Atacante: A pequena área é o menor espaço onde ele pode realizar os maiores desejos dos torcedores

  • por Leandro Lainetti
  • 4 Anos atrás

“São eles que ficam marcados pelos momentos decisivos, pelos gols que valem títulos, pela paixão que nasce com uma conquista” (Milton Leite)

Um time não pode entrar perdido em campo, nunca. Quando isso acontece, hora de sacar a bússola da mochila e procurar o norte. E ele está lá, representado pelo centroavante, a famosa referência da equipe no gramado. O camisa 9 serve como válvula de escape. Se o time está sem saída de bola, tome chutão na direção do cara e ele que se vire entre os zagueiros para dominar, proteger e esperar os companheiros chegarem ao campo de ataque.

Foto: Reprodução: Leônidas da Silva, o Diamante Negro imortalizou o chute de bicicleta

Foto: Reprodução: Leônidas da Silva, o Diamante Negro imortalizou o chute de bicicleta

Centroavante bom sabe fazer o pivô. Do contrário, o que deveria ser uma partida de futebol pode se tornar um animado jogo de pinball, com a bola indo e vindo interminavelmente. Claro, e ninguém há de discordar, que centroavante bom mesmo é aquele que faz gols. De preferência, muitos gols.

Mano a mano com o goleiro, cruzamento na área, bola brigada com o zagueiro, gol de cobertura, depois do rebote do goleiro, gol de canela, de ombro, de carrinho, tudo precisa ser sinônimo de gol, ter cheiro de gol. Para o centroavante, ou matador, como preferirem, não existe gol feio, feio é não fazer gol, como imortalizou, nessas sábias palavras, Dadá Maravilha, um dos centroavantes mais folclóricos e goleadores do futebol brasileiro.

Foto: Reprodução - O baixinho Romário foi o responsável pelo tetra do Brasil na Copa de 1994

Foto: Reprodução – O baixinho Romário foi o responsável pelo tetra do Brasil na Copa de 1994

O homem gol, querendo ou não, tem uma relação de amor e ódio com os zagueiros. Nos escanteios, se abraçam como dois amigos se revendo após um longo tempo distante. Em busca do gol, é perseguido pelo beque, criando uma relação de polícia x bandido, caça x caçador. Há choques violentos, mão para lá e para cá, empurra-empurra, carrinho, uma verdadeira guerra sem fim. Mas, não há dúvida. Onde um estiver, o outro estará – a não ser quando o zagueiro falha e, deus o acuda, o goleiro precisa encarar o olhar mortífero do goleador.

A pequena área é o menor espaço onde ele pode realizar os maiores desejos dos torcedores. Os sonhos de cada um deles, repletos de gols, viram realidade por meio dos pés deste jogador que, mais do que qualquer outro, quer fazer a bola estufar a rede. Às vezes, a paciência é forte aliada em busca do caminho do gol.

Foto: Reprodução - Ronaldo, maior artilheiro da história das Copas

Foto: Reprodução – Ronaldo, maior artilheiro da história das Copas

Como um pescador, fica ali, à espreita, aguardando as chances de gol, como quem espera o momento certo para puxar o molinete. Na pescaria, como todos sabem, a chance de pegar um peixão pode ser única, assim como as oportunidades de gol em uma partida de futebol podem ser resumidas ao singular.

No linguajar da pesca, caiu na rede é peixe. Para o centroavante, caiu na rede é gol.

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.