Atlético de Madri Campeão da Espanha em 96.

  • por Igor Leal da Fonseca
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Nas últimas duas temporadas, o Atlético de Madrid vem fazendo campanhas respeitáveis. Na temporada passada, a equipe conquistou o título da Liga Europa e na atual é vice-líder na Espanha. Mas o time persegue o título espanhol, que não vem desde a temporada 95/96. E é dessa equipe que vamos falar hoje.

Após o bicampeonato do Bilbao (temporadas 82/83 e 83/84), a Espanha viu um domínio avassalador da dupla Barcelona-Real Madrid. Foram 11 temporadas seguidas sem nenhuma equipe quebrar o domínio dos gigantes espanhóis, com 6 títulos do Real Madrid e 5 do Barcelona. O recorde de títulos conquistados pela dupla era de 9, entre as temporadas 56/57 e 64/65.

Após a disputadíssima temporada 91/92, quando o Barcelona ganhou com 55 pontos, o Real Madrid foi vice com 54 e o Atlético de Madrid terceiro com 53, a equipe passou a frequentar o meio da tabela na Espanha, terminando longe da disputa pelo título. Na temporada 94/95, o time foi apenas décimo quarto colocado, 20 pontos atrás do rival Real Madrid, campeão da temporada. Mas tudo isso mudaria na temporada seguinte.

 

A chegada de Antic e de nomes que mudariam a história do clube.

Após fazer boas campanhas com o Zaragoza, Antic foi contratado para dirigir o Real Madrid. Ficou no clube entre Março/91 e Janeiro/92 e foi demitido. Nas três temporadas seguintes, dirigiu o Oviedo, sempre mantendo o time longe da queda e incomodando os grandes. Após os três anos de Oviedo, chamou a atenção do Atlético de Madrid, que o contratou para a disputa da temporada 95/96.

Juntamente com Antic, chegaram Pantic, Penev e Santi, sendo os 2 últimos jogadores conhecidos do público espanhol, por suas passagens por Valencia e Albacete, respectivamente. Também faziam parte do time a promessa Kiko e os experientes Simeone, Molina e Caminero.

O búlgaro Penev.

O sério Pantic.

 

Na primeira parte da temporada, a equipe voou, sem nenhuma derrota em 12 jogos, sendo 9 vitórias e 3 empates. Na décima terceira rodada, o time foi ao Santiago Bernabéu enfrentar o Real Madrid e perdeu por 1×0, gol de Raul. O Barcelona assumiu a ponta, mas já na rodada seguinte perdeu a mesma.

Na rodada 16, o Atlético de Madrid recebeu o Barcelona para um confronto direto pela ponta e enfiou um sonoro 3×1, com 2 gols de Penev e um de Caminero, descontando Velamazán para o Barça. Os Colchoneros chegaram a estar vencendo por 3×0 faltando menos de 5 minutos para o fim do jogo.

A equipe emendou uma invencibilidade de 9 jogos (entre Campeonato Espanhol e Copa do Rei), abrindo 7 pontos de vantagem para um surpreendente Compostela e já estando garantido nas quartas de final da Copa do Rei.

Na primeira rodada do returno, uma derrota para a Real Sociedad ameaçou colocar fogo no campeonato, mas o time emendou três vitórias seguidas, viu os rivais tropeçarem e a distância chegou a 11 pontos. Após perder para o Sevilla em casa, pela rodada 26, a distância caiu para 8 pontos. Mas, embora a equipe tropeçasse aqui e ali (como na derrota para o Valladolid em casa, na rodada #30), os rivais não conseguiam tirar proveito e, faltando 9 jogos para o fim da competição, a vantagem para o vice-líder Barcelona continuava em 8 pontos.

Porém, após perder para o Real Madrid em casa e empatar com o Oviedo fora, a distância caiu para 3, faltando 7 jogos, inclusive um confronto direto no Camp Nou.

 

No meio dessa batalha, a final da Copa do Rei.

Atlético de Madrid e Barcelona duelavam ferozmente pelo título do Campeonato Espanhol e o país todo aguardava o confronto do dia 20/04/96, valendo pela rodada 37. Mas os torcedores das equipes tiveram uma prévia 10 dias antes, na final da Copa do Rei.

As equipes foram com o que tinham de melhor para a final disputada no La Romareda e 37 mil torcedores pagaram ingresso para assistir a partida. O Atlético venceu por 1×0, gol de Pantic, faltando 3 minutos para o fim da prorrogação e conquistou seu nono título da competição (o último conquistado pela equipe).

 

 

Após o final da Copa do Rei, as equipes entraram em campo pela rodada 36, entretanto a situação na tabela não se modificou. O Barcelona visitou o Racing Santander e empatou em 1×1, sendo que vencia o jogo até os 43 minutos do segundo tempo. O Atlético de Madrid recebeu o Bétis e também só empatou, 1×1. A distância entre as equipes continuava em 3 pontos e na rodada seguinte o Barcelona receberia o Atlético de Madrid, no ‘’jogo do campeonato’’.

 

O jogo do campeonato.

Um Camp Nou lotado foi o palco de Barcelona x Atlético de Madrid. Só a vitória interessava ao Barça, que estava 3 pontos atrás do rival. O jogo começou quente e logo aos 10 minutos o Atlético abriu o placar. Caminero entortou Nadal e cruzou para Roberto abrir o placar. O Barcelona empatou com Cruijff (o filho), mas logo na volta do intervalo o Atlético chegou ao segundo gol, através de Vizcaíno. O Atlético dominou o segundo tempo, chegando a botar uma bola na trave e fazer um gol mal anulado, até que Biagini aproveitou cochilo da zaga do Barcelona e fez o terceiro gol. Fim de jogo e mão na taça para o clube da capital.

O espanhol Caminero, um dos destaques do Atlético de Madrid e eleito melhor jogador da temporada.

Na rodada 38, o Atletico recebeu o Valencia, que estava 7 pontos atrás do time de Antic. Não deu nada certo para o time de Madrid e o Valencia venceu por 3×2, dentro do Vicente Calderón. Faltavam 3 rodadas e a distância do líder Atlético para o vice líder Valencia caiu para 4 pontos. A distância se manteve na rodada seguinte e caiu para 2 pontos faltando uma rodada, após o Atlético empatar com o Tenerife fora de casa.

 

O jogo do título.

70 mil pessoas foram ao Vicente Calderón para a partida final do clube na temporada. O time precisava da vitória para garantir o título que não vinha desde 76/77.

O Atlético pressionou o rebaixado Albacete desde o começo do jogo e aos 12 minutos a arbitragem marcou uma falta para o time da capital. A bola foi alçada na área e Simeone desviou para abrir o placar. Aos 31 minutos, o goleiro deu um balão pra frente, a zaga do Albacete falhou e Kiko dominou e chutou para fazer 2×0. O título estava garantido

Kiko, autor de um dos gols no jogo que garantiu o título ao Atlético.

 

Atual treinador da equipe, Simeone é um dos maiores ídolos do clube.

 

A equipe campeã da Liga Espanhola.

 

O Atlético de Madrid voltava a ganhar o espanhol depois de 19 anos de jejum. Esta temporada marcou seu único doblete na história e as últimas conquistas do clube na primeira divisão da Espanha.

 

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

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