DOENTES POR FUTEBOL

Milagre no Azteca

Foto: Récord MX

Foto: Récord MX

Imagine seu time disputando uma final contra um de seus maiores rivais. Ele vence o primeiro jogo por 1×0, está vencendo o segundo por 1×0 até os 43 do 2º tempo e o adversário ainda tem um jogador a menos. Pois você já comemoraria o título, certo? Nem mesmo os torcedores mais otimistas do time que está perdendo imaginariam uma virada. Mas este nobre esporte chamado futebol está sempre aprontando das suas.

América e Cruz Azul decidiram o Clausura 2013 da Liga MX no domingo e fizeram uma das decisões mais espetaculares dos últimos tempos no futebol mundial. O Cruz Azul vencia por 1×0, gol do colombiano Teo Gutierrez, dominava e tinha o controle das ações da partida. Além disso, ainda tinha um jogador a mais desde os 13 do primeiro tempo, com a expulsão de Jesus Molina. Aos 43 minutos da etapa final, a torcida dos azuis já comemorava e gritava “olé” a cada toque na bola do time, até que o capitão Mosquera reacendeu as esperanças dos americanos.

O resultado ainda dava o título ao Cruz Azul, mas ainda tinham os acréscimos e a pressão amarela naturalmente veio. Três minutos de acréscimo assinalados. Aos 47, surge um escanteio para o America. O goleiro vai pra área numa clara demonstração de desespero, mas a cobrança foi mal feita. A bola é cruzada novamente na área e, após confusão na área, outro escanteio. Este sim, bem batido, no segundo pau, onde de peixinho o goleiro Muñóz sobe de cabeça e marca o gol da virada. O improvável gol leva a decisão para a prorrogação. O desvio de Alejandro Castro é “apenas um detalhe”. Delírio total da parte amarela da capital mexicana. O moral dos azuis cai e o jogo vira.

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Na prorrogação, o América passa o dominar a partida e cria as melhores oportunidades. É a hora então de brilhar a estrela de outro goleiro, Corona, que salva o Cruz Azul em duas grandes oportunidades, levando a decisão para os pênaltis.

Logo no início da disputa de pênaltis, volta a brilhar a estrela de Muñóz, o herói da grande final, que defende a cobrança de Orozco. Alejandro Castro volta a aparecer negativamente e isola sua cobrança. O América converte suas quatro primeiras cobranças, vence por 4×2 e conquista um heróico título, o 11º nacional de sua rica histórica, empatando com o Guadalajara como os maiores vencedores mexicanos. E o cenário para esta conquista épica, milagrosa não podia ser outro, senão um dos maiores templos sagrados do futebol, o estádio Azteca, que consagrou aquele que é considerado o rei, o maior de todos, em 1970.

Foto: Récord MX

Foto: Récord MX


Escrevendo-se certo por linhas tortas, foi justa a conquista do América. Foi a melhor equipe da temporada, com 9 vitórias, 5 empates e 3 derrotas na 1ª fase; com mais 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota na Liguilla. As Águias tiveram ainda o artilheiro da competição, o equatoriano Chucho Benitez. Fatos que valorizam ainda mais esta conquista que ficará marcada para sempre na história, não só do futebol mexicano, mas do futebol mundial.

Para os amantes e apaixonados por detalhes do futebol, o comentarista Leonardo Bertozzi da ESPN definiu bem: “Imagine a final da Champions de 99, mas com um gol de goleiro em vez do Solskjaer.” Este é o futebol, em sua forma sublime, apresentando mais um de seus momentos que o torna cada vez mais apaixonante.

Veja os gols e momentos finais desta decisão histórica:


Equipe base do campeão: Muñóz, Francisco Rodriguez, Paul Aguilar, Mosquera, Aldrete; Jesús Molina, Diego Reyes, Juan Carlos Medina, Sambueza, Jiménez e Chucho Benitez. Técnico: Miguel Herrera.

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".