A carreira de Zico fora dos campos.

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 5 Anos atrás

A comissão técnica do Brasil em 1998.

A primeira experiência de Zico em uma comissão técnica foi durante a Copa da França, em 1998. O Brasil fez amistosos ruins, Zagallo já não passava mais a mesma segurança – em muito devido à idade – e Zico foi convidado para auxiliá-lo, como coordenador técnico. Zico teve pouca influência na participação brasileira na Copa do Mundo em 1998, pois chegou já no fim da preparação e não conhecia muitos dos atletas. Como coordenador, teve como principal atribuição no período comunicar a Romário que o jogador estava fora da disputa da Copa, em virtude de uma lesão na panturrilha. Embora o corte tenha sido de ordem médica, Romário culpou Zico pelo mesmo e fez uma caricatura de Zico e Zagallo no seu bar, que gerou um processo de ambos contra o Baixinho. A paz só foi selada em 2009, após Zico convidar Romário para seu ”Jogo das Estrelas” e o Baixinho aceitar o convite

 

Zagallo, Carla Perez e Zico na Copa do Mundo da França.

Zagallo, Carla Perez e Zico na Copa do Mundo da França.

A imagem que gerou processos contra Romário.

A imagem que gerou processos contra Romário.

 

A Seleção do Japão.

 

Após a Copa do Mundo de 1998, Zico voltou à suas atribuições no Kashima, onde era diretor técnico. O clube demite o também brasileiro Zé Mário da função de treinador e Zico assume, tirando o clube das últimas posições da J-League e mantendo-o na primeira divisão do Japão. 

Em 2002, o Japão sediou a Copa do Mundo, em conjunto com a Coréia do Sul, o que ocasionou um ”boom” do futebol japonês. O Japão passou em primeiro no seu grupo, mas caiu nas oitavas, perante a Turquia. Philippe Troussier deixou o comando da Seleção e Zico foi convidado pela Federação do Japão, visando o processo de renovação para 2006. Em 2003 teve seu primeiro desafio, mas o Japão caiu na primeira fase da Copa das Confederações, após perder para França e Colômbia em 2 jogos disputadíssimos.

 

França 2×1 Japão – Copa das Confederações 2003

Em 2004 a equipe bateu Irã, Omã, Tailândia, Jordânia, Bahrein e China na conquista da Copa da Ásia. O grande momento da campanha foi nas quartas de final contra a Jordânia, quando a equipe desperdiçou as 2 primeiras cobranças na disputa por penaltys, mas conseguiu reverter o quadro e avançar à semi final.

Japão bate a Jordânia nos penais e avança à semi final.

Na grande final, vitória contra a China por 3×1 e título do Japão.

Japão 3×1 China – Japão Campeão da Ásia em 2004

O primeiro título oficial de Zico como treinador.

O primeiro título oficial de Zico como treinador.

 

Com a conquista da Copa da Ásia, o Japão ganhou o direito de disputar a Copa das Confederações 2005, que seria jogada na Alemanha, em evento teste para a Copa do Mundo de 2006. O Japão caiu no grupo de Brasil, México e Grécia, mas novamente caiu na primeira fase após perder para o México, vencer a Grécia e empatar com o Brasil. No jogo contra o Brasil, a equipe treinada por Zico fez jogo duríssimo contra o time de Ronaldinho e Kaká, chegando inclusive a ter um gol anulado quando o confronto ainda estava 0x0, mas não consegiu avançar à semi final.

Brasil 2×2 Japão – Copa das Confederações 2006

Em 2006, para a disputa da Copa do Mundo, o Japão mais uma vez caiu em um grupo complicado, com Brasil, Croácia e Austrália pela frente. A equipe foi muito mal na competição e eliminada novamente na primeira fase, mas todos os setores do futebol do Japão reconhecem o legado deixado por Zico, que deu um toque de improviso aos jogadores e moldou a forma do Japão trabalhar desde a base, valorizando a posse de bola e o talento.

O Fenerbahce.

Após a Copa do Mundo, Zico assinou contrato com o Fenerbahce. A equipe tinha muitos brasileiros no elenco e buscava uma maior popularização no Brasil. Além disso, era um time conhecido por jogar com a bola e buscou em Zico alguém que pudesse melhorar esse aspecto. A equipe conquistou o Campeonato Turco com facilidade na temporada 2006-07, classificando-se para a Champions League da temporada seguinte, quando brilhou e avançou às quartas de final, melhor resultado de um time da Turquia na competição. O time tinha a vaga na semi final garantida até os 87′ de jogo, mas Frank Lampard fez o gol da classificação dos Blues à semi final.

Treinador do Fener, Zico leva o clube às quartas da UCL, melhor resultado do clube na história.

Treinador do Fener, Zico leva o clube às quartas da UCL, melhor resultado do clube na história.

Deivid Chelsea

Deivid comemora o gol da vitória contra o Chelsea no jogo de ida.

Após sair do Fenerbahce, passou por Bunyodkor, CSKA e Olympiakos, sempre ficando pouco tempo. No clube Uzbeque conquistou a Copa do Uzbequistão e deixou a equipe na ponta do campeonato. No CSKA, conquistou a Copa da Rússia e a Supercopa, mas a eliminação para o Shakhtar Donetsk na Copa da UEFA e as interferências do presidente na escalação de atletas encerram a passagem de Zico pela Rússia. Na Grécia, levou a equipe do Olympiakos às oitavas da Champions League, mas saiu por problemas de salários atrasados.

Zico na sua chegada ao Bunyodkor.

Zico na sua chegada ao Bunyodkor.

 

Love levanta a taça da Copa da Rússia conquistada pelo CSKA de Zico.

Love levanta a taça da Copa da Rússia conquistada pelo CSKA de Zico.

 

Zico após uma partida de Champions disputada pelo time da Grécia.

Zico após uma partida de Champions disputada pelo time da Grécia.

Ainda em 2010 teve passagem pela direção do Flamengo, mas entrou em atrito com outros setores do clube e deixou o cargo 4 meses depois, depois de ser boicotado por setores do clube e acusado de favorecimento a jogadores do CFZ e de um dos filhos, o que depois foi provado que era mentira.

Em 2011 assumiu o Iraque, que disputa as Eliminatórias da Ásia para a Copa do Mundo. A equipe passou pela terceira fase da competição com apenas uma derrota em 6 jogos e na liderança do seu grupo. Porém, em Novembro de 2012 Zico deixou o selecionado, em virtude salários atrasados, especialmente dos seus colegas de comissão técnica.

Recentemente apoiou a Chapa Azul na eleição do Flamengo, chapa que venceu a eleição e trouxe Zico novamente para dentro do clube, após a traumática saída em 2010.

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.