DOENTES POR FUTEBOL

Rei de Copas – Zinedine Zidane

Platini fez 72 jogos pela França,  49 sendo capitão e marcou 41 gols.

Michel Platini

29 de abril de 1987. Michel Platini deixava a seleção francesa e o futebol francês ficava em estado de alerta. Parecia improvável que a França, que havia conquistado uma Eurocopa e ido para duas semifinais de Copa do Mundo com o craque, mantivesse sua força no cenário mundial. Entretanto, a França seria agraciada com outro grande nome do futebol. E ele começaria profissionalmente no ano seguinte ao da aposentadoria de Platini. E assim começa o primeiro Rei de Copas, com Zinedine Zidane.

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Ao contrário do que muitos pensam do ’10 clássico’, Zidane não esperava a bola no pé e distribuía passes. Em certos momentos, chegava na defesa para conduzir a bola ao ataque e deixá-la como se fosse um presente para quem a recebesse. No auge de sua forma física, até roubava bolas e lançava para os companheiros. Fazia sua função com maestria. Tudo isso com um domínio fora de série, um drible genial e uma classe inigualável. Sua elegância jamais será esquecida.

Zidane foi o último a eliminar a tão comentada seleção espanhola no mundial, o único a eliminar o Brasil duas vezes e nas duas com atuações históricas. Venceu o gênio atemporal Ronaldinho, que estava no auge da sua forma e era comparado aos melhores de todos os tempos. Mostrou ao maior artilheiro de Copas que o importante é definir sem perder a classe. Deixou o, considerado por muitos, melhor goleiro de todos os tempos perplexo ao cobrar um penalti em uma final de forma tão irresponsável. Marcou dois gols numa final em uma jogada que nunca foi sua principal característica. Levou a França para duas finais, algo que ela nunca havia conseguido. Deu uma Copa do mundo. Encantou.

Zinedine Zidane

1998

Passados 14 anos após sediar uma grande competição, a Euro 1984, era hora de novamente realizar um evento marcante, tanto pela organização quanto pelo final, extremamente feliz para o país. A França não possuía bons resultados após a saída de Platini, não havia nem se classificado para a Copa de 1994 e nem de 1990. Estava classificada para a edição de 1998 por ser a sede da competição. Porém, já com Zidane como camisa 10 na Euro 1996, a equipe havia feito ótima campanha, tendo sido eliminada pela República Tcheca na semifinal do torneio, nos pênaltis. No ano seguinte, o jogador de 26 anos havia terminado em terceiro na votação de melhor do mundo da FIFA e também pela Bola de Ouro.

Les Bleus estavam no grupo C da Copa de 98, que era formado pela África do Sul, pela Dinamarca e Arábia Saudita. Não havia motivo para sustos, a vaga devia ser garantida sem dificuldade. A França tinha um grande time. Começou o primeiro jogo da competição, contra a África do Sul, com a seguinte escalação: Barthez, Thuram, Blanc (c), Desailly, Lizarazu; Petit, Deschamps, Djorkaeff, Zidane; Henry e Guivarc’h. Vieira, Pires e Trezeguet também estavam no grupo.

Contra o time africano, Dugarry, que entrou no lugar de Guivarc’h, pôde usufruir de um dos grandes momentos de Zizou. Na primeira chance, após passe preciso do então meia da Juventus, desperdiçou. Mas na cobrança de falta de Zidane, na medida para o atacante, ele marcou o primeiro. Dugarry receberia outra bola e faria outro gol, após roubo de bola do camisa 10 e em posição ilegal. Gol anulado. Henry também foi outro abençoando com a companhia do meia, pois recebeu chances preciosas e, no final do jogo, após ter feito boa partida, marcou seu gol. Momentos antes, o zagueiro rival, Issa, havia marcado contra as próprias redes (o mesmo jogador teve atuação desastrosa na partida). Zidane, além de passes e lançamentos, exibiu um grande repertório de domínios e dribles. Não sentiu a pressão da estreia, nem de usar a 10 de Platini. França 3×0 África do Sul – todos os outros vídeos – de Zidane e da França estarão no final no post, idem para 2006.

Após estreia tranquila e grande atuação de Zidane, a partida contra a Arábia Saudita se encaminhava para ser da mesma forma, com o camisa 10  e a França no controle do jogo. Mas após entrada forte do capitão Amin, Zidane deixou o pé e acertou o rival. O juiz, bem colocado, não teve dúvidas. O Fabuloso estava expulso, mas já apostavam em uma final entre Brasil x França e no duelo entre ele e Ronaldinho, como era chamado o jogador naquela época.

Primeira expulsão de um jogador francês em Copa do Mundo. Ela se repetiria ainda naquela edição, com Blanc.

Primeira expulsão de um jogador francês em Copas do Mundo. Ela se repetiria ainda naquela edição, com Blanc.

Zidane voltaria apenas contra a Itália, nas quartas de final do torneio. A França havia passado bastante sufoco durante sua ausência e precisaria do craque em sua melhor forma para superar a vice-campeã mundial. Ciente de sua importância, o jogador não se omitiu. Arriscou alguns chutes, mas essa habilidade ainda seria melhor desenvolvida com o passar dos anos. Vale citar a eficiência da defesa comandada pela família Maldini tanto no banco quanto dentro de campo. Após um 0 x 0 no tempo normal e na prorrogação, a decisão iria para os pênaltis. Zidane, primeiro cobrador, marcou. A responsabilidade dele era enorme, pois já estavam com a expectativa de que ele fosse um dos destaques para aquele mundial e o meia havia sido expulso de forma tola. Um pênalti defendido ou cobrado fora do gol poderia significar uma pressão parecida com a que Beckham enfrentou após a eliminação da Inglaterra diante da Argentina. Por méritos do jogador e dos cobradores franceses, após uma emocionante disputa, a França estava de volta para uma semifinal.

Zidane aguarda cobra de Trezeguet diante da Itália.

Zidane aguarda cobrança de Trezeguet diante da Itália.

Diante da sagaz Croácia, que havia eliminado a tradicional Alemanha por 3×0, a França encontrou diversas dificuldades. Zidane, também. Suas principais tentativas eram chutes de fora da área. Em um deles, quase marcou um belo gol. Mas ainda não era hora de brilhar. Aquele dia era de Thuram, o lateral direito surpreendeu todos com seu dia iluminado e marcou dois gols. Os tentos dariam a classificação inédita para a seleção de Zidane. Apesar de ter começado a jogada do segundo gol, ele sabia que faltava algo:

“Estou satisfeito com meu desempenho nesta Copa. Só me faltou uma coisa até agora, que é marcar um gol, e espero marcá-lo na final contra o Brasil.”

Zidane na semifinal da Copa de 1998.

Zidane na semifinal da Copa de 1998.

12 de julho de 1998. Após Raymond Kopa, Just Fontaine e Michel Platini não tendo conseguido consagrar a França no maior torneio do mundo, mesmo após grandes atuações, agora isso era possível. E diante da população francesa. Meninos franceses que depositaram suas esperanças com Platini, na Euro de 1984, vencida pelos franceses, dessa vez eram homens e se encantavam novamente pelo futebol.

Ao contrário de outros, que quando jogam uma partida dessa magnitude sentem a pressão, Zidane parecia ficar mais leve e suave nesses momentos. Logo na primeira jogada de ataque, deixou Guivarc’h na cara do gol, mas o centroavante não era tão capacitado quanto o camisa 10 e deixou escapar. O jogo era dele. Passava por Dunga, Leonardo, Roberto Carlos e Cesar Sampaio com toques simples, eficientes e fascinantes.

O segundo gol de Zinedine Zidane. / Reprodução: AFP.

O segundo gol de Zinedine Zidane. 

O meia da Juventus era o cobrador oficial de escanteios da França na Copa, mas na final seria diferente. E flutuou no ar como se fosse um pássaro para marcar, de cabeça, o primeiro gol do jogo. No segundo, nem foi necessário isso. Marcou novamente de cabeça, dessa vez sem pular, ignorando a presença de seus marcadores Dunga e Leonardo.

A consagração de Zinedine Zidane,

A consagração de Zinedine Zidane.

Zidane, após vivenciar a dificuldade do país em triunfar nas competições, não deixaria mais o título escapar. E daria um presente aos franceses, uma vitória suave e bela sobre a principal seleção do mundo. Faria companhia a Maradona e Platini, os últimos que eliminaram o Brasil, mas com uma diferença. Sua atuação decisiva foi em uma final, ajudando a construir uma goleada. Sim, Petit ainda marcaria o terceiro. A França havia novamente feito um evento marcante e extremamente feliz para o país. Já Zidane conseguira conquistar um espaço no coração dos franceses. E o sucesso, que após a aposentadoria de Platini parecia improvável, aconteceu.

A França tinha um gênio do futebol no banco e um outro ainda mais talentoso no gramado: Zidane. Mario Zagallo, técnico do Brasil

Zidane

Vídeos

França 3×0 África do Sul                     Zidane | Melhores Momentos

França 4×0 Arábia Saudita                  Zidane | Melhores Momentos

França 2×1 Dinamarca                         Zidane | Melhores Momentos

França 1×0 Paraguai                             Zidane | Melhores Momentos 

França 0x0 Itália                                   Zidane | Melhores Momentos

França 2×1 Croácia                                Zidane | Melhores Momentos

França 3×0 Brasil                                  Zidane | Melhores Momentos

“Vence na vida quem diz sim”

Após uma lesão na coxa às vésperas da Copa de 2002, Zidane ficaria fora das duas primeiras partidas e a França teria que mostrar sua força sem o camisa 10, que havia comandado a equipe em 1998 e na também vitoriosa campanha da Euro de 2000. Além disso, havia acabado de conquistar a Champions League com o Real Madrid, após marcar um dos gols mais bonitos de todos os tempos. Mesmo com Henry, Djorkaeff, Vieira, Trezeguet e Thuram, a França não conseguiria marcar um único gol contra Senegal e Uruguai e precisaria de Zidane, mesmo sem condições contra a Dinamarca. Zidane fez o que pôde, mas visivelmente estava muito abaixo do que podia render. Apesar de cobrar um escanteio e a bola de Trezeguet carimbar a trave, nada adiantaria e a Dinamarca marcaria com Tomasson e Rommedahl. Les Bleus seriam eliminados na primeira fase.

Zidane

Na Euro de 2004, Zidane ainda era melhor jogador do mundo pela FIFA, mas já não vivia da regularidade de outrora. Teve alguns lampejos, como na vitória sobre a poderosa Inglaterra, em que fez dois gols. Henry, Vieira e Pires, pelo contrário, viviam o auge no Arsenal de 2003/04, mas não conseguiram render o mesmo com a camisa da seleção. A Grécia, surpresa do torneio, eliminaria a então campeã por 1×0, gol de Charisteas. Parecia o fim de uma geração e, conscientes de que pudessem atrasar o desenvolvimento dos mais jovens e causar incômodo com a posição unânime que tinham dentro da seleção, Thuram, Makelele e Zidane decidiram se retirar. Mas a França não estava pronta e, após sufoco nas eliminatórias, eles voltaram para classificá-la e evitar um vexame.

2006

Zidane

“Quem te viu, quem te vê”

A Copa da Alemanha seria a última competição de Zinedine Zidane. O jogador, que estava com 34 anos, não vivia bom momento no Real Madrid e acreditava que a Copa seria um bom momento para se retirar. Nas previsões de antes da competição e até no começo dela, era esperado que o último jogo do gênio fosse nas oitavas ou quartas de final se a equipe tivesse sorte. O grupo G tinha a surpresa da Copa anterior, a Coréia do Sul, além de Togo e Suiça. No primeiro jogo, contra a outra seleção europeia do grupo, Zidane, já sem o mesmo físico, chegou pouco ao ataque. Sua principal função no jogo foi realizar lançamentos para aproveitar a velocidade. Mas o time, estático, não criou e o 0 x 0 se manteve até o final.

“Amanhã, Ninguém Sabe”

No segundo jogo, contra a Coréia do Sul, uma partida mais apagada do craque. The Guardian falaria que ‘”Não é o Zidane de que vamos nos recordar”. Henry, que chegou na Copa após grande temporada, marcaria um gol e teria oportunidade de marcar outro no final. Zizou, em um raro lampejo, daria uma bola “com açúcar, com afeto” para o camisa 12 (quando este atua pela França), mas o goleiro coreano faria a defesa. Naquele momento, o jogo já estava empatado. Para piorar, o meia perderia o tempo de bola e acabaria atingindo o jogador rival, levaria outro amarelo e não disputaria a partida decisiva. A França teria que triunfar, pelo menos contra Togo, sem o maior nome da seleção. A tarefa parecia fácil, mas não para quem havia perdido para Senegal quatro anos antes e estava tendo problemas para se classificar para a competição. Aquele poderia ter sido o último jogo de Zidane.

“Horizonte distante”

A partida lembrou bastante a de 2002 contra a Dinamarca. Parecia que a sorte não estava do lado azul, mas isso foi só no primeiro tempo. Vieira e Henry, após tantas vezes serem ajudados pelo camisa 10, tinham de retribuir. Os dois garantiram a vitória francesa por 2×0 sobre Togo e a classificação em segundo lugar do grupo. A seleção enfrentaria a ótima Espanha, que vinha de excelentes resultados. Mesmo que não tivesse sido proposital, o descanso fez bem para o meia. Ele poderia se preparar melhor para a fase final. E ele fez isso.

“Porque era ela, Porque era eu”

A Espanha já vinha como seleção favorita em 2006. Tinha Casillas, Xavi, Fabregas, Xabi, Puyol, Villa, Sérgio Ramos, Torres e Iniesta, o último no banco de reservas. Havia goleado a Ucrânia na estreia em uma das maiores exibições coletivas daquela Copa. A imprensa espanhola não acreditava em outro resultado, pensava que seria o momento em que a seleção daria a volta por cima. O lateral francês Abidal, que futuramente iria atuar com alguns desses no Barcelona, destacaria a vantagem francesa no duelo por um fator:

“A França tem jogadores capazes de mudar uma partida a qualquer momento. A Espanha tem jogadores técnicos, mas não tem Zidane.Ele estava frustrado por não ter jogado, tem gana de voltar a pisar na grama. É um vencedor, se vê no treinamento. Está decidido, inclusive mais que os demais, embora todos tenham o mesmo objetivo”

Ribery teve grande importância para a França naquela partida e na Copa. Após uma primeira fase difícil do jogador, quando perdeu diversos gols, principalmente contra Togo, ele iria se recuperar. Marcou o gol de empate, já que Villa abriu o placar, de penalti.

Zidane

A França de Zizou passar pela Espanha de Pernía e Xabi Alonso.

Zidane, ao contrário de 1998, não sentia necessidade de marcar gols, não via motivo para arriscar um chute de fora da área se pudesse criar uma jogada. Era mais cauteloso, paciente. Não tinha o dinamismo de antigamente, mas conseguia trocar passes essenciais para o fluxo de jogo francês. A Espanha não havia conseguido matar o jogo e em alguma hora iria pagar pela ineficiência ofensiva. Zidane cobrou falta, a bola sobrou e Vieira empurrou pro gol. Logo depois, estava na defesa tirando uma bola de cabeça. Minutos depois, em um contra-ataque bem executado, Zidane passaria com a costumeira classe por Puyol, como se o segundo que estivesse pronto para largar o futebol, e finalizaria no canto de Casillas. Volta por cima. Aposentadoria adiada, assim como a glória espanhola.

“A Ostra e o Vento”

Nas quartas de final, a França teria o Brasil pela frente e junto com ele, vários craques em grande momento. Kaká, sucesso no Milan. Ronaldo, três vezes melhor do mundo. Adriano, artilheiro e decisivo pela seleção. Ronaldinho Gaúcho, que acabara de conquistar a Champions League em sua melhor temporada na Europa. Uma seleção que havia conquistado tudo, ou quase tudo, dando show.  Era o tão falado quadrado mágico, que ainda tinha Robinho, jogador do Real Madrid, no banco. Mas na Copa, jogos feios e travados, com falta de mobilidade dos atacantes que estavam acima do peso e um Ronaldinho muito diferente daquele do Barcelona. Apesar disso, todos contavam novamente com a aposentadoria de Zidane ao final da partida.

Entretanto, Zizou naquele dia parecia no auge e o quarteto mágico próximo do fim. Além dos já citados, Kaká era dúvida e foi para o sacrifício. Uma seleção sem alma estava caindo diante de Les Bleus novamente comandados pelo camisa 10. Ronaldo foi um dos humilhados pelo craque, levando um belo chapéu. O gol viria apenas no segundo tempo. Em cruzamento do dono do jogo, Henry – livre – empurra para o fundo das redes. Nada mudaria aquele cenário.

O Brasil estava eliminado. Zidane mostrava ao mundo a diferença entre um craque de clubes e um de seleção. E que o discurso tão falado pelos brasileiros após a Copa de 2002 para justificar falta de vontade, erros ou falta ritmo de Ronaldo, ‘Na Copa ele decide’, era errôneo, e se fosse utilizado, deveria ser apenas com o jogador francês.

A mídia brasileira se rendera ao craque, afinal, os nossos haviam demonstrado falta de profissionalismo, vontade e futebol. Zidane pelo contrário. Pelé elogiou a grande partida do algoz brasileiro :

 ‘O Brasil começou bem e achei que controlaria a partida, mas depois o ocntrole escapou de suas mãos. Em boa parte, isso se deveu a um jogador que foi mágico, comandou o jogo, e este foi Zinedine Zidane”.

Outro craque, Beckenbauer, não poupou elogios:

 “Me pergunto por que (Zidane) vai se retirar do futebol se é tão bom quanto há quatro anos. Se joga bem, tem que continuar”.

A mídia ao redor do mundo também não poupou elogios ao jogador, confira artigos do NY Times, The Guardian, Clarín,El Mundo e El Pais, com o título ‘O Rei’ Zidane. O Olé, diria que o francês é parecido com o vento, que “apesar de velho, continua a soprar”.

Zidane

Mais uma vez  o craque francês se torna carrasco do Brasil.

“Sob medida”

A França iria enfrentar Portugal, que tinha o atual técnico campeão do mundo, Felipão. E fazia grande campanha, assim como havia feito na Euro 2004, quando a seleção foi vice-campeã. Figo e Cristiano Ronaldo eram as estrelas daquela equipe, que mesmo com os craques,  encarava qualquer jogo como guerra. E foi em um desses momentos de guerra que Ricardo Carvalho passou o pé em Thierry Henry, que estava inspirado naquela partida. Pênalti. A penalidade não vinha sendo problema para Portugal, já que tinha um ótimo goleiro nesse quesito, Ricardo. Porém, do outro lado, era o experiente Zidane, que havia superado tudo e todos naquele momento. Não havia como o impedir. 1×0.

Portugal caia de forma heróica, havia feito grande campanha. Zidane havia conseguido levar a França para a final, algo que seria elogiado por diversos veículos, mesmo que a partida contra Portugal não tivesse sido brilhante como as anteriores. Confira matérias da BBC, NY Times e El Mundo. L’Equipe destacaria o “desafio insensato” em jogar a final da Copa, algo que nem o francês mais otimista poderia imaginar.

“O último blues”

“Agora sim, vocês podem falar que é o último. Dessa vez é o último jogo de Zidane”, diria Raymond Domenech. A França e o mundo faria suas últimas homenagens ao jogador. Todos sabiam da grande perda ao esporte, mesmo que a regularidade já não fosse a mesma. Mas a classe, inteligência, o drible e domínio eram fundamentos raros de ser ver em um único jogador. O futebol dos últimos anos se preocupava com força, velocidade, explosão. Burrice.

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Zidane é um dos mais importantes da história do futebol, tão importante que os rivais não tinham vergonha de elogiar e torcer para ter sorte. Gattuso, antes da final, falaria:

“Ele é um daqueles jogadores que valem o preço do ingresso [para ver o jogo] e você não o pára. Talvez ele mesmo se anule em um dia ruim. Você tem que tentar controlá-lo, mas se quer diminuir o seu efeito, precisa contar com um pouco de sorte”.

9 de julho de 2006. Em um dos começos mais eletrizantes das finais de Copas, Materazzi logo aos quatro minutos faz um pênalti em Malouda. Zidane, divino, cobra com cavadinha diante de um dos maiores goleiros de todos os tempos. Não demoraria muito para a Itália empatar. O jogo seria bastante equilibrado, ao contrário da última final em que a França disputara em mundiais. Apenas na prorrogação Les Bleus teriam nova oportunidade. Zidane abre o jogo com Sagnol, que cruza de volta para o meia. O cabeceio sai com a força de um soco e Buffon mostra seu talento. Nesse momento, já duvidávamos novamente se Zidane era sobrenatural.

Após não ter de provar mais nada, ele provaria que é humano.

Zidane

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França 0x0 Suiça               Zidane | Melhores Momentos

França 1×1 Coréia do Sul   Zidane |Melhores Momentos

França 2×0 Togo                Zidane | Melhores Momentos

França 3×1 Espanha         Zidane | Melhores Momentos

França 1×0 Brasil              Zidane | Melhores Momentos

França 1×0 Portugal         Zidane | Melhores Momentos

França 1(4)x(5)1 Itália      Zidane | Melhores Momentos

Agradecimentos: Victor Quintas, Sérgio Lopes, Alexandre Reis e Felippe Garcia.

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