cruel com o craque. Na última rodada do campeonato, a Inter visitava a Lazio em Roma. Bastava uma vitória para a conquista do tão aguardado campeonato. Mas não aconteceu. A Lazio venceu por 4-2 e a Juventus se consagraria campeã daquele ano. E novamente o clube celeste faria Ronaldo chorar, como fez em 2000. Substituído no 2º tempo, Ronnie sentou no banco de reservas e se derrubou em lágrimas. Sabia que não tinha conseguido o objetivo final. Fazia ali, ainda sem saber, a sua última partida com a camisa da Inter.

ronaldo lazio

Foto: Reprodução – O choro da perda do scudetto. Ainda sem saber, foi o último jogo do Fenômeno na Inter.

Logo após a redenção na Copa da Ásia, acertou com o Real Madrid. A torcida interista explodiu de raiva. Passou a ser tratado pelos torcedores como “Il Fuggitivo” (“O Fugitivo”), por abandonar a Inter após o clube ter lhe dado todo o apoio quando esteve por baixo. Ronaldo declarou que deixou o clube em razão da permanência do treinador argentino Cúper, a quem acusava de colocá-lo em campo sem condições físicas para tal.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.

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