50 anos da Bundesliga: por onde andam os fundadores?

Foto: Reprodução - A Bundesliga completa 50 anos no dia 24 de agosto

Foto: Reprodução – A Bundesliga completa 50 anos no dia 24 de agosto

O dia 24 de agosto de 1963 está marcado na história do futebol mundial. Nesta data foi realizada a primeira rodada do novo Campeonato Alemão, a tão conhecida Bundesliga. A ideia era antiga, já persistia desde os anos 30, mas por falta de apoio e pausas por guerras, ela só foi aplicada de vez nos anos 60.

Quisera o destino pôr o Colônia como primeiro campeão de todos. Seu presidente, Franz Kremer, era o maior defensor da criação da Bundesliga e teve sua ideia aderida por outros cartolas em 28 de junho de 1962, data em que a competição foi votada e aprovada na Federação Alemã de Futebol.

Diferente do que podemos ver hoje, o debute da Bundesliga contou com 16 clubes, dois a menos que o atual. Além disso, o Bayern de Munique não participou da primeira divisão da temporada 1963/1964. O motivo:no ano anterior, o Bayern havia terminado na terceira colocação da divisão sul da Oberliga (uma espécie de classificatório regional para a fase decisiva do Campeonato Alemão da época) e o Munique 1860, que havia vencido aquela Oberliga, já seria o representante da cidade. O comitê que participou da escolha dos times não achava bom ter dois times de Munique na disputa.

Dos 16 times participantes daquela edição, nove ainda disputam a primeira divisão. Mas onde foram parar todos esses times? E aqueles que nem ao menos estão na elite? É isso que você saberá nos próximos parágrafos.

Colônia: com 45 pontos, os Bodes foram os primeiros campeões da Bundesliga. Naquela temporada, a campanha foi irrepreensível, com 17 vitórias e apenas duas derrotas. Hoje, o Colônia está em sua segunda temporada consecutiva na segunda divisão alemã e, de uns tempos para cá, se tornou um clube ioiô, sempre flutuando entre as duas principais divisões. Existe também uma relação de amor e ódio com sua torcida. Eles sempre comparecem aos jogos e fazem festas apaixonantes, mas não medem esforços para pressionar. É possível encontrar históricos recentes de confusões com sinalizadores e discussões com jogadores.

Meidericher: foi a surpresa da temporada inicial da Bundesliga ao terminar na segunda colocação com 39 pontos. Desde 1967, o Meidericher passou a se chamar Duisburg, mas não se fixa em nenhuma divisão desde os anos 80. A situação piorou neste ano. As Zebras terminaram em posição confortável na segunda divisão, mas os problemas financeiros fizeram com que perdesse a licença profissional e fosse rebaixado para a terceira divisão.

Eintracht Frankfurt: as Águias podem não ter mais aquela força vista antes dos anos 90, mas esbanjam vivência na primeira divisão. No total, o Eintracht Frankfurt só não participou de seis edições da Bundesliga. Nesta temporada, as Águias apresentam um elenco cheio de garotos talentosos como Inui, Trapp, Aigner e Rode, e participam, sob a batuta do experiente técnico Armin Veh, da Liga Europa. É o retorno do Frankfurt a um torneio internacional após sete anos.

Borussia Dortmund: apesar de não conseguir defender o título conquistado em 1963, o Dortmund, que acabou em 4º, conseguiu gravar seu nome na primeira edição da Bundesliga. Timo Konietzka, quinto maior artilheiro da história do clube, fez o primeiro gol da nova era do Campeonato Alemão, no triunfo por 3×2 sobre o Werder Bremen. Atualmente o BVB ganhou notoriedade com a vinda do técnico Jürgen Klopp que passou a trazer garotos da base para o time e uma nova mentalidade ao clube. Com isso, o Dortmund se sagrou bicampeão alemão e é o atual vice-campeão europeu.

Stuttgart: os Suábios já eram considerados “grandes” naquela época, hoje ainda mais, porém, passam a impressão de viverem só do nome. Durante toda a história, o Stuttgart só não disputou duas edições da Bundesliga e é presença certa desde a temporada 1976/1977. O último caneco erguido foi em 2006/2007, mas, desde então ocupa posições intermediárias na tabela de classificação.

Hamburgo: não há time que viva mais de nome na Alemanha do que o Hamburgo. É o único clube que disputou todas as edições da Bundesliga, teve o primeiro artilheiro da história do torneio (Uwe Seeler com 30 gols em 30 jogos), foi campeão europeu em 1983 e ergueu três Salvas de Prata, mas não briga pelo título alemão desde os anos 80. É uma mera equipe figurante no país nos dias atuais.

Munique 1860: 7º colocado em 1964, o Munique 1860 corre para não se tornar um patrimônio histórico da segunda divisão alemã. O clube bávaro pode completar uma década na 2. Bundesliga, caso não obtenha o acesso nesta temporada.

Schalke 04: em 1964, os Azuis Reais deram aquela pipocada que lhe é peculiar. No fim do primeiro turno, o Schalke era o vice-líder e lutava pelo título, porém, sua campanha no segundo turno foi a pior entre os 16 times, o que lhe deixou na 8ª colocação ao término do campeonato. Nesta temporada, a equipe de Gelsenkirchen pode completar 56 anos sem conquistar o Campeonato Alemão.

Nürnberg: o tradicional Nürnberg, nove vezes campeão nacional, é o típico caso de clube que se perdeu com o tempo. Dos anos 90 para cá, transita entre as duas primeiras divisões e, desde o título de 1968, teve o 5º lugar em 1988 como melhor resultado. Esta temporada é sua quinta consecutiva na elite.

Werder Bremen: a 10ª colocação pro Werder Bremen, em 1964, era ótima, afinal, era um clube emergente na época. Hoje a história é oposta, porém, acontece com maior frequência. Para esta temporada, os Verdes passaram por uma brusca mudança. Com a enorme pressão, Thomas Schäaf, técnico do time desde 1999, deixou o clube no final da última temporada e deu lugar a Robin Dutt. O Bremen, que não participou de apenas uma edição da Bundesliga, festejará, nesta temporada, uma década de seu quarto e último título alemão.

Eintracht Braunschweig: campeão alemão em 1967, os Leões eram presença constante na primeira divisão alemã até metade dos anos 80. A temporada que se iniciou agora marca o retorno do time à elite após 19 temporadas. Antes disso, o Braunschweig chegou a disputar mais de dez edições da terceira divisão alemã.

Kaiserslautern: clube de torcida apaixonada, o Kaiserslautern perdeu muito de sua força no século XXI. Aliás, esse poderio começou escapar nos anos 90, quando caiu para a segunda divisão em 1996. Neste século os Diabos Vermelhos disputaram quatro edições seguidas da 2. Bundesliga e não estão na elite nesta temporada por terem parado na repescagem, diante do Hoffenheim.

Karlsruher: conhecido por revelar Oliver Kahn, o Karlsruher não possui mais a mesma representatividade que tinha entre os anos 80 e 90, quando participou de 13 edições seguidas da Bundesliga. Sua última aparição na camada mais alta do futebol germânico foi em 2008/2009. Na última temporada foi campeão da terceira divisão.

Hertha Berlin: se você achava a seca de títulos do Schalke grande, é porque não conhecia a do Hertha. O clube da capital alemã foi bicampeão nacional em 1930 e 1931 e, desde então, segue na fila. A Velha Senhora chegou a emendar treze anos consecutivos na primeira divisão, inclusive chegando a quase beliscar a Salva de Prata, mas de 2010 para cá, se tornou um time de rabeira e retornou nesta temporada para a primeira divisão.

Preussen Münster: o Preussen Münster foi rebaixado para sempre na primeira temporada da Bundesliga. Digo isso porque 1963/1964 foi a primeira e única temporada na elite do clube que pode ser considerado vizinho do Borussia Dortmund. Hoje, o Preussen Münster está na terceira divisão.

Saarbrücken: lanterna da primeira edição da Bundesliga, o Saarbrücken tem história irrelevante na primeira divisão. O clube participou apenas de cinco edições do campeonato, tendo o 14º lugar, de 1977, como melhor resultado, e está há 21 temporadas fora da elite. Atualmente disputa a terceira divisão.

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Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.