Pubalgia

  • por Edson Vinicius
  • 4 Anos atrás
O Jogador Kaká quase não disputou a copa de 2010 devido a dores pubianas

O Jogador Kaká quase não disputou a copa de 2010 devido a dores pubianas

Chamada também de pubeíte, osteíte púbica, doença pubiana, ou popularmente de “dor na virilha”, essa patologia é uma condição inflamatória que acomete a sínfise pubiana (articulação semimóvel que une os dois ossos do quadril) e/ou os músculos adutores que se inserem nesta região.

O esforço repetitivo consequente ao uso excessivo dessa articulação nos esportistas, principalmente nos jogadores de futebol, é a causa mais comum desse quadro. Alongamento inadequado da musculatura adutora da coxa, desequilíbrio muscular (músculos abdominais fortes e os da coxa fracos, ou vice-versa), excesso de exercícios abdominais e pouco tempo de recuperação e descanso muscular entre as partidas são fatores adjuvantes. Até mesmo o tipo de chuteira utilizada, se for inadequada, bem como alterações posturais, podem facilitar o processo.

O quadro clínico varia muito de um indivíduo para outro, porém os atletas geralmente referem dor que se estende da região pubiana até a face interna da coxa ou abdome, que pioram com atividades físicas, alongamentos e arranques típicos do futebol. Essa dor pode ser uni ou bilateral, começar de forma insidiosa ou abruptamente (após um estiramento muscular, por exemplo), e, em alguns caso, há até mesmo irradiação para os órgãos sexuais. Geralmente tem evolução crônica, durando semanas ou meses.

O diagnóstico não é tão fácil, porque a doença pode ser confundida com hérnias inguinal e femoral, lesões articulares do quadril, uretrites, entre outras. O exame físico é primordial, com ele detecta-se os pontos dolorosos na região inguinal, dor à palpação ao longo da borda da sínfise púbica e dor à flexão completa da perna do lado acometido durante a abdução passiva do quadril. Exames laboratoriais devem ser solicitados para se afastarem outras causas. Exames de imagem como o raio-x e, principalmente, a ressonância magnética, são extremamente úteis na confirmação diagnóstica.

O tratamento é baseado na trinca repouso, anti-inflamatórios e fisioterapia. Deve-se evitar atividade física para não aumentar o dano ao tecido. Anti-inflamatórios (eventualmente em casos mais graves até corticosteroides são usados) diminuem o edema e lesão teciduais, e um programa de fisioterapia bem realizado corrige o desequilíbrio muscular, reabilita o local acometido e previne futuros problemas. O tempo de recuperação varia de atleta para atleta. Casos mais graves, aqueles onde não há melhora clínica num período aproximado de seis meses, necessitam de intervenção cirúrgica. Felizmente não são comuns.

Foi essa contusão que quase tirou Kaká, então a grande estrela da Seleção Brasileira, da Copa de 2010. Com dores pubianas desde o final de 2009, o meia atacante teve sequência irregular de jogos no primeiro semestre do ano seguinte, o que colocou em xeque sua participação no mundial. Em fevereiro desse mesmo ano, o jornal espanhol Marca chegou a estampar em sua manchete que os médicos do Real Madrid afirmaram que “Kaká teria de fazer tratamento da pubalgia por toda a vida”, se quisesse evitar recaídas, o que ele sempre negou. Certo é que o jogador nunca mais foi o mesmo (contribuiu também para isso um histórico de várias outras lesões) e fez uma Copa do Mundo sofrível.

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Médico clínico geral e geriatra, apreciador do bom futebol, doente pelo Flamengo e viúva de Zico!