O Parma do fim dos anos 90

  • por Igor Leal da Fonseca
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Durante os anos 90, o Calcio era, de longe, o campeonato mais disputado da Europa. Além das tradicionais e conhecidas forças, equipes como Parma e Fiorentina faziam grandes campanhas a nível nacional e incomodavam a nível europeu. E é do Parma Campeão da Copa da UEFA que vamos falar.

Nossa história começa na temporada 1996/97. Após uma campanha mediana no Calcio, o Parma troca de treinador. Sai Nevio Scala, entra Carlo Ancelotti. Junto com o treinador, chegam jogadores como Thuram, Crespo e Chiesa. A equipe já conta com nomes como Cannavaro, Dino Baggio, Benarrivo, Apolloni e Sensini. Exceção feita à Cannavaro, todos já eram experientes.

 

Thuram, Crespo e Chiesa pelo Parma.

No começo do Calcio, a equipe fez sete pontos em três jogos, se mantendo na ponta. Mas nos dez jogos seguintes, o time conquistou apenas oito pontos, despencando para 14º na tabela, 13 pontos atrás da líder Juventus. Na 14ª rodada, a história começou a mudar. A equipe visitou o San Siro e venceu o Milan. Na rodada seguinte, vitória contra a Juventus. Em seguida, emplacou vitórias contra Bologna e Verona e encerrou o turno em 4º lugar, 6 pontos atrás da líder Juventus.

No começo do segundo turno, a equipe fez apenas quatro pontos em três jogos (derrota para o Napoli, vitória contra Piacenza, empate com a Reggiana) e caiu para sexto, nove pontos atrás da líder.

Mas com quatro vitórias seguidas nas quatro rodadas seguintes (Lazio, Cagliari, Perugia e Internazionale), conseguiu diminuir a diferença para cinco pontos em relação à Juventus. Uma derrota para a Fiorentina combinada com um empate da Juventus contra o Napoli aumentaram a diferença para seis pontos, faltando nove rodadas para o final do campeonato. A equipe bateu Sampdoria e Roma nos jogos seguintes e viu a diferença cair para apenas três pontos, após a Udinese fazer 3×0 na Juventus, jogando em Turim. Mostrando a força da competição, a Udinese (apenas 7º colocada na época) foi a Parma e fez 2×0 no time da casa, uma rodada após bater a Juve.

Parecia tudo perdido para o time de Ancelotti, mas na rodada seguinte a diferença caiu novamente para quatro pontos, após o Parma bater o Atalanta e a Juventus empatar em casa. Faltavam apenas cinco rodadas para o término da competição. Na rodada seguinte (a de número 30) a diferença foi mantida em quatro pontos, mas aumentou para 6 na rodada 31, após o Parma empatar em casa com o Milan e a Juventus vencer o Piacenza. 

No jogo que praticamente definiu o título, Juventus e Parma se enfrentaram no Delle Alpi. O Parma abriu o placar, um inusitado gol contra de Zidane. Mas a Juventus empatou ainda no primeiro tempo e o jogo terminou 1×1. A Vecchia Signora garantiu o título na rodada seguinte, após empatar com a Atalanta. Ao Parma, restou o vice.

Para a temporada 1997/98, Ancelotti promoveu Buffon aos titulares, teve a volta de Asprilla na janela do inverno europeu e trouxe Fiore, que já tinha jogado pelo clube mas foi emprestado para outras equipes. Mas, tendo uma Liga dos Campeões da UEFA para jogar, a equipe foi mal na temporada, terminando apenas em sexto no Calcio e caindo na fase de grupos da Champions. Ancelotti deixou o clube para assumir a Juventus.

 

Buffon e Cannavaro pelo Parma

 No começo da temporada 98/99, o Parma abre os cofres. O time contrata Verón, Balbo, Fuser e Boghossian, todos destaques de outras equipes italianas. Para comandar o time, o Parma contratou Alberto Malesani, treinador que vinha de boas campanhas com o Chievo e com a Fiorentina. No Calcio, a equipe mostrou sua força, fazendo boa campanha, com duas vitórias sobre a Juventus, duas sobre a Internazionale e uma goleada por 4×0 sobre o Milan, terminando em 4º lugar no campeonato.

Verón jogando pelo Parma. O argentino ficou uma temporada apenas, mas marcou época.

O italiano Fuser ficou 3 temporadas na equipe.

Parma 4×0 Milan, pelo Campeonato Italiano

Juventus 2×4 Parma, hat trick de Crespo

 

 

Na Copa da Itália, a equipe passou por Genoa, Bari, Udinese, Internazionale (com duas vitórias, somando quatro na temporada toda) e chegou à final contra a Fiorentina. No primeiro jogo, disputado em Parma, empate em 1×1, gols de Crespo e Batistuta. Na volta, um novo empate deu o título ao Parma: 2×2 na partida jogada em Florença e título para o clube gialloblù, pelos gols marcados fora de casa.

 

Fiorentina 2×2 Parma, final da Copa da Itália

Paralelamente à disputa do Calcio e da Copa da Itália, o Parma disputava a Copa da UEFA. Na primeira eliminatória, sufoco contra o Fenerbahçe-TUR, após a equipe perder o jogo de ida na Turquia (1×0) e vencer em casa por 3×1 (o gol da classificação foi marcado aos 73’).

Na segunda fase, empate contra o Wisla Cracóvia-POL, na ida, e vitória por 2×1, na volta, garantiram a classificação para a próxima fase. O adversário foi o Rangers-ESC, e o Parma empatou na Escócia (1×1) e venceu em casa (3×1), avançando para as quartas-de-final.

Nas quartas, a primeira demonstração de força do time na competição: no jogo de ida, uma derrota para o Bordeaux por 2×1 (com Crespo diminuindo aos 85’ apenas) deu a impressão de que a vida do time italiano seria dificultada pela equipe francesa. Mas o Parma não tomou conhecimento do time francês e aplicou impiedosos 6×0 no jogo da volta, com gols de Crespo (2), Chiesa (2), Verón e Balbo. O time estava nas semifinais e o adversário era o Atlético de Madrid-ESP.

Parma 6×0 Bordeaux – Copa da UEFA 1998/99

No jogo de ida, disputado em Madrid, o Parma abriu o placar com Chiesa. O Atlético empatou com Juninho Paulista, mas novamente Chiesa colocou o Parma em vantagem. A equipe italiana fechou o placar com Crespo (1×3). Na volta, Balbo abriu o placar para o Parma, Roberto empatou para o Atlético de Madrid, mas Chiesa marcou seu sétimo gol na competição e decretou a vitória do Parma (2×1).

A final estava marcada para o Estádio Luzhniki – em Moscou – e a equipe italiana era a grande favorita no confronto contra outra equipe francesa, o Olympique de Marselha. O time francês tinha jogadores como Blanc e Pirès, mas era azarão na disputa. E os prognósticos se confirmaram ainda no primeiro tempo, com o Parma abrindo 2×0 (gols de Crespo e Vanoli). Crespo abriu o placar após uma falha bizarra do experiente Blanc e Vanolli ampliou após cruzamento de Fuser. O Parma ampliou ainda mais o marcador no segundo tempo, após Thuram fazer boa jogada e entregar para Verón. O argentino cruzou para a área, Crespo fez o corta luz e Chiesa encheu o pé, de primeira, para fechar o placar. Eram 10 minutos do segundo tempo e o jogo estava ‘’terminado’’.

Parma 3×0 Olympique de Marselha – Final da Copa da UEFA 1998/99

Cannavaro, Fuser, Crespo e Chiesa na final da Copa da UEFA.

 

Comemoração do título da Copa da UEFA 1998/99

 

No fim da temporada, o Parma perdeu Sensini, Verón, Balbo e Chiesa e começou o processo de queda. Mas já tinha seu lugar marcado na história do futebol italiano.

Ficha técnica da final:

Parma: Buffon; Thuram, Sensini, Cannavaro e Vanoli; D. Baggio, Fuser, Boghossian e Verón (Fiore); Crespo(Balbo), Chiesa(Asprilla).
Técnico: Alberto Malesani

Olympique de Marselha: Porato, Blondeau, Blanc, Domoraud e Édson da Silva (Camara); Issa, Brando, Bravo e Gourvennec; Pirés, Maurice
Técnico: Rolland Courbis

33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

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