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Especial Liga dos Campeões da Oceania: A história – parte 2 (2007 a 2009)

Na segunda parte do nosso especial sobre a história da Copa dos Campeões da Oceania, trataremos dos anos de 2007 a 2009, quando a competição passou a ter esse nome.

2007

ODD Shark

Waitakere_United

No documento oficial da Liga dos Campeões de 2007, o presidente da OFC na época, Reynald Temarii, afirmou que após a edição anterior era necessário que se mudasse o formato da competição e que não era mais concebível que os jogadores, em sua maioria amadores, ausentassem-se de suas profissões por 10 dias, por exemplo, para disputar a competição em uma sede fixa.

Assim, o formato de jogos de ida e volta, principalmente na final, seria o mais adequado.

A edição de 2006/2007 foi meio esvaziada. Apenas seis equipes, de cinco países, participaram da competição.

No grupo A, Waitakere United e Auckland City chegaram à última rodada com 7 pontos, contra nenhum do Mont-Dore, da Nova Caledônia. Na partida que definiria a vaga, o Waitakere tinha a vantagem no “Super City” por ter um saldo melhor: +8 contra +6 do Auckland.

Em 04 de abril, no estádio Kiwitea Street, do Auckland City, o time da casa abriu o placar com Keryn Jordan, aos 20 minutos de jogo. Daniel Koprivcic virou o jogo para o Waitakare, com gols aos 32 e 35 da etapa inicial. Na segunda etapa, o juiz Rakesh Varmana expulsou Riki Van Steedan e o Auckland não teve mais forças para reagir, marcando o gol de empate já nos acréscimos, outra vez com Jordan.


Com o 2×2, o Waitakare United se classificou para a final, contra o vencedor da chave B, que seria o 4R Electrical Ba, de Fiji.
Os “Homens de Preto” foram superiores ao Temanava (Taiti) e Marist (Ilhas Salomão) e terminaram o grupo com 10 pontos, contra 4 dos taitianos e 3 dos salomoneses. Apesar da diferença de pontos, todos os jogos do grupo foram equilibrados, decididos por no máximo 2 gols de diferença.

Ba

Destaque para o público da partida de abertura do torneio, entre Marist e Ba: 17.000 pessoas compareceram ao estádio Lawson Tama, em Honiara.

Pela primeira vez, jogos de ida e volta decidiriam o campeão do torneio. Na primeira partida, vitória do Ba sobre o Waitakere por 2×1, em um Govind Park com cerca de 10.000 espectadores.

Em 29 de abril, na partida decisiva, no Mount Smart Stadium, em Auckland, o público de cerca de 9.000 pessoas contava com muitos torcedores de Fiji.

No primeiro tempo os fijianos assustaram e obrigaram o goleiro Michael Utting a fazer difíceis defesas. Allan Pearce, de cabeça, marcou o único gol do jogo, aos 10 minutos da etapa complementar, quando a equipe da casa jogava com um atleta a menos, já que o zagueiro George Suri tinha sido expulso quatro minutos antes. No último minuto de jogo Craig Wylie também seria expulso, mas em nada isso modificaria o rumo da partida.

Com o resultado, o Waitakere United sagrou-se campeão, por ter feito um gol a mais fora de casa. O salomonense Commins Menapi, além do título, acabou na artilharia do torneio, com cinco gols. Daniel Koprivcic, da mesma equipe, marcou quatro.

Após o fim do jogo o técnico Yogendra Dutt, do Ba, estava bem desapontado por achar que sua equipe fez um jogo de campeão (tradução livre): “É difícil para nós aceitar a dor de ser derrotado, mas não é o fim da estrada. Na vida devemos aceitar, às vezes, lições dolorosas, e usá-las para seguir adiante. Isso é o que nós vamos fazer.”

Curiosidades da edição

– Destaque total para o público das Ilhas Salomão, que, além de levar 17.000 pessoas ao Lawson Tama na partida entre Marist e Ba, repetiu a dose contra o Temanava, levando 13.000 pessoas.

– A Associação de Futebol de Ba, filiada à Associação de Futebol de Fiji, gastou cerca de $ 206.000 com o time até a partida decisiva. Infelizmente, não havia prêmio nenhum para o vice-campeão.

– A partida entre Ba e Marist, que deveria ser realizada em 29 de janeiro, foi adiada porque a aeronave que levaria a equipe das Ilhas Salomão a Fiji teve um problema técnico. O jogo com o Temanava, que seria três dias depois, também foi adiado.

– O campeão Waitakere United não iria participar da competição, e só entrou devido à desistência do Port Vila Sharks, de Vanuatu. A equipe alegou  que não teria capacidade de apresentar um campo que se enquadrasse nos padrões do torneio.

– A partida entre Ba e Temanava, que aconteceria em 19 de março, foi interrompida após 10 minutos de jogo devido ao alagamento do estádio Govind Park. O jogo foi retomado na noite posterior e vencido por 1×0 pelo time da casa.

– Jogadores de 12 nacionalidades estavam no elenco do campeão, incluindo um brasileiro: Pedro Santos.

2007/2008

Waitakere_United

 

Na edição 2007/2008 do torneio, uma fase preliminar foi realizada na Nova Caledônia, classificando o Tafea (Vanuatu) para a fase de grupos e eliminando Baco, time local e University-Inter (PNG). O Sokattack Nikao, das Ilhas Cook, desistiu.

Na fase de grupos, mais uma vez Waitakere United e Auckland foram colocados no mesmo grupo e duelaram pela vaga na final. Apesar de ter sido melhor nos duelos contra o Manu ura, do Taiti, o Auckland chegou à última rodada com 6 pontos, um a menos que o Waitakere, que, apesar de ter empatado um jogo com os taitianos, tinha vencido o clássico na casa do Auckland: 0x1.

De novo, jogo tenso entre as duas equipes definiu o classificado à final da Liga, e, como no ano anterior, um empate foi suficiente para que o Waitakere chegasse à fase decisiva. Após abrir o placar com Ki-Hyung Lee logo a 3 minutos de jogo, o Auckland não conseguiu segurar o empate e sofreu um gol em cobrança de pênalti polêmica de Allen Pearce, ainda no primeiro tempo. O 1×1 foi suficiente para o United.

Na outra chave, muita emoção. O Ba (3 pontos) recebeu o Kossa (5 pontos), das Ilhas Salomão, precisando de apenas uma vitória para passar à final. O Tafea tinha 5 pontos mas não tinha mais chances.

Na primeira derrota dos fijianos em casa na história da Liga, o Kossa fez 4×2 e se credenciou para a disputa do título.

Na primeira partida da final, apoiado por 20.000 torcedores, o maior público da história do torneio, o Kossa fez 3×1 no Waitakere. Joe Luwi colocou os salomonenses à frente aos 21 e ampliou aos 42 da etapa inicial. Perry diminuiu para o Waitakere no início da segunda etapa, mas Naka, a um minuto do apito final, deu ao Kossa a vantagem que enlouqueceu o público presente ao Lawson Tama Stadium. Pela primeira vez, o título estava bem perto do time das Ilhas Salomão.

Kossa_waitakare

Estava, porque na partida de volta, no Douglas Field, Totori marcou o primeiro para os donos da casa, logo a 8 minutos, e Bale, aos 25, ampliou a vantagem, dando o título, momentaneamente, para a equipe neozelandesa.

Se a esperança dos salomonenses diminuira no primeiro tempo, no segundo ela se acabou com dois gols de Pearce e um de Butler. O Waitakere fazia 5×0 e era bicampeão do torneio.

O artilheiro do campeonato foi Pearce, com 5 gols marcados, seguido de James Naka e Joe Luwi, ambos do Kossa, que fizeram 4 gols.

 

Curiosidades da edição

– O público da primeira partida final foi o maior da história do torneio. Embora oficialmente caibam menos que 20.000 pessoas no Lawson Tama Stadium, a foto abaixo mostra que havia gente literalmente por todo o lado.

lawson tama - kossa

– Benjamin Totori, o jogador que fez o gol que começou a matar o Kossa no jogo de volta, é nascido em Ilhas Salomão.

Totori

– James Naka, que acabou como vice-artilheiro da competição, é mais conhecido pelas suas participações nos mundiais de futebol de areia. Na estreia das Ilhas Salomão em um campeonato desse nível, ele fez 4 gols na vitória sobre Camarões, em 2006. O jogo foi 5×1 para Ilhas Salomão. Em quatro edições disputadas, entre 2006 e 2009, o atacante marcou 17 gols.

2008/2009

Auckland_City

O mesmo filme, mas com um final diferente. Esse foi o resumo do grupo A do torneio, quando o Auckland City venceu o Waitakere United na última rodada, por 3×1, e garantiu vaga na final do torneio. Os neozelandeses somaram 10 pontos, contra 7 do arquirrival e nenhum do Port Vila Sharks, de Vanuatu.

O duelo foi bem violento, com uma expulsão de cada lado logo no primeiro tempo e 10 cartões ao fim. O Auckland marcou seus gols no segundo tempo com Friel (22’), Jordan (30’) e McGeorge (34’). Krishna (38’) ainda diminuiu para o atual bicampeão, que seria eliminado.

No grupo B, mais uma vez o último jogo foi disputado com tudo indefinido. O Hekari United (PNG), com 6 pontos, liderava o grupo e torcia por um empate entre Koloale, de Ilhas Salomão, e Ba, que tinham 4. Sob forte chuva, Nicholas Muri marcou para o Koloale e enlouqueceu o público de 10.000 pessoas presente ao Lawson Tama Stadium, classificando a equipe para a final.

Koloale

Na final, diferentemente do ano anterior, nem sombra de equilíbrio. Apesar das 20.000 pessoas (contagem não-oficial), o Koloale até abriu o placar, mas foi derrotado por 7×2 em casa. No jogo de volta, 2×2 no Kiwitea Street, em Auckland, e o bicampeonato para a equipe neozelandesa.

Keryn Jordan, do Auckland, foi o artilheiro do torneio, com 8 gols.

Taca Auckland

 

Na terceira parte do especial, falaremos sobre os anos de 2010 a 2012.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.