O primeiro gol de Kaká como profissional

  • por Bráulio Silva
  • 5 Anos atrás

Foto: Arquivo www.rienafoot.com / Kaká iniciando sua carreira no São Paulo

Quando foi a primeira vez que você ouviu falar de Kaká? Fácil – pensam muitos – final do Rio-SP de 2001, quando o meia marcou os dois gols da vitória do São Paulo. Mas quando indagados se aqueles eram os primeiros gols dele como profissional, pairam algumas dúvidas.

Muitos acreditam que os primeiros gols de Kaká pelo São Paulo foram os dessa final. E a confusão ainda aumenta, porque a estreia dele no tricolor, justamente foi contra o Botafogo, em jogo válido pela primeira fase do Rio-SP.Para desvendar o mito, vamos listar os fatos que envolvem a curta e marcante passagem de Kaká pelo time do Morumbi. Em especial o seu primeiro gol.Kaká chegou ao São Paulo ainda adolescente. Em 2000, após fazer parte do elenco que foi campeão da Copa SP (sem jogar) e do campeonato Paulista sub-20 (entrando sempre no segundo tempo), o jovem passou por um momento delicado. Num passeio na cidade de Caldas Novas ele bateu com a cabeça no fundo de uma piscina e quebrou uma das vértebras. Acidente que o afastou dos gramados por dois longos meses.

Em 2001, o São Paulo buscava uma reformulação na equipe. No ano anterior o tricolor foi campeão paulista e vice da Copa do Brasil. Nomes como Edu, Fábio Aurélio, Vágner, Edmilson, Raí, Álvaro e Marcelinho Paraíba não estavam mais no elenco. Além de Beto, Marcelo Ramos, Ayala e Souza que saíram no fim do ano.

A aposta era nas categorias de base. Jogadores como Renatinho, Harison, Júlio Baptista, Fábio Simplício e Jean eram figurinhas carimbadas no time principal. No começo do ano, para completar um dos coletivos, o técnico Vadão precisou de jogadores do juniores. Como o time disputava a Copa SP, foram ultilizados alguns reservas no treinamento. Entre eles um meia rápido, magrelo e com cara de moleque. Era Kaká (ou Cacá, como era conhecido). E dizem que ele arrebentou com o treino. Chamou a atenção do técnico, mas voltou para os juniores.

Depois da derrota diante do Roma Barueri na final da Copinha, Vadão puxou alguns atletas pro time de cima. Entre eles, o reserva Cacá. Na partida contra o Botafogo, dia 1º de fevereiro a estreia no time principal. O meia entrou no lugar do volante Sidney e pouco fez no jogo que terminou empatado em 1×1.

Quatro dias depois um clássico agitaria a terceira rodada do Paulistão. O Santos, que ainda estava invicto na temporada, seria o adversário do reformulado São Paulo. O meia novamente estava no banco. Com o jogo empatado, Harison saiu machucado e o jovem que estava com a camisa 30 entrou em seu lugar. No primeiro lance com Kaká em campo, o volante Fabiano foi expulso e deixou o tricolor com um atleta a menos. O que forçou o jovem atuar um pouco mais recuado.

Mesmo assim seu futebol começou a chamar a atenção, com arrancadas e bons passes. Outra característica de Cacá era a boa presença de área. Característica que veio à tona aos 29 minutos do segundo tempo. Após boa jogada de Oliveira pela ponta direita, o cruzamento encontrou Cacá no meio da área. O meia bateu bonito, de primeira, com o pé esquerdo. Era o gol da virada do São Paulo. O primeiro dele como profissional.

Cacá acabou virando um amuleto de Vadão. Entrou na segunda etapa em alguns jogos do tricolor. O time chegou à final do Rio-SP e no primeiro jogo, lá estava o meia atuando e participando de dois dos quatro gols da goleada do SPFC sobre o Botafogo. No jogo de volta, o estádio do Morumbi estava lotado. Os são-paulinos queriam comemorar o inédito título do Rio-SP. Apenas uma tragédia tiraria o título do tricolor. O Botafogo abriu o placar. E no segundo tempo, novamente o garoto Cacá saiu do banco de reservas.

O restante já é conhecido. O jovem anotou os dois gols da vitória tricolor. Ao contrário do que muitos pensam, aqueles foram respectivamente o segundo e terceiro gols do Cacá como profissional. Cacá que após o jogo fez um pedido a diretoria do São Paulo e a imprensa. Que a partir daquele dia 7 de março o conhecessem por “Kaká com K”. E assim o garoto que anotou seu primeiro gol como profissional em fevereiro de 2001, ganhou o Mundo.

O gol:

 

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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