Brasil x Espanha na visão de um curitibano

  • por Leandro Bruning Canton
  • 4 Anos atrás

A ótica de um visitante não apenas sobre o jogo, mas também sobre os serviços prestados no Rio de Janeiro.

Os curitibanos no Maracanã

Os curitibanos no Maracanã

Tudo começou na compra dos ingressos. Naquela disputa intensa pelos bilhetes da grande final da Copa das Confederações, a compra dos três convites foi comemorada quase como um título. A grande facilidade da aquisição pela Internet é um ponto muito positivo, evitando filas e abrindo a oportunidade para todas as pessoas de todos os continentes conseguirem seus lugares na partida. O único ponto negativo foi a impossibilidade de escolha dos assentos para assistir ao jogo. A escolha que poderíamos fazer era a categoria dos ingressos, de acordo com seu custo.
Chegamos ao Rio de Janeiro no sábado pela manhã no Aeroporto Internacional Maestro Antônio Carlos Jobim, ou simplesmente Aeroporto do Galeão. Para nossa infelicidade, o Aeroporto Santos Dumont estava fechado devido à neblina. Com isso, todos os voos que se destinavam a ele foram direcionados ao Galeão, fazendo com que ficássemos 20 minutos taxiando, esperando a autorização para pouso. Ao desembarcar, mais momentos complicados. Devido às obras no aeroporto, vários tapumes diminuíam o espaço disponível no setor de entrega de bagagens, e o ar condicionado não estava funcionando corretamente, gerando mal estar em alguns passageiros. Outro ponto a destacar foi a demora para entrega das bagagens. Provavelmente pelo grande número de aeronaves no aeroporto, as malas demoraram mais de 40 minutos para ser colocadas nas esteiras. Após pegarmos as bagagens, fomos ao local de retirada de ingressos para retirarmos nossos convites. Este é outro ponto que consideramos negativo. Mesmo sem termos demorado nem um minuto para pegarmos as entradas, criticamos muito a falta de pontos de retirada em outras cidades, sem contar que, para pegarmos os ingressos, não tivemos que mostrar nenhum documento. Foi necessário informar apenas o CPF da pessoa que fez a compra para sair com os bilhetes em mãos.
Passada a demora no aeroporto, fomos almoçar e nos dirigimos ao Pão de Açúcar, ponto turístico mundialmente famoso do Rio. Ao chegarmos, nos deparamos com uma grande fila para acesso aos bondinhos. Entramos nela e, após uma hora, estávamos dentro de um desses bondinhos. E toda a espera valeu a pena: uma vista espetacular da cidade maravilhosa, ajudada por um dia de muito sol. Lá em cima, passeamos e tiramos fotos e foi nítida a boa preparação dos guias para a comunicação com os estrangeiros ali presentes. Logo após, nos direcionarmos para a praia de Copacabana, onde escolhemos um dos quiosques para nos sentarmos e aproveitarmos o pôr do sol.
No domingo, dia do jogo, acordamos cedo e rumamos ao Corcovado. Nesse passeio, vale destacar o bom funcionamento do sistema de compra de ingressos para o Trem do Corcovado pela Internet, que nos permitir fazer a compra e marcar horário para subirmos ao Cristo. O caminho de trem é muito interessante e gera belas visões da Floresta da Tijuca. Lá no alto, mais uma vez uma vista maravilhosa do Rio de Janeiro e uma boa preparação dos guias para atender aos turistas estrangeiros.

Foto: extra.globo.com - Cristo Redentor com o Maracanã ao fundo.

Foto: extra.globo.com – Cristo Redentor com o Maracanã ao fundo.

Saindo do Corcovado, almoçamos e nos dirigimos ao Jardim Botânico, outro ponto turístico muito conhecido do Rio, e também muito bem estruturado para receber turistas estrangeiros. Passeamos um pouco e, às 15:00, partimos rumo ao Maracanã. Para chegarmos ao estádio, pegamos o metrô de superfície até a estação Botafogo, onde tomamos o metrô até a estação São Cristóvão. Como nos outros jogos, torcedores portando ingresso não pagavam a passagem dos metrôs. E todas as estações estavam bem sinalizadas,tanto em português, quanto em inglês, facilitando aos turistas. Tanto o metrô de superfície quanto o metrô regular contavam com um sistema de ar condicionado muito eficiente, gerando maior conforto aos usuários.
Ao desembarcarmos na estação São Cristóvão, recebemos rapidamente orientadação sobre como como nos direcionarmos ao Maracanã, e, por todo o caminho, havia policiais fazendo a segurança do percurso. Já no entorno do estádio, passamos pela revista com detectores de metais e nos dirigimos aos estandes dos patrocinadores da Copa das Confederações. Ali já sentíamos o clima do jogo. Muita animação dos torcedores, muito entretenimento, fãs representando seus clubes de todo o Brasil. Enfim, muita energia positiva do lado de fora.
Do lado de dentro, sentíamos essa energia cada vez mais forte. Tivemos um acesso muito fácil a nossos lugares, graças às placas de sinalização e aos voluntários que nos auxiliaram. Dentro do estádio, ponto negativo para duas coisas: primeiro o preço dos alimentos, muito alto, ainda mais se levarmos em consideração a qualidade. O único produto com preço razoável era o refrigerante de 600ml a R$6,00. O segundo ponto, aí muito mais complicado, aconteceu com um grupo que estava ao nosso lado. Os quatro ingressos comprados por eles eram referentes aos assentos HH23, HH24, HH25 e HH26, porém o assento HH26 não existia. Uma das pessoas do grupo avisou um dos voluntários, que chamou o responsável para resolver a situação. Por sorte, um dos assentos na fileira anterior estava vazio e o rapaz pode se sentar naquela cadeira.
Depois disso, uma cerimônia de encerramento muito bonita e animadora, que contagiou os torcedores, principalmente com Ivete Sangalo, que fez todo o Maracanã levantar para cantar com ela. Dois fatos chamaram a atenção na abertura: o protesto feito por um dos voluntários foi tão rapidamente contido, que nem percebemos que ocorreu, e uma das voluntárias que acabou passando mal dentro da fantasia, mas foi rapidamente ajudada por outros voluntários fantasiados e pelos médicos ali próximos.
Na entrada dos times, o momento mais emocionante: o hino brasileiro cantado por quase 80 mil vozes, mesmo após a parada de sua execução no sistema de som do estádio. Durante o jogo, uma aula de futebol do Brasil para cima da Espanha e um clima muito alegre nas arquibancadas.
Após a partida, um pouco de dificuldade em função do estreitamento do corredor de saída por causa dos caminhões que transportaram os equipamentos que estavam ali estacionados. Outro ponto complicado foi a entrada na estação de metrô. A rampa era muito estreita, dificultando o acesso dos torcedores. Dentro da estação, vários trens, fazendo com que o escoamento das pessoas fosse mais rápido.
Um resumo da história mostra que não só o Rio de Janeiro, mas todas as cidades-sede tem muito a melhorar, e todas as obras precisam ficar prontas para haver uma boa mobilidade, mas estamos no caminho certo. Uma pena que essas obras tenham indícios de superfaturamento, mas o retorno que a Copa pode trazer para o país é imenso.
E, se a torcida para o Brasil durante a Copa do Mundo for igual a esta do Maracanã, o hexa fica muito mais perto.

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