Rei de Copas – Cafu

  • por Victor Gandra Quintas
  • 5 Anos atrás

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O nosso Rei de Copas desta semana não foi o principal protagonista de sua seleção. Não era artilheiro, nem o senhor das assistências, menos ainda dotado de grande habilidade com a bola nos pés. Mas era importantíssimo no esquema que formou. Um dono da lateral direita, que reinou na posição por nada menos que dezesseis anos. Esteve em quatro Copas do Mundo, foi finalista três vezes e venceu duas, uma delas erguendo a taça como capitão.

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Foto: Reprodução – A Copa do Mundo em primeiro plano.

Humilde, sempre recebeu críticas. Ponderado, as respondia dentro de campo. Cafu, o capitão do Penta, nascido Marcos Evangelista de Moraes, no dia 07 de junho de 1970 (no mesmo dia que o Brasil venceu a Inglaterra na Copa de 1970), saído do imortalizado bairro Jardim Irene, é o monarca da semana.

“O Cafuringa jogava na seleção de masters. E eu também jogava como ponta. Então, recebi o apelido de Cafuringa, depois abreviado para Cafu”. – Marcus Evangelista de Moraes

BREVE HISTÓRICO DA CARREIRA

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Foto: Reprodução – O São Paulo vencedor da Recopa de 1994.

O início da carreira de Cafu já foi marcado por um recorde: o de rejeição em peneiradas de clubes. De forma humorada, o jogador não hesita em contar como foi reprovado inúmeras vezes antes de conseguir chegar a um clube profissional. Foram nove tentativas até fechar com o São Paulo Futebol Clube, em 1989.

Iniciando como ponta direita, foi somente em 1993 que o técnico Telê Santana viu o potencial para a lateral, uma alternativa para a saída do então titular Vítor. No clube paulista, conquistou as Libertadores de 1992 e 1993, bem como as Copas Intercontinentais (hoje o Mundial de clubes) nos mesmos anos. Chegou a ganhar também a Recopa Sulamericana de 1994. Sua boa fase o credenciou a conseguir o prêmio de Melhor Jogador do continente neste último ano e a fazer parte na convocação do técnico Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Mas Cafu fizera sua estreia há quanto anos antes, em um amistoso contra a seleção da Espanha. Fora chamado após a fracassada companha na Copa do Mundo daquele ano.

Além do São Paulo, o lateral defenderia, em sua carreira, mais cinco clubes, três deles europeus (Real Zaragoza, Roma e Milan). Esteve no time campeão da Liga dos Campeões da Europa, em 2007, conquistada pelo Milan. Era o único título que faltava na carreira do jogador.

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Foto: Reprodução – Cafu e os companheiros de Milan na UCL de 2006-07.

Cafu também foi grande ídolo na Roma, onde esteve por seis temporadas. A devoção dos torcedores era tamanha que o apelidaram carinhosamente de Il Pendolino, “O Trem Expresso”. Uma alusão ao seu vigor físico e velocidade.

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Foto: Reprodução – O lateral é ovacionado no Estádio Olímpico, em Roma.

COPA DO MUNDO 2006

Convocados: 1 Dida; 2 Cafu; 3 Lúcio; 4 Juan; 5 Emerson; 6 Roberto Carlos; 7 Adriano; 8 Kaká; 9 Ronaldo; 10 Ronaldinho; 11 Zé Roberto; 12 Rogério Ceni; 13 Cicinho; 14 Luisão; 15 Cris; 16 Gilberto; 17 Gilberto Silva; 18 Mineiro; 19 Juninho Pernambucano; 20 Ricardinho; 21 Fred; 22 Júlio César; 23 Robinho; Treinador: Parreira

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Foto: Reprodução – Ronaldo, Cafu, Lucio e Zé Roberto na copa de 2006.

Para falar do Cafu em Copas do Mundo, vamos começar pela menos atrativa, aquela que muitos prefeririam esquecer. A Copa de 2006 foi marcada pelo “Quadrado Mágico”, formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano. Foi um torneio triste para o Brasil, que depositava nesta formação de ferro a confiança de conquistar o Hexacampeonato.

Cafu era o titular da lateral direita. Ainda capitão, viu seu time se desfazer em meio à crise soberba de egos. O fato é que os jogadores não fizeram por merecer, em nenhuma partida, o status de seleção favorita.

A Seleção Brasileira esteve no Grupo F, com CROÁCIA, AUSTRÁLIA e JAPÃO.

A primeira partida foi contra os europeus. Com gol de Kaká, aos 44 minutos, o Brasil venceu por 1×0. Recebeu a Austrália no jogo seguinte, a surpresa da Copa, e conquistou nova vitória (2×0 – Adriano e Fred). Por fim, o último confronto desta fase diante do Japão, que era treinado por Zico. O Brasil venceu novamente, mas utilizando uma equipe mista (4×1 – Ronaldo duas vezes, Juninho e  Gilberto). Cafu não jogou e foi substituído por Cicinho.

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Foto: Reprodução – Formação contra o Japão, sem Cafu.

GANA foi a adversária nas oitavas de final. Vitória por três gols, com Ronaldo, logo aos 5 minutos; Adriano, aos 45; e Zé Roberto, completando o marcador aos 84.

Apesar de bons resultados, somente na disputa contra o Japão o time mostrou certa consistência. Cafu era bastante criticado, sobretudo pela idade (36 anos). Mesmo ainda mantendo a agilidade característica, sofreu com a má fase da seleção. Outra nota importante era que a torcida e a imprensa tinham pedido a inclusão de Juninho Pernambucano no time titular, para dar consistência ao meio campo fragilizado. Pedido concedido na partida seguinte, contra o sempre algoz time da FRANÇA.

E como se poderia esperar, vendo o retrospecto de outros anos, Zidane, nosso primeiro Rei de Copas, mostrou-se superior com a sua seleção e venceu o lamentoso e fragilizado Brasil por 1×0, depois do craque bater uma falta para Henry marcar, de pé direito, aos 57 minutos. Um final condizente com a situação apresentada pelos comandados de Parreira.

Esta seria a última partida de Cafu com a camisa que tanto se identificava. Um final trágico e melancólico para quem viveu tanto em função da seleção.

COPA DO MUNDO DE 1994

Convocados: 1 Taffarel; 2 Jorginho; 3 Ricardo Rocha; 4 Ronaldão; 5 Mauro Silva; 6 Branco; 7 Bebeto; 8 Dunga; 9 Zinho; 10 Raí; 11 Romário; 12 Zetti; 13 Aldair; 14 Cafu; 15 Márcio Santos; 16 Leonardo; 17 Mazinho; 18 Paulo Sérgio; 19 Müller; 20 Ronaldo; 21 Viola; 22 Gilmar; Treinador: Parreira

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Foto: Reprodução – Comemoração do tetra em 1994.

Partimos agora para o início do reinado de Cafu em Copas do Mundo.

Preparação

Antes de falar da Copa propriamente, temos que destacar que Cafu também fez parte do grupo brasileiro nas Eliminatórias, fase em que o Brasil passou por certa dificuldade e precisou muito da ajuda do baixinho Romário. A nossa seleção chegou à última rodada dependendo de uma vitória para a classificação direta para o Mundial. Com uma bela atuação do Baixo, marcando dois gols diante do Uruguai, veio o alívio por ter chegado ao objetivo.

Mas pouco antes de começar a Copa, o Brasil enfrentou Honduras como preparação. O resultado foi mais do que esperado: uma goleada história, por 8×2. O jogo realmente se faz importante e necessário de ser citado porque foi nessa partida que Cafu marcou seu primeiro gol com a camisa canarinho.

A Copa

Apesar de encerrar de forma desgostosa, Cafu começou muito bem sua história em Copas do Mundo. Reserva de Jorginho, participaria de três partidas do campeonato, todas entrando no segundo tempo.

Não jogou durante a fase de grupos, quando o Brasil enfrentou, no Grupo B, RÚSSIA (2×0 – Romário e Raí), CAMARÕES (3×0 – Romário, Marcio Santos e Bebeto) e SUÉCIA (1×1 – Romário).

Sua primeira partida foi diante dos ESTADOS UNIDOS, o país sede, nas oitavas de final. Naquele dia 04 de Julho, dia da Independência dos EUA, na cidade de Stanford, foi a nossa seleção que comemorou, com 1×0 de Bebeto. Cafu entrou aos 68 minutos e pouco contribuiu.

Voltaria a entrar em campo no jogo seguinte, mas somente aos 90 minutos, participando somente dos acréscimos. A partida, realizada em Dallas, diante da forte HOLANDA, no dia 09 de Julho, acabou em 3×2, com Romário, Bebeto e Branco marcando para o Brasil. O terceiro gol, aliás, foi uma magnífica cobrança de falta, que deu a passagem para as semifinais, o que não acontecia desde o tricampeonato no México, em 1970.

Após encontrarem a mesma SUÉCIA da fase de grupos e vencerem por 1×0 (gol de Romário), o Brasil acabaria tendo, na final, a mesma seleção daquele ano no México: a ITÁLIA!

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Foto: Reprodução – Cafu e seus companheiros de seleção em 1994.

Cafu acreditava que sua participação acabara, e restava torcer do banco para que o Brasil erguesse a taça.  No entanto, com a lesão de Jorginho aos 22 minutos, o lateral foi chamado por Parreira para substituir o titular. Ele ainda não sabia, mas esta seria a primeira final de Copa do Mundo que disputaria, e o início de mais um recorde para sua carreira internacional.

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Foto: Agência Estado – Cafu ao lado de Romário.

Cafu mostrou-se confiante no que precisou fazer, segurando o ataque italiano. Ajudou na marcação, sobretudo no combate a Berti e Benarrivo. Mostrou-se eficaz também no apoio, conseguindo vários cruzamentos, não aproveitados pelos atacantes. O jogo terminou 0x0 mesmo depois da prorrogação, levando a decisão para as penalidades, a primeira na história a ser decidida de tal forma. Cafu não tomou parte neste momento. Com as conversões de Romário, Branco e Dunga (Marcio Santos perdeu a primeira cobrança), além de Taffarel ter defendido a de Massaro e Roberto Baggio ter chutado pra fora, o jogador, que entrara na partida apenas por conta da lesão de seu companheiro, pode comemorar o título dentro de campo.

 

OUTROS TORNEIROS

Devemos ainda ressaltar, mesmo que brevemente, as outras competições pelas quais Cafu defendeu a Seleção. Entre Copas América e Copas das Confederações foram seis torneiros, sagrando-se campeão em três deles e vice em outros dois:

  • Copa América de 1991 – vice-campeão;
  • Copa América de 1993 – apenas uma participação discreta;
  • Torneio da França (prelúdio da Copa das Confederações) de 1997 – vice-campeão;
  • Copa América de 1997 – primeiro título como titular da seleção brasileira;
  • Copa das Confederações de 1997 – novamente campeão;
  • Copa América de 1999 – bicampeão continental.
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Foto: Reprodução – Campeões da Copa América de 1999.

Cafu sempre se mostrou um líder. Sua calma, disciplina e dedicação sempre foram exemplos para outros jogadores. Tanto que Maicon, o primeiro a substituir o ídolo como titular depois da saída da seleção, recebeu várias críticas. Teve que ouvir o clamor pelo seu antecessor em uma partida que disputou. E ainda completou, depois de ter feito bom jogo:

“Não tinha no começo um lateral para substituí-lo, mas agora ficamos felizes em receber elogios”.

E todos acreditavam que ali haveria um novo Cafu, ou pelo menos alguém para tratar a camisa 2 da seleção com a mesma veneração e cuidado.

COPA DO MUNDO DE 1998

Convocados: 1 Taffarel; 2 Cafu; 3 Aldair; 4 Júnior Baiano‎; 5 César Sampaio; 6 Roberto Carlos; 7 Giovanni; 8 Dunga; 9 Ronaldo; 10 Rivaldo; 11 Emerson; 12 Carlos Germano; 13 Zé Carlos; 14 Gonçalves; 15 André Cruz; 16 Zé Roberto; 17 Doriva; 18 Leonardo; 19 Denílson; 20 Bebeto; 21 Edmundo; 22 Dida; Treinador: Zagallo

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Foto: Reprodução – Formação na estreia da copa de 1998.

Mas passemos novamente para as Copas.

O Brasil, como era o atual campeão, não precisou disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1998, focando sua preparação somente em amistosos. O treinador era Zagallo, auxiliar de Parreira em 1994, campeão como jogador em 1958 e 62 e como treinador em 1970 (história para mais adiante!).

Cafu jogou quase todas as partidas amigáveis no período entre as Copas, além dos já citados torneios de 1997. Aliás, ainda em 97, Cafu disputou nada menos que 20 partidas com a camisa amarela, quase duas por mês.

Enfim, a Copa do Mundo seria disputada na França. O Brasil era franco favorito ao bicampeonato. Uma seleção segura, que demonstrava confiança e tinha entre seus atletas jogadores de renome e popularidade, como o próprio Cafu, Roberto Carlos, Dunga, Ronaldo e Romário.

Mas antes mesmo da primeira partida pelo grupo A, que tinha ainda Escócia, Marrocos e Noruega, o Brasil sofreu um revés que prejudicaria a campanha: em meio a alguns cortes de jogadores por lesão, Romário, herói em 94, também foi sacado pelo técnico Zagallo, apoiado pelo então médico Lídio Toledo, em uma polêmica discutida até hoje.

Sem poder contar então com uma das principais estrelas, restava ao grupo se unir e provar que o favoritismo não era por menos. Iria contra a descrença da torcida, efusiva ao criticar o treinador. “Vocês vão ter que me engolir!”, dizia o Velho Lobo.

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Foto: Reprodução – Capa de revista comemorando o bom futebol de Cafu em 1998.

E foi assim que ultrapassou a fase de grupos.

O jogo contra a ESCÓCIA, na abertura da Copa, no dia 10 de junho, foi um alívio. Já no segundo tempo, quando a partida estava 1×1 (gol de Cesar Sampaio), em um jogo truncado, Cafu foi o principal destaque, fazendo uma partida de muita qualidade. Em um lançamento de Dunga, o lateral apareceu na área e tocou na bola, que bateu no goleiro e voltou no zagueiro Boyd, para depois morrer no fundo do gol. Vitória brasileira no Stade de France por 2×1, para 80 mil pessoas.

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Foto: Reprodução – Lance que resultou no gol brasileiro contra a Escócia.

As outras duas partidas foram bem adversas.

Contra o MARROCOS, seis dias depois, no Stade de la Beaujoire, em Nantes, com mais de 35 mil espectadores, o Brasil fez logo 3×0 (Ronaldo, Rivaldo e Bebeto). Cafu promoveu um lindo lance pela direita driblando seus adversários e só foi parado com falta. Também deu assistência para o segundo gol, cruzando para Rivaldo marcar. Apesar do domínio canarinho, o jogo foi bastante nervoso, com o capitão Dunga discutindo com seus colegas mais de uma vez. Cafu apareceu para apartar uma das discussões entre o camisa 8 e Bebeto.

E por muito pode se dizer que aquele nervosismo da partida passada prejudicou a equipe no terceiro jogo. Quando já classificada, enfrentou a NORUEGA no dia 23, tendo no Stade Vélodrome, em Marselha, 55 mil torcedores. O Brasil acabou perdendo por 2×1 de virada (Bebeto marcou para o Brasil).

A seleção, apesar da derrota, terminou em primeiro do seu grupo, tendo por adversário o CHILE de Marcelo Salas e Ivan Zamorano. Um clássico sul-americano nas oitavas de final.

Foi um excelente jogo do comandado brasileiro, agora com os ânimos mais calmos e podendo finalmente demonstrar toda a sua força e confiança. Goleou, por 4×1 (Cesar Sampaio e Ronaldo marcaram duas vezes cada). Cafu compareceu mais uma vez com bons cruzamentos, mas perdeu uma boa chance num contra-ataque, em um passe de Junior Baiano.

Nas quartas de final, o chaveamento colocou a DINAMARCA frente ao Brasil, novamente no Stade de la Beaujoire. Era o dia 03 de julho. A “Dinamáquina”, como ficou apelidada, tinha em sua formação o excelente goleiro Schmeichel e os irmãos Brian e Michael Laudrup. Um time perigoso e organizado, que fez o Brasil sofrer para ganhar. E ganhou, por 3×2 (Bebeto e Rivaldo duas vezes). Nesta partida, Cafu levaria o segundo cartão amarelo da competição (por fazer “cera” ao cobrar uma falta) e ficou fora da próxima fase.

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Foto: Reprodução – Forma inusitada de Brian Laudrup comemorar gol contra o Brasil.

Resta dizer que a semifinal foi muito emocionante, já que Brasil e HOLANDA levaram a disputa para os pênaltis. Zé Carlos foi o substituto do nosso titular absoluto. No tempo normal, em 07 de julho, no Stade Vélodrome, outra vez em Marselha, a partida terminou em 1×1. Com a prorrogação sem gols, restava apenas confiar em Taffarel, que um dia defendeu uma cobrança de penalidade em final de Copa. E o camisa 1 foi herói, pegando as batidas de Cocu e Ronald de Boer. Ronaldo, Rivaldo, Emerson e Dunga converteram para o Brasil e colocaram a seleção na final diante dos donos da casa: a França, que eliminaria o Brasil em 2006.

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Foto: Reprodução – Cafu contra Lizarazu, na finald e 1998.

Foi uma final para esquecer. O pior jogo da seleção brasileira. Nenhum destaque positivo que mereça citação. 3×0 para a FRANÇA, com dois de Zidane (ele, nosso primeiro Rei de Copas novamente!) e um de Petit, dando aos anfitriões sua primeira Copa do Mundo. Nem é preciso dizer que o jogo foi recheado de polêmicas, mas já estava feito e o Brasil era somente vice. Contudo, foi um bom resultado, considerando os problemas antes da competição.

Restou a Cafu “comemorar” sua segunda final seguida. Era mais um passo para o recorde.

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Foto: Reprodução – Desânimo ao perder a final de 1998.

COPA DO MUNDO DE 2002

Convocados: 1 Marcos; 2 Cafu; 3 Lúcio; 4 Roque Júnior; 5 Edmílson; 6 Roberto Carlos; 7 Ricardinho; 8 Gilberto Silva; 9 Ronaldo; 10 Rivaldo; 11 Ronaldinho; 12 Dida; 13 Belletti; 14 Ânderson Polga; 15 Kléberson; 16 Júnior; 17 Denílson; 18 Vampeta; 19 Juninho Paulista; 20 Edílson; 21 Luizão; 22 Rogério Ceni; 23 Kaká; Treinador: Scolari

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Foto: Reprodução – Cafu chamou todos para a foto oficial da final da Copa do Mundo de 2002.

Preparação

Com sede compartilhada entre Coreia do Sul e Japão, a Copa de 2002 foi a mais importante para nosso Rei de Copas, sem sombra de dúvidas. Com a braçadeira de capitão, liderou o Brasil, participando de todos os jogos.

Inicialmente, o escolhido do treinador Luiz Felipe Scolari para usar a braçadeira de capitão seria o volante Emerson. No entanto, assim como a lesão de um jogador colocou Cafu na final em 1994, ela o ajudou a capitanear a seleção que tanto amava.

O Brasil foi sorteado no Grupo C, com Turquia, China e Costa Rica. Mas antes de falar da Copa do Mundo, precisamos dizer que Cafu esteve presente em 10 partidas entre as 18 realizadas nas Eliminatórias. A classificação, assim como em 1994, foi complicada para a nossa seleção, que chegou à última rodada precisando da vitória para não passar pela repescagem. Não tinha Romário – apesar do apelo desesperado de torcida e mídia – mas contou com a boa fase de Luizão, que foi muito bem diante da Venezuela. O atacante marcou dois dos 3×0 da partida.

O Brasil podia rumar ao Oriente para disputar mais uma Copa.

Fase de grupos

A primeira partida, no dia 03 de junho, foi diante da TURQUIA. Como todo jogo de estreia, o Brasil mostrou-se nervoso, o que culminou no primeiro gol adversário. Hakan Sas foi quem marcou, já no final do primeiro tempo (47 minutos). Na volta do intervalo, depois da intervenção do treinador Felipão, o time demonstrou mais vontade, e logo conseguiu o empate. Ronaldo, aos 5 minutos, recebeu cruzamento da esquerda, feito por Rivaldo. A virada veio no fim da partida. O atacante Luisão caiu na entrada da área, mas o árbitro erroneamente marcou pênalti. Rivaldo cobrou e garantiu a virada brasileira. Foi o que mais de 33 mil pessoas viram no estádio Munsu Cup, em Ulsan.

A segunda partida foi diante da estreante CHINA. Uma seleção fraca futebolisticamente. No dia 08 de junho, desta vez no estádio Jeju World Cup, em Seogwipo, o Brasil cumpriu seu dever e fez 4×0, com os quatro “Erres” marcando (Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo). Apesar de não ter feito gol, Cafu foi um dos melhores jogadores da partida. O segundo tento brasileiro originou-se de um cruzamento seu. Ronaldinho aproveitou o lance e mandou para o meio da área, para a finalização de Rivaldo. Já no quarto, entrou driblando na área e, da linha de fundo, cruzou para Ronaldo encerrar a goleada. Um show do capitão para 36.750 mil pessoas!

A COSTA RICA era o adversário para fechar a fase de grupos. Diante de pouco mais de 38 mil espectadores, a seleção centro-americana precisava vencer para sonhar em avançar à fase de mata-matas. O Brasil mostrou sua força incapacitando o adversário, mesmo diante da opção do treinador brasileiro em poupar alguns titulares. 5×2 foi o placar final (Ronaldo duas vezes, Edmilson, Rivaldo, Junior). Cafu fez uma partida discreta. Assim, vale o destaque para o belíssimo gol de Edmilson, de bicicleta.

A fase de grupos ficou para trás e o Brasil de Cafu se viu nas oitavas de final, deixando a Coreia do Sul pelo caminho. Pelo chaveamento, a BÉLGICA seria a adversária. E foi um jogo de muitas oportunidades desperdiçadas, diante de uma seleção forte defensivamente. A partida foi disputada no Estádio Kobe Wing, em Kobe, no Japão. Mais de 40 mil pessoas testemunharam a partida no dia 17 de junho.

A Bélgica também teve boas chances, inclusive um gol anulado aos 35 minutos. No fim, a seleção canarinho venceu por 2×0 (Rivaldo e Ronaldo). Cafu teve certa participação no resultado, principalmente roubando a bola para que Kléberson seguisse ao ataque e tocasse para Ronaldo decidir.

A INGLATERRA já estavam classificados e assim aguardavam seu adversário da outra disputa. O Brasil enfrentaria a seleção do craque David Beckham nas quartas de final. Para isso, se dirigiu a Fukuroi, no Estádio Shizuoka Ecopa, em 21 de junho. Depois da falha de Lúcio, Owen marcou o primeiro gol da partida. No entanto, este jogo seria decidido por Ronaldinho Gaúcho.

O empate saiu dos pés do Mágico, que roubou uma bola no meio e seguiu com a bola até a área, tocando para Rivaldo marcar ainda no primeiro tempo. Mas o grande momento foi a falta batida pelo craque da camisa 11. Há dúvidas até hoje se foi proposital ou não aquela bola no ângulo aos 5 minutos de segundo tempo. Não importa. O jogo estava ganho e o Brasil voltava a jogar uma semifinal de Copa do Mundo.

O Cafu já vinha me alertando que o goleiro deles jogava adiantado. Eu chutei no gol e fui feliz. – Ronaldinho

Em Saitama, no Saitama Stadium, o Brasil se viu diante de uma TURQUIA forte na marcação, tendo no goleiro Reçber Rüstü seu principal jogador. O Brasil não teria Ronaldinho, expulso no jogo anterior.

Só restava este jogo para que Cafu entrasse de vez na história e disputasse sua terceira final de Copa seguida, uma façanha jamais alcançada.

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Foto: Reprodução – Imagem inesquecível de Denílson correndo contra os marcadores turcos.

E o capitão, com vontade de atingir logo a marca, chutou cruzado depois do passe de Ronaldo, aos 20 minutos. O goleiro, que nada tem a ver com o recorde do jogador brasileiro, defendeu e conseguiu mandar pra fora. E esta seria a toada da partida, com o ataque verde e amarelo sendo parado pela muralha vermelha.  O placar só sairia do zero no início do segundo tempo, com Ronaldo recebendo de Gilberto Silva e chutando de bico, tirando Rüstü do lance.

Mas foi só. O goleiro insistiu em manter a boa forma, além das chances desperdiçadas pelos homens de Scolari. Em um lance, Edilson deixou de tocar para Cafu, que chegava sozinho, em lance nítido para marcar, aos 12 minutos do segundo tempo. Poderia ter sido o gol que faltava ao nosso Rei de Copas nos Mundiais.

Mas não tinha o que reclamar, já que podia comemorar a ida à final pela terceira vez seguida!

E a final foi inédita. No Estádio Internacional de Yokohama, quase 70 mil pessoas ansiaram ver a seleção que levantaria a taça. O Brasil enfrentou a ALEMANHA, que um dia teve Beckenbauer, Rummenigge e Gerd Müller. Nesta época, o grande jogador do time era Michael Ballack, mas ele ficou fora da decisão por suspensão. A seleção germânica, no entanto, podia contar com Oliver Kahn, goleiro que seria eleito o craque da Copa do Mundo.

 

Mesmo com algumas boas chances do lado do time europeu, é seguro dizer que o Brasil dominou completamente a partida. Muitas oportunidades falhas, assim como havia acontecido diante da Turquia. No final do primeiro tempo, em uma das melhores chances, Cafu encaixou uma bola pelo meio até Kléberson, que desperdiçou o lance ao chutar sobre o goleiro. Ainda teve outra oportunidade, do mesmo Kléberson, que acabou no travessão.

E na trave foi também o chute de Neuville, no inicio da segunda etapa. A Alemanha veio mais decidida e por pouco não assumiu a liderança do placar. Pode parecer estranho, até hilário, mas o primeiro gol brasileiro teve inicio em um lance com Cafu. Aos 21 minutos, o jogador bateu o lateral na intermediária brasileira para Gilberto Silva. O volante tocou para Ronaldo. Depois de ter perdido e retomado a posse da bola, o camisa 9 tocou para Rivaldo, que chutou. Kahn não segurou e o mesmo Ronaldo aproveitou o rebote para marcar. O Brasil colocava uma mão na taça.

Ronaldo marcaria novamente aos 34 do segundo tempo, colocando agora as duas mãos no troféu. O Brasil sagrava-se Pentacampeão Mundial de Futebol.

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Foto: Reprodução – o capitão ergue a taça.

Um sonho para uma equipe desacreditada, criticada por muitos, mas unida diante de um objetivo nobre. Foi assim que Cafu assumiu seu lugar entre as grandes lendas do esporte, cravando seu nome no seleto grupo de homens que um dia ergueram a taça da Copa do Mundo.

LEGADO

Fontes divergem em relação ao número de jogos pela seleção. Algumas dizem que foram 142 partidas. Outras afirmam ter sido 149 jogos. Indiferente a isso, é o jogador que mais vezes vestiu a camisa amarela. Mais um recorde para Cafu, que marcou apenas cinco gols, nenhum deles em Copas do Mundo. Apesar de modestos prêmios individuais, figurou na lista FIFA 100, elaborada pela entidade e por Pelé, sendo um dos Maiores Jogadores de Todos os Tempos entre os atletas ainda vivos. Hoje, a torcida chora a falta deste jogador. O número 2, que carregou por dezesseis anos, não tem um substituto à altura há algum tempo.

Entrevista para (webradioseliga.com): 

Cafu participa atualmente de eventos sobre o futebol, propagando o esporte que tanto gosta sem jamais esquecer a pátria que tanto ama e que muitas vezes defendeu. Será sempre lembrado por todos os Doentes por Futebol do mundo como o maior lateral direto de todos os tempos.

“Se você for analisar, o Cafu tem uma trajetória até maior do que a do Pelé aqui. Por ser um defensor, no entanto, ele é menos lembrado.” – Roberto Carlos

Cafu e copa do mundo

Foto: Reprodução – Quatro Copas do Mundo, três finais, duas vezes campeoão, uma como capitão. Esse é Cafu!

 

Colaboração de José Eduardo Volpini, Felippe Garcia e Alexandre Reis.

Comentários

Natural de Belo Horizonte. Torcedor do Cruzeiro e da Juventus. Um Doente por Futebol. Desde pequeno um apreciador do esporte mais popular do mundo, preferindo mais em acompanhar do que jogar (principalmente por não ter talento algum com a bola).