Relembramos as confusões do Morumbi

  • por Bráulio Silva
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As confusões do Morumbi

Semana passada, São Paulo e Tigre se enfrentaram pela Sul-Americana e o jogo não terminou. Em circunstâncias ainda obscuras para maior parte dos torcedores, os argentinos acusaram seguranças do Tricolor de os agredirem no caminho que leva os jogadores aos vestiários.

Ninguém da diretoria do São Paulo nega o atrito. O que eles fazem é acusar os jogadores do Tigre de terem tentado invadir o vestiário do São Paulo. Os seguranças impediram e houve um princípio de confusão. Aqui, sem isentar a postura dos seguranças, o Tigre veio ao Brasil para causar mesmo. Como não retornaram pro segundo tempo, conquistaram o objetivo. E ainda manchou uma conquista.

Não foi a primeira vez que o Morumbi esteve envolvido em confusões extra-campo. Talvez a mais famosa delas foi no Brasileirão de 1981. São Paulo e Botafogo se enfrentavam pelas semifinais da competição. Os paulistas jogavam pelo empate após 180 minutos. No jogo de ida, vitória botafoguense por 1 a 0. No Morumbi, o Botafogo chegou a abrir 2 a 0 em 20 minutos de jogo. No fim do primeiro tempo, em um lance polêmico, o árbitro Bráulio Zanotto anotou penalidade máxima a favor do São Paulo. 

O lance revoltou os cariocas. Serginho Chulapa bateu e diminuiu o placar. No intervalo, os dirigentes do Botafogo disseram que não voltariam a campo. Os seguranças do São Paulo pressionaram o árbitro e houve uma discussão/briga nos túneis de acesso.

Depois de 35 minutos de intervalo, o jogo retornou. O São Paulo conseguiu a virada com dois gols de Éverton e muitos botafoguenses reclamam até hoje que, se não houvesse a confusão, o time chegaria à final.

Outra confusão extra-campo que ocorreu no Morumbi foi em um jogo válido pela Libertadores 2005. O São Paulo venceu o Quilmes por 3 a 1 ainda na fase de grupos daquela Libertadores. Mas o fato que ganhou as manchetes no dia seguinte foi a prisão ainda em campo do zagueiro Leandro Desábato, acusado de racismo.

Em uma disputa de bola, Grafite se enroscou com o meia Arango. Ambos discutiram e Desábato xingou o atacante do São Paulo. O camisa 9 deu um empurrão no rosto do zagueiro e foi merecidamente expulso, juntamente com o meia do primeiro atrito.

Nas imagens da TV, percebeu-se claramente o zagueiro insultando o são-paulino com um grito de “negrito”. Jogadores garantem que o zagueiro também o chamou de “macaco” e “negrito de m****”. 

Ao fim da partida, um circo foi instalado. A equipe do delegado Osvaldo Nico Gonçalves entrou em campo e no circulo central deu voz de prisão ao argentino, sob acusação de racismo. Desábato ficou preso por dois dias e depois foi liberado para voltar ao país.

Já o delegado ganhou as manchetes de jornais, tentou carreira política e ainda viu seu filho como um dos pivôs da confusão, ocorrida ao fim do jogo entre Santos e Peñarol em 2011.

Como podem ver, não é de hoje que confusões acontecem nos bastidores do Cícero Pompeu de Toledo. Se a Conmebol fosse uma instituição séria, o São Paulo correria o risco de perder alguns mandos de campo na Libertadores do ano que vem. Mas o máximo que deve acontecer é o clube ter que pagar alguma multa, ficando tudo por isso mesmo.

Até que ocorra uma próxima confusão.

Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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