O Retorno de Zico aos campos

  • por Igor Leal da Fonseca
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No próximo domingo, Zico completará 60 anos. Para homenageá-lo, a DPF relembra uma das partidas que mais marcaram sua carreira: a vitória sobre o Flu, por 4×1, no dia de sua volta aos gramados.

Em 1985, após 2 anos na Itália, Zico retornou ao Flamengo. Logo no segundo jogo oficial, na 2ª rodada da Taça Guanabara, sofreu a entrada criminosa que o tirou dos campos por longos 6 meses. Enfraquecido e sem um líder, o Flamengo pouco fez para tentar impedir o tricampeonato estadual do Fluminense de Washington e Assis.


No começo de 1986, após quase 6 meses fora dos gramados, Zico fez seu retorno em amistosos de pré-temporada. Jogou em 2 dos 3 jogos (inclusive fazendo um gol contra a Seleção do Iraque) e viu o time perder para a Fiorentina, na Itália, em amistoso como parte do pagamento do passe de Sócrates, que voltava ao Brasil.

O Flamengo tinha uma base formada por jogadores já experientes e respeitados (Leandro, Sócrates, Zico, Andrade, Mozer), além de 2 garotos muito bons de bola: Jorginho e Bebeto. Era questão de honra impedir o tetracampeonato estadual do Fluminense. A tabela já mostrava Fla x Flu na 1ª rodada da Taça Guanabara.


Logo que o Flamengo entrou em campo, uma grande parte dos 84.303 pagantes gritou “bichado, bichado, bichado, bichado” para aquele que 10 anos antes tinha anotado 4 gols em uma vitória de 4×1 sobre a Máquina Tricolor. A outra parte, em maioria, desfez-se em homenagens ao seu maior ídolo.

Rolou a bola e o Flamengo abriu os trabalhos. Zico tentou uma passe para Bebeto, a bola foi mal cortada pela defesa do Flu e caiu nos pés de Adílio, que cruzou na cabeça do Galinho. Flamengo 1×0 no placar. Ironicamente, a Torcida do Flamengo cantava: “Bichado, bichado, bichado.”

Logo depois, falta para o Flamengo. Para o time, naqueles tempos, era “o camisa 10 da Gávea” na bola. Zico carimbou o travessão de um inerte Paulo Victor. Tudo indicava que era (mais uma) tarde de show no Maracanã e nem um gol de Leomir de pênalti – aos 44 do primeiro tempo, igualando para o Fluminense – diminuiria essa certeza.

No segundo tempo, o Flamengo perdeu boas oportunidades de passar à frente no placar, inclusive em uma chance criada após passe antológico de Zico para Adalberto. Seguiram-se outras chances para o Flamengo, até que novamente uma falta na entrada da área foi assinalada a favor do rubro negro. Era bem pelo lado esquerdo do ataque e Zico estava na bola. Na cobrança, a mesma foi executada daquele jeito que virou marca: contra pé do goleiro, no ângulo, sem qualquer chance de defesa para Paulo Victor. 

Zico seguia dando espetáculo e fazia apenas a bola correr, como que com pena dos jogadores tricolores, que nada tinham a ver com as provocações de sua torcida ao Galinho.

Em rápida escapada pela direita, nas costas de Branco, Adílio achou Bebeto, que encheu o pé para fazer 3×1 no placar. A torcida do Flamengo, feliz da vida, cantava e fazia festa nas arquibancadas do Maracanã. Mas ainda faltava algo para a tarde ficar completa.

E o algo aconteceu: em pênalti marcado a favor do Flamengo, Zico fez o seu 3º gol e deu números finais ao placar: Flamengo 4×1 Fluminense.

Ensandecida, mas ao mesmo tempo grata e emocionada, a torcida do Flamengo cantou “Recordar é viver, o Zico acabou com você” por longos 10 minutos. Ao fim do jogo, talvez pelas dores, talvez pela emoção da volta, Zico chorou por vários minutos.

 

Fluminense 1×4 Flamengo

Local: Maracanã
Juiz: Luis Carlos Félix
Renda: Cr$ 2.349.345.000,00
Público: 84.303
Gols: Zico 10’, Leomir (pênalti) 43’, Zico 72’, Bebeto 75’ e Zico 79’
Cartões amarelos: Ricardo, Jandir e Leomir

Fluminense: Paulo Vitor, Alexandre Torres (Renato), Viça, Ricardo e Branco; Jandir, Leomir e Renê; Romerito, Gallo (Édson) e Tato. Técnico: Nelsinho

Flamengo: Cantarele, Jorginho, Leandro, Mozer e Adalberto; Andrade, Sócrates e Zico; Bebeto, Chiquinho e Adílio. Técnico: Sebastião Lazaroni

 

 

Jogo na íntegra

Colaborou: Bráulio Silva de Fátima

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33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

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