Brasil nos 4 cantos: Maxwell

  • por Paulo Santana Neto
  • 17 Visualizações
Maxwell já atuou por Ajax, Internazionale, Barcelona e PSG.

Maxwell já atuou por Ajax, Internazionale, Barcelona e PSG.

A coluna “Brasil nos 4 cantos” desta semana deixa um pouco a alternatividade do futebol de países como Chipre, Austrália, Polônia e outros, para entrar no glamour da Liga dos Campeões e dos maiores campeonatos nacionais da Europa.

O personagem da vez deixou o Brasil ainda jovem, rumo à Holanda, para depois percorrer outros clubes com maior visibilidade. Não, não estamos falando de Ronaldo e muito menos de Romário. O jogador citado é Maxwell, lateral esquerdo brasileiro que muitas vezes é esquecido pelo público de sua terra, mas que sempre esteve no elenco de grandes equipes, como Barcelona, Internazionale e PSG.

A história de Maxwell é bastante interessante. O jogador, nascido em Cachoeiro de Itapemirim no Espírito Santo, iniciou sua carreira no Cruzeiro de Minas Gerais, em 2000. No ano seguinte, após algumas partidas pela equipe celeste, o lateral assinou um contrato de cinco anos com o Ajax da Holanda.

Em solo holandês, Maxwell obteve destaque como titular da equipe desde a sua chegada, principalmente em 2003/2004, quando foi eleito o futebolista da temporada daquele país. Mesmo após sofrer uma grave lesão em 2005, o lateral esquerdo não deixou de despertar o interesse de outros clubes da Europa. Assim, em janeiro de 2006, Maxwell deu um grande salto na carreira e assinou a sua transferência para a Internazionale de Milão.

No clube italiano, o brasileiro disputou três temporadas, tendo sido campeão italiano em todas elas, além de vencer a Supercopa italiana duas vezes. Durante a sua passagem pela Inter, Maxwell foi titular em boa parte dos jogos, mas nunca de forma absoluta, uma vez que ele participava do rodízio da equipe (algo comum nos times da Europa que acumulam diversas competições no mesmo período). Porém, em 2008, com a chegada de Mourinho, Maxwell foi perdendo espaço no elenco.

Mas nada que preocupasse o brasileiro. Afinal, em julho de 2009, a Inter chegou a um acordo com o Barcelona para a transferência do lateral por 4,5 milhões de euros. Na sua primeira temporada pelo clube, Maxwell ficou a maior parte do tempo como reserva de Abidal, entrando ocasionalmente nos jogos. Somente no período final do Campeonato Espanhol de 2009/2010 que o lateral esquerdo brasileiro foi titular, devido a problemas físicos do jogador francês. Na temporada seguinte, Maxwell continuou atuando regularmente, inclusive na campanha vencedora do Barcelona na Liga dos Campeões.

Já na segunda metade de 2011, o brasileiro era cada vez menos utilizado no time, muito por conta da contratação de outro lateral esquerdo, Adriano, vindo do Sevilla. Só que, novamente, surgiu outro clube europeu interessado em Maxwell. Desta vez foi o PSG, que começava o projeto de se tornar um clube grande em âmbito europeu. O diretor do clube francês, Leonardo, que já tinha trabalho com o brasileiro na Inter, tratou de fechar o contrato de três anos e meio com o jogador.

Desde a sua chegada em Paris, Maxwell é titular da equipe e um dos jogadores mais consistentes do time. O lateral forma a defesa titular do PSG com outros dois brasileiros, os zagueiros Thiago Silva e Alex, e com o francês Jallet, que juntos fazem com que o PSG seja o clube que menos sofreu gol na Ligue 1 desta temporada.

Atualmente, Maxwell está prestes a se tornar campeão nacional em seu quarto país europeu, uma vez que obteve os títulos equivalentes na Holanda, Espanha e Itália. O brasileiro ainda coleciona os troféus da Liga dos Campeões de 2010/2011 e dois Mundiais de Clubes FIFA, quando ainda atuava pelo Barcelona, além de copas nacionais e supercopas por Ajax, Internazionale e, novamente, pelo Barcelona.

Um currículo de muito respeito para um jogador que não tem o devido prestígio no seu país de origem, talvez por não fazer parte do estereótipo de lateral brasileiro, ou seja, de muito jogo ofensivo. Por ter chegado muito jovem à Europa, Maxwell adquiriu qualidades em seu jogo defensivo que, aliadas à técnica apurada e ao bom arremate com a perna esquerda, fazem do jogador um lateral confiável e desejável para os clubes europeus.

Numa época em que Marcelo não consegue firmar sua titularidade no Real Madrid, seria interessante que Maxwell recebesse a sua chance de atuar pela Seleção Brasileira, assim como Felipe Luís do Atlético Madrid teve a sua oportunidade. Assim, a lateral direita ficaria liberada para Daniel Alves, que possui clara vocação ofensiva.

Participando da seleção ou não, a verdade é que Maxwell construiu uma bela carreira em gramados europeus, acumulando títulos no maior centro do futebol no mundo, mesmo sem se tornar um jogador de tanta visibilidade em seu país. Mas pelo menos aqui, na coluna “Brasil nos 4 cantos”, ele recebe o seu devido espaço.

Gaúcho de nascimento, catarinense de criação. Um viciado em rock, séries e, obviamente, futebol. Fã desde o atacante caneludo fazedor de gols ao habilidoso irreverente e imprevisível. Curte os detalhes e estatísticas que cercam o melhor esporte do mundo.

  • facebook