Benfica iguala no suor, vence na técnica e está na final

  • por João Vitor Poppi
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benfica x fener

 

Em Istanbul, o Benfica foi apático, não lutou e o placar apontando 1×0 contra foi lucro. Tecnicamente, o time português leva boa vantagem, mas no jogo de ida a maior disposição do Fenerbahce deu a vitória ao time. Para chegar em sua primeira final internacional, o time turco precisava transpirar mais que os donos da casa e taticamente realizar um jogo preciso. Esse não foi o cenário da partida. Os Encarnados brigaram por cada jogada e taticamente foram superiores. Assim abriu-se espaço para a habilidade benfiquista brilhar.

O time português se distribuiu em campo no 4-4-2, em forma de losango, com apenas um volante de origem e três meias. Os jogadores, Gaítan e Salvio, que atuaram pelos lados do losango eram constantes no apoio ao ataque e formavam uma linha de três, a frente de Mátic. Com os meias/pontas do Fener recuados, os laterais André Almeida e Maxi Pereira tinham liberdade para atacar. O Benfica conseguiu duplicar os flancos, com os laterais auxiliando os meias, o que deu fluência ao jogo do time treinado por Jorge Jesus.

Movimentação e variação nas jogadas foram as chaves para o time abrir o placar antes dos dez minutos iniciais. Os atacantes Cardozo e, principalmente, Lima, saiam da área para as extremidades do campo. Puxavam marcação e abriam espaços para Gaítan e Salvio fazerem a diagonal (dos lados para o meio) e pegar a zaga no mano a mano. Em uma dessas jogadas bem trabalhadas, Lima pela direita cruzou para Gaítan desviar no primeiro pau e inaugurar o placar.

Com toque de bola rápido, o Benfica chegava na entrada da área adversária com facilidade, tendo pela frente uma marcação feita à distância – frouxa. O time turco foi muito pragmático, sem criatividade e não teve variações.

Sem seus dois volantes titulares, Raul Meireles e Topal, a saída de bola do time foi muito prejudicada. Foi lenta e fraca. Cristian foi adiantado para cabeça de área para qualificar o setor, mas só conseguiu se destacar quando esteve no ataque e acertou belíssimos últimos passes, desperdiçados pelo ataque. O time não tinha velocidade para contra golpear com a bola no chão, e como antídoto a essa situação usava a bola aérea, longa, para o isolado Sow. O time esteve postado no 4-2-3-1.

 

Encarnados povoam os lados de campo para dominarem as ações ofensivas'

Encarnados povoam os lados de campo para dominarem as ações ofensivas

 

Mesmo com tudo contra, o Fener encontrou o gol de empate, em um pênalti mal marcado, pois um impedimento o antecedeu. Kuyt converteu a cobrança, empatando o jogo. Os Encarnados sentiram o peso do empate. O time visitante melhorou e ganhou moral. Sow começou a jogar menos adiantado, Kuyt e Caner Erkin usando com inteligência os espaços deixados nas costas dos meias benfiquistas, desafogaram o Fenerbahce. O time mandante ficou nervoso e se desconcentrou do jogo, as jogadas ofensivas não encaixavam mais. Foi nesse momento que a estrela de Oscar Cardozo brilhou! Aos 34 minutos, após rápida cobrança de falta, o centroavante cortou a marcação e com um ”tapinha” de categoria fez o 2×1 para seu time. O gol tranquilizou os atletas do Benfica, que estavam mais preocupados com o juiz do que com o futebol da equipe, e a intensidade, pressão e variação de jogadas Encarnada voltavam aos poucos.

Sahin (volante) e Gonul (lateral direito) saíram lesionados. Para suas vagas, entraram Topuz (volante) e Irtegun (zagueiro), respectivamente. O time ficou mais defensivo nos 45 minutos finais. O Benfica continuou com as mesmas estratégias de movimentação, mas sem intensidade, pois cansou e o time turco compactou e horizontalizou sua marcação, conseguindo tirar os espaços do adversário.

Melhorou, mas deslizou em um aspecto, que, por ser um time pior tecnicamente, não teve perdão. O time comandado por Aykut Kocaman abdicou de buscar o jogo. Conforme o tempo passava, na segunda etapa, o time turco foi perdendo toda a saída de bola e não se preocupou com isso. Era ”bicão” da zaga e retomada do Benfica para mais uma ação ofensiva. Era momento de se postar na defesa, mas de buscar contragolpear o adversário, fazer ele se preocupar – o que não aconteceu. Fenerbahce pecou pelo recuo excessivo.

O Benfica se inclinou todo para o ataque e martelou o adversário até conseguir o gol da classificação. Aos 21 minutos, após cobrança de lateral e desvio de Luisão, Cardozo, mais uma vez bem posicionado, estufou as redes do Volkan Demirel.

O time visitante só conseguiu pressionar no fim do jogo, na base do abafa e com desespero. Stoch foi a campo, no lugar do zagueiro Yobo, e junto com Kuyt insistiram nas descidas pelos lados. Nenhuma arma do Fener foi capaz de tirar os Encarnados da final. Apesar dos primeiros 90 minutos do duelo terem sido preguiçosos e alguns momentos de desequilíbrio – pós gol sofrido – em Lisboa, o Benfica foi intenso em alguns momentos, teve brio, qualidade e é merecedor de estar em uma final de competição continental, o que não acontece desde 1990, quando perdeu a final da Liga dos Campeões para o Milan.

 

2 tempo benfica x fener

No fim, Fener conseguiu pressionar, sem organização. Não amedrontou o adversário

 

Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.

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