DOENTES POR FUTEBOL

Brasil x Espanha: o duelo aguardado desde 2009

OPINIÃO do jornalista sobre a partida entre Brasil e Espanha

De fato, a final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha, no próximo domingo, deverá, por razões óbvias, seguir linhas diferentes de interpretações por parte de espanhóis e brasileiros. Isso porque a importância que gira em torno desta decisão se torna muito mais pertinente para o time de Felipão do que para os comandados de Vicente del Bosque. É um jogo que responderá muito mais perguntas a Luiz Felipe Scolari do que ao frio e experiente técnico espanhol.

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O nível de preocupação que se instala nas duas delegações é diferente. Para o Brasil, mais do que um título, um troféu, uma volta olímpica dentro de casa, a possível vitória diante da Espanha significará – ou não – o resgate da confiança de boa parte dos exigentes torcedores brasileiros. Daqueles torcedores que, com razão, não conseguiram encontrar razões para comemorar as vitórias contra o Japão, México, Uruguai e ante a desfalcada Itália.

O jogo, por si só, colocará um ponto final na curiosidade acerca do real potencial da seleção brasileira. Existe uma grande dúvida se a “nova família Scolari” consegue jogar de igual para igual contra o melhor selecionado do Mundo. Em questão de competitividade, será o primeiro e último jogo do Brasil nesta Copa das Confederações. Será a hora da verdade. O melhor dos testes.

Do outro lado, como sabemos, o estilo de jogo que a seleção da Espanha adota lembra uma relação entre dominador e dominado. Chefe e chefiado. Passa a certeza de que as rédeas de uma partida são tomadas por ela. E embora esse panorama de superioridade tenha se perdido em alguns instantes contra a Itália, na semifinal, a Espanha deverá voltar a ser a Espanha contra o Brasil. Porque o grau de motivação para ela será outro. Motivação, não importância.

É um estímulo muito mais por aquilo que envolve as duas camisas, as duas histórias, do que pelo título da Copa das Confederações. Esta será a primeira vez, depois que virou referência no futebol mundial, que a Fúria enfrentará a seleção que foi por muitos anos a referência mundial. Inclusive para a própria Espanha, como já explicou uma vez Pep Guardiola. E há, também, o fato de o jogo ser no Brasil.

No próximo domingo, se o Brasil for campeão, o sabor especial não será do tetracampeonato da Copa das Confederações, mas sim por ter batido a temida Espanha. Para os espanhóis, o título valerá como uma coroação. Simples assim.

  • Espanha carrega retrospecto negativo contra o Brasil em Copas do Mundo

A final entre Brasil e Espanha, marcada para às 19h00 do próximo domingo, não significará apenas a primeira decisão no novo Estádio do Maracanã. O duelo será, também, a primeira vez que brasileiros e espanhóis se enfrentarão em Copas das Confederações. A atual edição da competição é apenas a segunda no currículo de participações da Espanha, que também esteve na edição de 2009, na África do Sul. Já o Brasil, além de ter participado sete vezes do torneio – 1997, 1999, 2001, 2003, 2005, 2009 e 2013 -, foi campeão em três oportunidades – 1997, 2005 e 2009.

No entanto, essa escassez de jogos entre ambas as seleções em torneios organizados pela FIFA vai por água abaixo quando o assunto é Copa do Mundo. Desde o mundial de 1934, realizado na Itália, Brasil e Espanha já duelaram cinco vezes e o retrospecto é favorável à seleção canarinho. São três vitórias do Brasil, uma da Espanha e um empate. Dez gols marcaram os sul-americanos e cinco os europeus. Veja abaixo a ficha completa dos cinco jogos entre Brasil e Espanha em Copas do Mundo.

Copa do Mundo de 1934
ESPANHA 3 X 1 BRASIL – OITAVAS DE FINAL
Data: 27/05/1934
Local: Estádio Luigi Ferraris (Gênova-ITA)
Árbitro: Alfred Birlem (Alemanha)
Gols: José Iraragorri, aos 18’, Isidro Lángara, aos 27’ e aos 77’, e Leônidas da Silva, aos 56’.
BRASIL: Pedrosa; Sylvio Hoffman e Luiz Luz; Tinoco, Martin Silveira e Canalli; Luisinho, Waldemar de Britto, Armandinho, Leônidas da Silva e Patesko. Téc.: Luís Augusto Vinhais.
ESPANHA: Ricardo Zamora; Ciriaco Síunaga e Juan Quincoces; Leonardo Cilaurren, José Muguerza e Martin Marculeta; Ramon de Lafuente, José Iraragorri, Isidro Lángara, Simon Lecue e Guillermo Gorostiza. Téc.: Amedeo Garcia Salazar.

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Ademir Menezes marca para o Brasil na goleada de 6 a 1 sobre os espanhóis, em 1950 (Foto: Reprodução)

Copa do Mundo de 1950
BRASIL 6 X 1 ESPANHA – QUADRANGULAR FINAL
Data: 13/07/1950
Local: Maracanã (Rio de Janeiro-BRA)
Árbitro: R. Leafe (Inglaterra)
Gols: Ademir Menezes, aos 15’, Jair, aos 21’, Chico, aos 31’, Ademir Menezes, aos 51’, Chico, aos 55’, Zizinho, aos 67’, e Igoa, aos 71’.
BRASIL: Barbosa; Juvenal, Augusto, Bigode, José Carlos Bauer, Danilo, Zizinho, Jair, Chico, Ademir Menezes e Dido. Téc.: Flávio Costa.
ESPANHA: Ramallets; Alonso, Josep Gonzalvo, Parra, Mariano Gonzalvo, Puchades, Panizo, Piru, Zarra, Igoa e Basora. Téc.: Guillermo Eizaguirre.

Copa do Mundo de 1962
BRASIL 2 X 1 ESPANHA – 1ª FASE – GRUPO C
Data: 06/06/1962
Local: Estádio Sausalito (Viña del Mar)
Árbitro: Sérgio Bustamante (Chile)
Gols: Adélardo, aos 35’ do 1ºT, Amarildo, aos 27’ do 2ºT, e Amarildo, aos 41’ do 2ºT.
BRASIL: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo e Zagallo. Téc.: Aymoré Moreira.
ESPANHA: Araquistain; Rodri, Gracia, Verges; Echevarria, Pachin; Collar, Peiró, Puskas, Adelardo, Gento. Téc.: Helenio Herrera.

Copa do Mundo de 1978
BRASIL 0 X 0 ESPANHA – 1ª FASE – GRUPO C
Data: 07/06/1978
Local: Estádio Mundial-78 (Mar del Plata-ARG)
Árbitro: Sergio Gonella (Itália)
BRASIL: Leão; Nelinho (Gil), Oscar, Amaral e Edinho; Batista, Toninho Cerezo e Dirceu; Toninho, Zico (Jorge Mendonça) e Reinaldo. Téc.: Cláudio Pecego.
ESPANHA: Miguel Gonzalez; Francisco Uria (Antonio Guzman), Miguel Bianqueti (Antonio Biosca), Marcelino Perez e Antônio Olmo; Isidoro San José, Eugenio Leal e Juan Asensi; Julio Cardenosa, Juan Gomez e Carlos Santillana. Téc.: Ladislao Kubala.

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Careca disputa jogada em partida contra a Fúria, na Copa de 86 (Foto: Reprodução)

Copa do Mundo de 1986
ESPANHA 0 X 1 BRASIL – 1ª FASE – GRUPO D
Data: 01/06/1986
Local: Estádio Jalisco (Guadalajara-MÉX)
Árbitro: Christopher Bambridge (Austrália)
Gols: Sócrates, aos 17’ do 2ºT
ESPANHA: Zubizarreta; Tomas, Camacho, Maceda e Victor; Goicoechea, Julio Alberto, Francisco (Señor) e Michel; Julio Salinas e Butragueño. Téc.: Miguel Muñoz.
BRASIL: Carlos; Edson, Edinho, Júlio César e Branco; Júnior (Falcão), Alemão, Sócrates e Elzo; Casagrande (Müller) e Careca. Téc.: Telê Santana.

  • ELENCO espanhol possui cinco remanescentes da eliminação para os EUA

Quando houve o apito inicial para a partida de abertura da Copa das Confederações deste ano, no último dia 15, Espanha e Brasil já carregavam há tempo o rótulo de finalistas do torneio. Mas como só o tempo pode responder sobre os acontecimentos da vida, todos foram obrigados a esperar 12 dias, período necessário até o desfecho das semifinais. E a resposta não surpreendeu: Brasil e Espanha estão na final.

Este duelo, porém, poderia ter acontecido na decisão da edição de 2009. Mas, naquelas semifinais, os espanhóis foram eliminados pelos Estados Unidos, após derrota por 2 x 0. Na ocasião, os norte-americanos quebraram uma invencibilidade da Espanha que durava 933 dias. Foi um resultado que impressionou a todos.

Agora, quatro anos depois, a Fúria já conquistou Copa do Mundo em 2010 e Eurocopa em 2012. Outra seleção? Em termos de títulos, sim. De jogadores, nem tanto. Isso porque, do elenco espanhol que eliminou os italianos na semifinal deste ano, nos pênaltis, cinco jogadores estavam na derrota por 2 x 0 para os EUA.

Abaixo está o elenco de 2009, que perdeu para os EUA. Os jogadores em VERDE enfrentaram a Itália este ano, nas semifinais

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Elenco que foi eliminado pelos EUA em 2009; cinco jogadores ajudaram a eliminar a Itália em 2013

  •  DESTAQUES do Brasil

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Apesar das críticas por parte de alguns torcedores e jornalistas, o atacante Fred vem mostrando que está sempre no lugar e momento certos para fazer aquilo que sabe de melhor: gols. Nesta Copa das Confederações, Fred já marcou três vezes. Na segunda era de Felipão na seleção, Fred é o artilheiro máximo do time, com sete gols. (Veja a lista abaixo). Contratado pelo Barcelona, Neymar já marcou seis gols com Felipão e teve participação fundamental no sucesso do Brasil nesta Copa das Confederações. Destaques para os golaços contra o Japão e México, além da jogada sensacional diante dos mexicanos, na linha de fundo, antes de tocar para Jô balançar as redes.

Gols de Fred pela Seleção Brasileira:
06/02/2013 – Inglaterra 2 x 1 Brasil – 1 gol
21/03/2013  – Itália 2 x 2 Brasil – 1 gol
25/03/2013  – Rússia 1 x 1 Brasil – 1 gol
02/06/2013 – Brasil 2 x 2 Inglaterra – 1 gol
22/06/2013 – Brasil 4 x 2 Itália – 2 gols
26/06/2013 – Brasil 2 x 1 Uruguai – 1 gol

  • DESTAQUES da Espanha

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É até complicado mencionar apenas dois ou três jogadores espanhóis que podem desequilibrar a final contra o Brasil. Mas, entre as estrelas do técnico Vicente del Bosque, Xavi e Iniesta se destacam por vários aspectos, como a habilidade com a bola nos pés, passes precisos, qualidade nas bolas paradas, visão de jogo e obediência tática. Além disso, a dupla traz o entrosamento do Barcelona. Ou seja, um já está cansado de saber em qual setor do campo o outro está.

Na última Copa das Confederações, em 2009, Iniesta, lesionado, não pôde enfrentar os Estados Unidos na semifinal, onde a Espanha foi derrotada por 2 x 0. Um motivo a mais para o herói do título da Copa do Mundo de 2010 coloque em prática o seu ótimo futebol ante os brasileiros em pleno Maracanã.

  • O ÚLTIMO jogo entre Brasil e Espanha
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O brasileiro Emerson tenta ganhar disputa de bola com Morientes, em 1999 (Foto: Reprodução)

O cenário atual que cerca o confronto entre Brasil e Espanha, pela final da Copa das Confederações, é bem diferente de quando as duas seleções se enfrentaram pela última vez, em novembro de 1999, em Vigo, na Espanha. Os espanhóis, embora já tivessem iniciado o trabalho nas categorias de base para revelar os craques que têm hoje, ainda estavam longe de ser a melhor seleção do mundo. O Brasil, que perdera em 1998 a final da Copa do Mundo para a França, também não animava, mas já possuía alguns nomes que brilhariam três anos depois, na Copa da Coreia e Japão, em 2002. Veja abaixo a ficha do último jogo entre Brasil e Espanha:

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ESPANHA 0 X 0 BRASIL
DATA: 13/11/1999
LOCAL: Estádio Balaídos, em Vigo (Espanha)
ÁRBITRO: René Temmink (Holanda)
ESPANHA: Molina; Michel Salgado, Paco, Abelardo e Sergi; Guardiola, Luiz Enrique (Mendieta) e Valerón (Engonga); Etxeberria (Urzaiz), Morientes (Munitis) e Raúl (Alfonso Perez). Téc.: Jose Antonio Camacho.
BRASIL: Marcos; Cafu, Antonio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Emerson, Marcos Assunção, Zé Roberto (Giovanni) e Rivaldo (Zé Elias); Elber e Sonny Anderson (Jardel). Téc.: Candinho.

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]