Especial Liga dos Campeões da Oceania: A história – parte 1 (1987 a 2006)

1987

Adelaide City

A disputa entre clubes mais importante do continente começou em 1987. O torneio, patrocinado pela Qantas, e por isso chamado também de Qantas Pacific Champion’s Cup (Copa dos Campeões do Pacífico), foi realizado entre 06 e 15 de março, em Adelaide.

Sete equipes disputaram a primeira fase, representando suas nações: Ba (Fiji), Rangers Honiara (Ilhas Salomão), Tafea (Vanuatu), Sant-Louis (Nova Caledônia), Guria (Papua Nova Guiné), Jeunes Tahitiens (Taiti) e Van Koror (Palau).O Ba venceu o Rangers Honiara por 3×0 e se credenciou para a disputa da semifinal contra o University-Mount Wellington, da Nova Zelândia. O Confronto foi 6×1 para os neozelandeses, que assim se classificaram para a final contra o Adelaide City, que só jogaria esse jogo no campeonato.

Em Adelaide, no Hindmarsh Stadium,  o time da casa abriu o placar com gol de Joe Mullen, aos 15 minutos de jogo. Cerca de 5 minutos depois, Dave Witteveen empatou a partida, que terminou mesmo 1×1. Após a prorrogação, o Adelaide City venceu por 4×1 nos pênaltis, e sagraram-se campeões do torneio.

Houve ainda a disputa, no mesmo ano, de uma Recopa (pelos campeões das copas nacionais), com o Sydney City vencendo o North Shore United por 2×0 em Auckland.

A primeira edição com caráter realmente continental e organizada pela OFC aconteceu em 1999, servindo como seletiva para o 1º Mundial de Clubes com a chancela da FIFA, que reuniria também o campeão da Oceania.

Da mesma forma, nos anos seguintes o principal atrativo do campeonato foi a vaga no mundial. Tanto que, nos anos em que não haveria mundial, simplesmente não houve o campeonato continental.

Contaremos a seguir a história das quatro edições que valeram vaga no mundial ainda sem o nome de Liga dos Campeões da Oceania.


1999

southlogo


Em 1999 a Copa dos Campeões da Oceania foi disputada em Fiji, por nove clubes, incluindo verdadeiros sacos de pancada, como o Konica, de Samoa Americana (2×14 e 0x10 nos 2 jogos disputados), o Kiwi Club de Samoa (0x13 e 1×14) e o Lotoha’apai, de Tonga (0x10 e 0x16).


O Nadi, jogando em casa, foi a grande surpresa e eliminou o Central United (NZL) na semifinal, com gol de falta de Marika Namaqa. Na outra semifinal o South Melbourne, da Austrália, bateu o Vênus, da Polinésia Francesa, por 3×0.


Na final 10.000 pessoas compareceram ao jogo, disputado sob forte chuva no estádio Prince Charles Park. Quem marcou o primeiro gol é uma incógnita. O site Nadi, em relato do jogo, diz que o gol foi de Fausto de Amicis, em um voleio forte que ainda tocou na trave antes de balançar as redes. A maioria das fontes da internet, porém, diz que o gol teria sido marcado por Steve Isoifidis aos 8 minutos de jogo.


De cabeça, David Clarkson fez o segundo minutos depois. No segundo tempo, mais três gols para os australianos: Curcija, Coveny e Panopoulos fizeram 5×0. Voli ainda descontou para o time da casa no final, mas os australianos confirmaram o favoritismo e se sagraram campeões.
Vênus (Polinésia Francesa), Tafea (Vanuatu) e Malaita Eagles (Ilhas Salomão) também fizeram boas campanhas. O time das Ilhas Salomão, por exemplo, foi derrotado pelo campeão por apenas 2×1 na primeira fase, e estava vencendo até os minutos finais.


Curiosidades da edição:


– O primeiro tempo do jogo entre Central United e Lotoha’apai foi 12×0 para os neozelandeses, que claramente diminuíram seus esforços no segundo tempo, quando fizeram “apenas” quatro gols. O goleiro Ross Nicholson marcou, de pênalti, um dos gols do jogo. Foram três penais para o time.

– A partida entre Tafea e Central United, na primeira fase, foi uma verdadeira guerra. O goleiro neozelandês Ross Nicholson levou uma cotovelada na cara e três jogadores foram expulsos, sendo dois vanuatuenses. Um relato da guerra e das reclamações neozelandesas com relação ao torneio pode ser lido em http://sitter-nz.tripod.com/1999/iss39-2.htm. Na crônica há ainda a história da mudança “forçada” de hotel que o jogador Paulo Urlovic teve que fazer, com medo de retaliação por ter brigado com um jogador do time de Vanuatu.

– Depois do jogo, o vice-presidente da OFC, o vanuatuense Johnny Tinsley Lulu, queria que o jogo fosse repetido, alegando que a decisão do árbitro taitiano de anular um terceiro gol do clube de Vanuatu, quando o jogo estava 2×2, foi ilegal. Quando a anulação foi recusada, Lulu simplesmente entregou o cargo.

Lulu fez a maior confusão em 1999

Lulu fez a maior confusão em 1999


– Após a partida contra o Nadi, quando perdeu a vaga na final, o treinador neozelandês Ricki Herbert reclamou bastante da condição física de seus jogadores relacionados, após a batalha de dois dias antes. Citou o exemplo de Mark Elrick e Michael Ridenton, que necessitaram de analgésicos, e Greg Uhlmann, que necessitou de injeções para ter condições de jogo. O time ainda jogou sem dois de seus melhores jogadores: Paul Urlovic, que estava suspenso devido à expulsão no jogo anterior, e Fred de Jong, que ficara em Auckland esperando o nascimento de seu filho.

– Devido ao número de machucados, a decisão de terceiro lugar, que envolveria o Central United, foi cancelada.

2001

Wollongong

Em 2001, a OFC realizou mais uma edição do torneio, que daria vaga ao Mundial de Clubes daquele ano (depois cancelado). 11 equipes representaram suas nações em Port Moresby, Papua Nova Guiné.

Apesar de reclamações de australianos e neozelandeses com relação à escolha da sede, os papuásios gastaram cerca de 24.000 kinas (um kina equivale, hoje, a 0,4625 dólar americano) para melhorar gramado e iluminação de seu estádio (todas as partidas foram realizadas no Lloyd Robson Stadium) para a realização do torneio.

Dois grupos foram disputados. No grupo A, com seis equipes, Wollongong Wolves, da Austrália, e Napier City Rovers, da Nova Zelândia, classificaram-se para a segunda fase. O Laugu United, das Ilhas Salomão, teve a mesma pontuação dos neozelandeses (10 pontos), mas perdeu a vaga nas semifinais nos critérios de desempate. O Unitech, time da casa, terminou apenas na quarta colocação do grupo, que teve ainda Foodtown Warriors Labasa (Fiji) e Lotoha’apai (Tonga).

No grupo B, Tafea e Vênus avançaram, eliminado equipes de Samoa, Samoa Americana e Ilhas Cook. O PanSa, da Samoa Americana, vinha bem, com uma vitória e um empate, mas foi penalizado pela escalação irregular de 7 jogadores.

Nas semifinais, o Wollongong Rovers venceu o Vênus por 4×2 após abrir 4×0 e o Tafea fez 4×2 no Napier City Rovers. Na decisão de terceiro lugar, os neozelandeses bateram o clube da Polinésia Francesa por 3×2, com um gol a 4 minutos do final.

Na grande decisão, os australianos do Wollongong suaram para vencer o Tafea por 1-0, com gol de Scott Chipperfield aos 17 minutos do segundo tempo. O artilheiro do time australiano, Saso Petrovski, que marcara 13 gols no torneio, não pôde jogar a final, com lesão na virilha.

Petrovski, em foto de 2008.

Curiosidades da edição:


– Houve um jogo amistoso entre a primeira fase e as semifinais: combinado Tonga/Samoa Americana x celebridades de Papua Nova Guiné.

– Caso houvesse algum problema com o estádio, partidas poderiam ser transferidas para os campos da Port Moresby International School.

– No sábado, 13/01, quando era disputada a primeira fase, um incêndio devido a uma sobrecarga aconteceu na sede do clube/estádio.

– Saso Petrovski fez 7 gols na goleada dos campeões sobre o Lotoha’apai, de Tonga (16×0), na primeira fase. Scott Chipperfield e Jay Lucas fizeram hat-tricks. O Goleiro Daniel Beltrame também marcou o seu, após rebote de pênalti batido.

Beltrame em foto de 2009

Beltrame em foto de 2009


– Mesmo com as melhorias na iluminação do estádio as partidas foram iniciadas sempre mais cedo que o previsto, para prevenir problemas com a luz.

– A primeira partida do torneio demorou cerca de 10 minutos para começar por um motivo inusitado: não havia bandeirinhas na marca de escanteio.

– Algumas fontes afirmam que toda seleção de Vanuatu jogou pelo Tafea, e os clubes que cederam seus jogadores seriam recompensados com parte do dinheiro dado pela FIFA caso o time chegasse ao título.

– Alvin Ceccoli, que jogou pelos campeões, afirmou, na véspera da edição de 2005, que em PNG os jogadores de seu time ficaram confinados no hotel. Segundo ele, era como uma prisão, as paredes tinham 3 metros de altura e os guardas não deixavam os jogadores saírem do confinamento.

– Na Austrália, o torneio não era tratado como o campeonato de clubes da Oceania, mas como as eliminatórias para o mundial de clubes, mais precisamente “World Club Championship Oceania Qualifying Tournament” (Torneio Qualificatório da Oceania para o Campeonato Mundial de Clubes).

– O calor era tão grande que alguns jogadores perdiam o jogo seguinte por causa de desidratação da partida anterior.

2005

Sydney FC

Quatro anos após a última edição, a OFC voltou a organizar o torneio, já que o Mundial de Clubes da FIFA seria novamente realizado, depois de cinco anos. A competição foi disputada em Papeete, no Taiti, entre 30 de maio e 10 de junho.

Participaram 13 clubes de 12 países (o Taiti contou com dois representantes) e pela primeira vez uma fase preliminar foi disputada antes da fase de grupos.

Na fase preliminar, havia dois jogos por confronto, ambos no mesmo país. Tafea (Vanuatu) e Makuru (Ilhas Salomão), mesmo jogando fora de casa, passaram fácil, assim como o Sobou (Papua Nova Guiné) , que jogou em casa, e o Auckland City (nova Zelândia), que nem precisou entrar em campo devido á exclusão do Manumea, de Samoa Americana. O AS Magenta (Nova Caledônia) também se classificou, mas seus jogos contra o Nikao Sokattack, das Ilhas Cook, foram realizados em Auckland.

Na fase de grupos, os classificados se juntaram ao Sydney FC e aos taitianos AS Pirae e AS Manu Ura. No grupo A, Sydney e AS Pirae se classificaram, eliminando o neozelandês Auckland City e o Sobou. O grande jogo do grupo foi a vitória do Sydney sobre o Auckland, com um gol de falta de Steve Corica apenas nos acréscimos (3×2). Mesmo perdendo por 6×0 do Sydney, o Pirae se classificou, pois tinha vencido o Auckland (1×0).

Na chave B, o AS Magenta e o Tafea dominaram o grupo, e se classificaram com 7 pontos, eliminando o Makuru (3 pontos) e o AS Manu Ura (nenhum ponto).

Nas semifinais do torneio, realizadas em 07 de junho, o Sydney confirmou o favoritismo e atropelou o Tafea com três gols em cada tempo. O Magenta marcou dois gols nos acréscimos e bateu o Pirae por 4×1. Na decisão do terceiro lugar deu Vanuatu: O Tafea bateu o AS Pirae por 3×1.

Na grande final, para um público de cerca de 4.000 pessoas, vitória do Sydney sobre o surpreendente AS Magenta, da Nova Caledônia: 2×0. O time australiano foi melhor o jogo todo e abriu o placar aos 16 minutos. Em um lançamento na área, o zagueiro do Magenta Jacky Wiako afastou a bola e Matthew Bingley, em um belo “sem-pulo”, marcou seu primeiro gol pelo clube.

Após o Sydney criar outras oportunidades claras de gol mas não conseguir converter, o placar ficou mesmo em 1×0 na etapa inicial. Aos 14 minutos do segundo tempo, cruzamento de Carney encontrou a cabeça de Zdrilic, que fez seu nono gol na competição, terminando como artilheiro. Era o segundo gol dos australianos. Era o último gol do campeonato e o último gol de uma equipe da Austrália, que se filiaria à AFC.


Curiosidades da edição


– A última partida do Auckland City precisou ser adiada porque 12 jogadores do time neozelandês tiveram algum tipo de intoxicação alimentar, deixando apenas alguns atletas aptos a disputar um jogo. Assim, em 05 de junho (um dia depois do previsto), os 6×1 sobre o Sobou encerraram a participação da equipe na competição.

– Essa edição do torneio seria realizada em 2002, nas Ilhas Salomão. Como a FIFA cancelou o Mundial que aconteceria, o torneio também foi cancelado.

– Quatro jogadores do Makuru não participaram da partida contra o Manu Ura, válida pela fase de grupos, devido a questões religiosas.

– Todas as partidas do torneio foram realizadas no Stade Pater, em Pirae, próximo à capital Papeete. Os jogos da terceira rodada do grupo A, disputados em 05 de junho, entre Manu Ura x Tafea e Makuru x Magenta, foram disputados no Stade Afareaitu, localizado na ilha de Moorea, a 30 minutos de barco.

– Os gols da final podem ser vistos em http://www.youtube.com/watch?v=gppm9g-SJT4:

 

2006

Auckland_City

O ano de 2006 marcou a última competição ainda com o nome antigo (OFC Club Championship) e a primeira sem a participação dos clubes australianos, que tinham se afiliado à AFC.

A fase preliminar do torneio, em Fiji, contou com quatro equipes (o PanSa, de Samoa Americana, desistiu). O Nokia Eagles, de Fiji, foi o primeiro do quadrangular com Tuanaimato Breeze (Samoa), Lotoha’apai (Tonga) e Nikao Sokattak (Ilhas Cook).

A fase principal foi disputada em Albany, na Nova Zelândia. Auckland City (9 pontos), Pirae (6 pontos), Marist (3 pontos) e Sobou (0 ponto) participaram da chave A. O jogo entre Auckland e Pirae foi bastante disputado, com os 2 times acabando com 9 jogadores em campo e o placar de 1×0 para os neozelandeses.

Na chave B, mais equilibrada, o YoungHeart Manawatu, da Nova Zelândia, liderava a chave após 2 rodadas, e se classificou ao empatar com o Tafea (3×3) com um gol no último minuto após desvantagem de 3×0. Com o resultado os vanuatuenses ficaram de fora, eliminados nos critérios de desempate pelo Nokia Eagles, que terminou com 4 pontos na chave. O AS Magenta, mesmo com a vitória (1×0), terminou na lanterna do grupo, com 3 pontos.

Nas semifinais, o Auckland City não tomou conhecimento dos fijianos, marcando 8 gols no segundo tempo e virando a partida (9×1). O Pirae se credenciou à final após dois gols relâmpagos, incluindo um a 32 segundos de jogo, resultando na vitória por 2×1 sobre o Y.Manawatu. A equipe neozelandesa goleou os Eagles na decisão de terceiro lugar: 4×0.

Jogadores do Pirae comemoram vitória na semifinal

Jogadores do Pirae comemoram vitória na semifinal

Na final, o Auckland abriu 3×0 e administrou o placar. O Pirae ainda diminuiu a 6 minutos do fim, mas não deu para os taitianos. O primeiro time não australiano a vencer o torneio, como todos os prognósticos sugeriam, era um neozelandês.

Curiosidades da edição

– Não são só os times menores que recrutam atletas para a competição. Nesta temporada, o Auckland trouxe o zagueiro da seleção, Che Bunce, e outros jogadores de clubes adversários para a disputa do torneio: Jason Hayne (Hawke’s Bay United) e os irmãos Graham e Bryan Little (Team Wellington)

– Do prêmio para o campeão (um milhão de dólares), 60% ficou com o Auckland e 30% foram divididos entre as outras sete equipes da primeira divisão local, enquanto 10% foi para a federação neozelandesa.

auckland taca


– Como exemplo da violência das disputas na região, André Sinedo, do Magenta, bateu no juiz australiano Bem Williams após tomar o segundo amarelo na derrota para o Manawatu, na segunda rodada.

– O vice-campeão AS Pirae fez uma preparação especial para o torneio, chegando antes na Nova Zelândia (algo raríssimo na competição) e contratando jogadores da Nova Caledônia, Samoa e Tonga para reforçar (?) seu elenco. O time taitiano tinha 12 jogadores da seleção dentre os 20 convocados para o torneio.

A segunda parte do nosso especial contará a história dos anos de 2007 a 2009.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.