Lateral: a guerra pela vitória pode ser vencida nos flancos

“Quem se interessa em saber de um cara que corre para o ataque feito um alucinado e depois tem que voltar no mesmo pique correndo atrás dos adversários?” (Paulo Guilherme)

Na linguagem moderna do futebol, a guerra pela vitória pode ser vencida nos flancos. Ali, rente à faixa de cal que une dois dos lados do campo, não há melhor soldado que o lateral. É ele que, num vai e vem frenético, precisa atacar como um esgrimista – rápido e preciso – e defender como uma muralha, forte e imponente.

Foto: Getty Images - Nilton Santos, a Enciclopédia do futebol, um dos maiores laterais da história

Foto: Getty Images – Nilton Santos, a Enciclopédia do futebol, um dos maiores laterais da história

Laterais precisam ser maratonistas e fundistas, porque só assim conseguirão percorrer os eternos quilômetros da linha lateral em alta velocidade. Se você reparar bem e puser a imaginação para funcionar, conseguirá vê-los quase como uma linha paralela àquela que dá nome à posição. Mas, na matemática do futebol eles não podem entender só de retas, mas também de diagonais, seja para dentro ou para fora.

Ser lateral é, talvez, precisar ser o jogador mais completo dentro de campo. Tem que marcar, passar, apoiar, cruzar milimetricamente, inverter jogadas, driblar, ser veloz, e, como não, saber chutar. Afinal, é um tiro surpresa vindo do flanco que pode definir uma batalha. E precisa ser técnico também, já que é quem mais escuta, devido à distância, os gritos do “professor” para passar instruções aos companheiros.

Foto: Reprodução - Júnior, o Vovô Garoto, era destro, mas jogava como lateral-esquerdo

Foto: Reprodução – Júnior, o Vovô Garoto, era destro, mas jogava como lateral-esquerdo

Quando os laterais adversários se enfrentam, sai de baixo! É o encontro de dois gladiadores prontos a brandir suas espadas para o enlouquecimento do público. Se transformássemos sua faixa do campo em uma savana, poderíamos dizer que são dois gnus brigando para ser o líder do bando.

Nos estádios acanhados, o jogador que mais sofre é ele. Alambrado pertinho, torcida em cima e toma de xingamento a cada cruzamento ou passe errado, seja da própria torcida ou da rival. Na hora do arremesso manual, mais xingamentos e ofensas. Ele sofre preconceito até na pelada. Domingão, o famoso embate entre casados e solteiros. Os jogadores se conhecem pouco e precisam definir quem fará o quê. “Bom, eu corro bastante”, diz um. A resposta vem em uníssono: “então, vai para a lateral, meu filho!”.

Foto: Antonio Scorza / AFP - Cafú, capitão do Penta e recordista em participações em jogos e finais de Copa do Mundo

Foto: Antonio Scorza / AFP – Cafú, capitão do Penta e recordista em participações em jogos e finais de Copa do Mundo

Agora, há de se admitir as vantagens da posição. É quem está mais perto do vestiário, quem menos precisa andar se for substituído, e, reparem, pode ter um membro da família ali pertinho, visto que existe a possibilidade de se criar uma relação quase que fraternal com o bandeirinha.

Ser lateral é tudo isso e mais um pouco. Mas os maldosos, e que Deus lhes perdoe, vão dizer que “só é necessário correr bastante”

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.