A briga entre Cris e Eduardo, na final do Campeonato Mineiro de 2004

  • por Bráulio Silva
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Cruzeiro e Atlético sempre realizam clássicos de muita rivalidade. Certamente uma das maiores do Brasil. Duas torcidas apaixonadas e que contagiam os seus jogadores dentro de campo. Em 2004, as equipes decidiram – como quase sempre – o campeonato estadual. Com a melhor campanha na fase inicial, o Galo jogava por dois resultados iguais. O Cruzeiro tinha um dos times mais respeitados do Brasil, já que no ano anterior tinha conquistado a tríplice coroa (o estadual, a Copa do Brasil e o Brasileirão). Todos de forma incontestável.

No primeiro jogo, logo no início, o Atlético saiu na frente com Alex Mineiro. Entretanto, o gol não abalou o Cruzeiro, que virou na sequência com Alex, em cobrança de falta, e Jussiê, em rápido contra-ataque. Ainda no primeiro tempo, novamente Jussiê ampliou a vantagem azul, 3×1. Mesmo com a melhor campanha, o Galo teria que vencer a Raposa por dois gols de diferença no segundo jogo.

A partida já começou quente. Troca de provocações durante a semana deixaram o clima da partida como o de um barril de pólvora. O Galo se encontrava melhor na partida, mas parava no sempre seguro sistema defensivo cruzeirense. Aos 20 minutos, o craque Alex entrou com maldade no lance com o lateral Carlinhos, que saiu de campo chorando e com suspeita – não confirmada – de uma lesão no tornozelo. Aos 33, Alex Mineiro fez falta por trás em um dos personagens da coluna de hoje, o zagueiro Cris. Ao levantar-se, o zagueiro deu uma cabeçada no meia Tucho, que logicamente valorizou o lance. Ambos foram expulsos.

Com mais espaços, o jogo melhorou. E o Galo seguiu pressionando. Na melhor das oportunidades no primeiro tempo, Alex Mineiro bateu forte da entrada da área para Gomes executar excelente defesa. No início do segundo tempo, mais pressão. Após cruzamento da esquerda, o meia Dejair acertou forte cabeçada e a bola explodiu no travessão. Dali em diante, foi um festival de bolas cruzadas na área. Dejair, Luis Alberto, Zé Luis… todos aproveitando os cruzamentos e levando imenso perigo ao gol de Gomes, que era o principal nome do Cruzeiro naquela tarde.

Aos 24 do segundo tempo, enfim saiu o gol do Galo. O zagueiro Luís Alberto roubou a bola no meio de campo, avançou, se livrou dos marcadores e bateu forte, de fora da área. Era o gol que reascendia a esperança atleticana. Agora, seriam pouco mais de 20 minutos para tentar o gol do título. Mas aí o Cruzeiro acordou e também foi ao ataque. Maicon, em uma arrancada, levou perigo ao gol defendido por Eduardo. Alex, em bela jogada, também quase empatou. No minuto seguinte foi a vez de Jussiê chutar forte, mas parou em Eduardo. A última chance do Galo foi com Márcio Mexerica, aos 44, mas chutou mascado e a bola passou perto da meta defendida por Gomes. Era o bi-campeonato cruzeirense.

Na comemoração, Cris saiu do vestiário e avançou para o campo de jogo. Após cumprimentos aos colegas, o zagueiro partiu em direção à torcida adversária e fez gestos provocativos, além de ter atirado uma latinha com uma fumaça azul. O goleiro Eduardo não gostou e foi tomar as dores. Empurrou o zagueiro nas placas de publicidade. Um segurança conteve o goleiro atleticano e o zagueiro cruzeirense fez pose de boxer, partindo para a briga. Uma ensandecida troca de socos e pontapés entre os protagonistas que foi apenas o estopim de uma confusão generalizada, envolvendo outros atletas, seguranças das equipes e até dirigentes dos rivais.

Após a confusão, os brigões foram julgados. Tucho foi absolvido. O goleiro Eduardo pegou 120 dias e cumpriu a suspensão. Já Cris foi julgado e condenado a 9 meses de suspensão. Cumpriu uma parte da punição e foi vendido aos franceses do Lyon. Por lá, atuou normalmente. Depois de uma passagem sem brilho pelo Galatasaray, em seu retorno ao Brasil, cogitou-se cumprir a punição. Mas os dirigentes gremistas garantem que a pena já prescreveu e que o zagueiro tem plenas condições de jogo.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.

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