Caminho aberto para os Meninos da Vila

  • por Mozart Maragno
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O sol voltou a brilhar na baixada santista, o ar está mais puro. Muricy Ramalho não é mais o técnico do Santos, o que deve ter sido motivo de muita festa no CT Meninos da Vila, que acomoda as categorias de base do Peixe. Depois de dois anos no comando e os títulos iniciais, ainda se valendo do belo time deixado por Dorival Jr., o trabalho foi definhando e, além do péssimo futebol jogado, nenhum jogador foi revelado pelo técnico – que vem se especializando em ignorar ou achincalhar os atletas oriundos da base.

Quem tem um pouco de dignidade não pode achar correto o que o técnico fazia com Felipe Anderson e Victor Andrade, ao passo que poupava todos os medalhões caros e medianos que indicava (e, como sempre, não davam certo). Nada pode ser mais equivocado do ponto de vista profissional que um técnico expor seu jogador – ainda mais um garoto – publicamente com críticas na imprensa, tentando estigmatizar e colocar a torcida contra ele. Um absurdo que os “jornalistas amigos”, que blindam o Barnabé de todas as formas, sempre deixaram passar.

Porém, agora é vida nova no Santos e o técnico designado para dar sequência de curto prazo ao trabalho foi Claudinei Oliveira, campeão de praticamente tudo com o time sub-20, especialmente o Campeonato Paulista de 2012 e a Copa São Paulo desse ano. Para quem assistia a alguns jogos desse time júnior, ficava flagrante a diferença de padrão e qualidade imposto em relação à equipe principal. O toque de bola, a movimentação, a articulação das jogadas no chão desde a defesa, tudo que Muricy não conseguia fazer com as estrelas do time principal.

Se a incompetência e a defasagem de Muricy não permitiram avançar mais em relação aos jovens, parece que são eles que vão encarar o desafio e desconfiança coletiva sobre o clube em suas perspectivas no difícil Brasileirão. Muitos anunciam a possibilidade real do rebaixamento e que os jovens não vão “aguentar o tranco”. Isso sempre aconteceu no Santos, quando os jovens tiveram que ser lançados. Ainda não creio que tenhamos um Neymar ou Robinho nessa geração, ainda que Gabriel Barbosa, o Gabigol, seja um talento extraordinário. No entanto, há excelentes opções em todos os setores. É a geração mais completa já formada em Santos que se tenha conhecimento.

Victor_Andrade_17

Reprodução: Victor vai sair da geladeira?


Apostaria, além de Gabigol, em Léo Citadini e a volta de Victor Andrade, que quase foi queimado pelo Feirante. Jogadores menos cotados, como Neílton e Pedro Castro, entraram bem e podem ganhar uma sequência. Para ficar mais fácil e claro: se pegarmos o time base campeão da Copinha (Gabriel Gasparotto, Alisson, Gustavo Henrique, Jubal e Emerson Palmieri; Lucas Otávio, Leandrinho Pedro Castro e Léo Citadini; Neílton e Giva), todos os atletas podem ser aproveitados tranquilamente por Claudinei (ou qual medalhão?), após a parada da Copa das Confederações. O importante é que agora não há mais quem atrapalhava o desenvolvimento desses jovens de imenso potencial.

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Formado em Educação Física, fundador do site Olheiros e apreciador do futebol de base desde sempre.