Análise tática: Bayern 2×1 Borussia

Dortmund é um time fortíssimo, mas poder de decisão Bávaro foi superior

Jürgen Klopp talvez seja o treinador adversário que mais conheça o Bayern München atualmente. Os bávaros são letais, por isso a ideia de dar campo ao adversário para buscar o contra golpe foi descartada pelo comandante do Borussia. Tal estratégia poderia ser suicídio. Os aurinegros queriam o domínio inicial do jogo para tentar desestruturar o rival com um gol nos primeiros minutos, mas sabiam: o time de Munique não seria dominado por muito tempo.

O Bayern poderia continuar sendo fatal nos contra ataques, certo? Sim. Mas Klopp conseguiu explorar um dos poucos pontos fracos da melhor equipe da temporada, que beira a perfeição. O time treinado por Jupp Heynckes depende muito de Schweinsteiger e Lahm para ter volume de jogo. Sem o volante estando efetivo na partida, o time perde toda a dinâmica e boa parte da qualidade na saída de bola; com Lahm apenas na defensiva, o escape lateral do atual campeão alemão fica falho, pois a maior parte das saídas laterais acontecem pela direita, com o capitão.

Para conseguir tirar a saída de bola de Schweinsteiger e a força lateral de Lahm, o Borussia apostou na vitalidade de sua marcação e velocidade. Atuando no 4-2-3-1 tradicional, com Reus encostando em Lewandowski, por dentro, para marcarem pressão; Grosskreutz e Kuba espremiam os laterais para defesa, alternadamente. Formava-se uma linha de quatro torta no meio campo, com Reus mais próximo a ela. O resultado era o volante rival ficando atrás da marcação adiantada do Dortmund, que sempre era amparada pelos jogadores de retaguarda e Gundogan, para evitar contra ataques. Já o lateral direito ficava totalmente acuado pelo seu lado. Com a bola distante de Schweinsteiger e Lahm não passando para o campo ofensivo, o Bayern não conseguia atacar.

Schweinsteiger fica isolado pela marcação do Borussia. o que força o ''chutão'' do time Bávaro

Schweinsteiger fica isolado pela marcação do Borussia, o que força o ”chutão” do time Bávaro

O BVB tinha posse de bola, criava chances de gol e impunha sua rapidez na partida. Mas não aproveitou a chance de ouro que teve de abrir o placar. Tudo isso durou 20 minutos. Após esse período, os bávaros se recriaram dentro da partida e deixaram a disputa equilibrada.

Para tirar a corda do pescoço o Bayern trocava vários passes, de um lado para o outro. Mesmo sem ter a objetividade esperada, o toque de bola foi essencial para, aos poucos, tirar a constante presença do Borussia no campo ofensivo. Schweinsteiger voltava, com frequência, para fazer o papel de um líbero e poder sair com a bola dominada e de cabeça levantada. Com Dante, Boateng e Schweinsteiger no sistema defensivo, os laterais puderam apoiar o ataque, o que fazia a marcação do Dortmund pelos flancos recuar e a marcação adiantada, do mesmo, fraquejar.

Schweinsteiger se reposiciona, mais recuado. Saída de bola com qualidade e Lahm com espaço pela direita

Schweinsteiger se reposiciona, mais recuado. Saída de bola com qualidade e Lahm com espaço pela direita

Jupp Heynckes distribuiu seus onze iniciais, também, no tradicional 4-2-3-1, sem nenhuma surpresa. No entanto, mudou o posicionamento de Müller e Robben. O alemão ficou aberto pela direita, enquanto o holandês atuou mais centralizado, o que fez grande efeito logo no primeiro tempo. A maior agilidade e ginga de Robben melhorou o poder de infiltração por dentro da zaga adversária. Nos primeiros 45 minutos, o camisa 10 perdeu duas ótimas chances de gol.

Na etapa final, o time de Munique foi superior. O cenário do final do primeiro tempo era o mesmo. O que fez o Bayern ser superior e mostrar sua imensa capacidade de se adaptar às diferentes dificuldades de cada confronto foi sua movimentação com trocas constantes de posição. Robben, Müller, Mandzukic e Ribéry, trocavam de posições com a bola sendo tocada de pé em pé. Era possível ver, algumas vezes, Robben e Ribéry juntos por dentro dando muita verticalidade e criatividade ao jogo bávaro. Quando o placar da final estava marcando 1×1, o time vermelho e branco subiu seus laterais, Lahm e Alaba, que apoiavam com ímpeto. Com isso, os jogadores de ataque começaram a entrar com mais frequência na área do rival. Os aurinegros, por sua vez, sem a mesma velocidade do início e com pouca articulação no meio, não conseguiram igualar o volume de jogo do adversário. Sahin só entrou nos acréscimos, mas poderia ter sido uma boa alternativa, se tivesse entrado mais cedo.

Movimentação ataque Bayern

Ataque do Bayern faz intensa movimentação, com inversões de posições, no segundo tempo

Como já foi dito: o Bayern München é fatal! Tanto é que até Robben, desacreditado em finais, decidiu. O holandês deu passe para gol de Mandzukic aos 15 minutos e marcou o gol do título aos 44, os dois na etapa final. Nem a falha de Dante, ao cometer pênalti infantil sobre Reus, que resultou no empate após excelente cobrança de Gundogan, apagou a estrela de Robben e o poder de decisão do merecido campeão da UEFA Champions League 2012/13.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.