O futebol que sobrevive nas regiões mais esquecidas do mundo

  • por Lucas Sartorelli
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estadio kiri

Estádio Reuben Kiraua Uatioa, em Kiribati

Recentemente, na Copa das Confederações disputada no Brasil, o mundo conheceu a carismática seleção do Taiti. Apesar de um grupo simpático e unido por seu país, o futebol dos nativos da Ilha do pacífico deixou muito a desejar. Foram 3 jogos e 3 derrotas, com 24 gols sofridos e um a favor. Um claro sinal de que o futebol da Oceania precisa evoluir se quiser enfrentar as seleções mais conhecidas do mundo da bola.

Mas e aqueles que não chegaram a alcançar a Copa das Confederações? E aqueles que sequer disputam torneios oficiais? Nações muitas vezes reduzidas a pequenas ilhas, quase que desconhecidas de boa parte do mundo, sem estádios adequados, sem profissionais à altura e sem investimentos no esporte. Assim podemos nos referir às oito nações soberanas não pertencentes ao quadro de seleções filiadas à FIFA.

Conheça um pouco delas aqui:

Kiribati

kiribati time
A seleção de futebol de Kiribati foi fundada em 1980 e, como membro da Confederação de Futebol da Oceania, pode participar da Copa das Nações.

O país constitui a Micronésia e a Polinésia, é formado de trinta e dois atóis e uma ilha e ocupa uma área muito vasta do Oceano Pacífico, mas que é bem pequeno em termos de área terrestre. Com uma população de pouco mais de 100 mil habitantes, o país tem sua economia baseada na agricultura e na pesca.

No futebol, já foram registrados sete jogos oficiais da equipe nacional, incluindo alguns confrontos internacionais. No entanto, Kiribati nunca conquistou uma única vitória. A maioria das partidas do pequeno país foram disputadas pelos Jogos do Pacífico Sul. Em 1979, o time jogou três vezes na competição, e em duas ocasiões sofreu goleadas humilhantes, perdendo por 13×0 para Papua Nova Guiné e por 24×0 para Fiji .

Em 2003, a equipe tornou-se um pouco mais profissional, tendo a oportunidade de buscar uma primeira vitória. Porém, os esforços ainda não foram suficientes. Kiribati jogou quatro jogos, perdendo por 3×2 para Tuvalu, 7×0 para Ilhas Salomão, 12×0 para Fiji e 18×0 para Vanuatu.

Tuvalu

tuvalu
A equipe nacional de futebol de Tuvalu ingressou na Confederação de Futebol da
Oceania em 2006. No entanto, o país tenta se afiliar à Fifa desde 1987. Com apenas 11.500 habitantes, é o terceiro menor Estado soberano do mundo. Somente Vaticano e Nauru são menos populosos, tornando Tuvalu a nação menos povoada com uma equipe de futebol internacional.

Tuvalu disputa a maioria de seus confrontos nos Jogos do Pacífico e Jogos do Pacífico Sul. Em 1979, nos Jogos do Pacífico Sul, o time entrou em campo em duas oportunidades, perdendo por 18×0 para o Taiti e conseguindo uma histórica vitória sobre Tonga por 5×3.

As eliminatórias para a Copa da África do Sul em 2010 significaram um importante marco para o pobre futebol de Tuvalu. A seleção fez história ao se tornar a primeira equipe não afiliada à FIFA a disputar um jogo de qualificação para Copa do Mundo. A Oceania usou critérios referentes aos Jogos do Pacífico Sul de 2007 e Tuvalu teve o direito de entrar na primeira fase. Pode-se dizer que a equipe teve um bom desempenho, empatando com o Taiti por 1×1, embora não tenha alcançado resultados satisfatórios nos demais jogos.

Após a inédita participação no torneio, Tuvalu reivindicou sua afiliação à Fifa, não concedida até o momento.

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Por Carlos Santos

Palau

palau

Foto: Palau Football Association | Crianças palauanas e o futebol

Praticamente desconhecido e caminhando a passos lentos, o futebol ainda engatinha em Palau. A começar por ser um esporte muito menos popular do que o baseball. Portanto, não é supresa que o número de adultos registrados pela Federação Palauana de futebol seja de cerca de 57 pessoas, com 53 homens e 4 mulheres. Devido ao fato do esporte não ser afiliado a Fifa, algumas regras são modificadas e adaptadas. Os jogos são jogados em 60 minutos com nove jogadores de cada lado e dispõem de jogadores masculinos e femininos em uma mesma equipe. Os times ainda são dominados por jogadores estrangeiros, pois os moradores interessados em futebol são raros. Entre 2008 e 2011, o campeonato nacional não foi disputado devido a falta de pessoal.

Mas Carles Mitchell quer mudar esse quadro. Responsável pela federação de futebol do país desde 2008, o cartola está esperançoso em dar uma nova cara ao futebol na ilha. Em 2011, foram realizados os Jogos Belau, um torneio de futebol planejado para ser um torneio disputado por atletas de diversas idades. Porém, rapidamente se tornou óbvio que não havia jogadores adultos suficientes na ilha. Assim, o torneio foi realizado como uma competição sub 14. Mas há outros planos para a seleção também. O dirigente espera que Pohnpei ofereça um torneio de futebol em 2014, nos Jogos da Micronésia, a ser realizada na própria ilha de Pohnpei. A grande expectativa é reunir quatro seleções e Palau espera ser uma delas.

Recentemente, Palau disputou um amistoso contra Guam e foi derrotada por 15×2.

Vaticano

vaticano

A Cidade do Vaticano, menor Estado soberano do mundo, com menos de 1000 habitantes e cerca de 500 titulares de passaporte (esta é uma estimativa), tem o seu próprio time de futebol nacional. Contudo, não pode competir em torneios sancionados pela Fifa. A equipe é composta principalmente por guardas suíços que têm o dever de garantir a segurança para o Papa e o Vaticano, funções que inviabilizam viagens para jogos em outras regiões.

Até o presente momento, Vaticano só disputou amistosos. A equipe joga de uniforme nas cores branco e amarelo, semelhante à bandeira do país. O primeiro adversário do país foi San Marino (que é membro da Fifa) em 1994 e o jogo terminou empatado em 0x0. A partida foi realizada depois de o Papa João Paulo II aparentemente incentivar a formação de uma equipe nacional. Em 2010, o Vaticano jogou dois jogos. Um deles contra a Palestina (outro membro da Fifa), equipe que nos últimos anos vem ganhando experiência disputando eliminatórias de Copa do Mundo. Não por acaso, a “equipe do papa” perdeu o jogo por 9×1.

Ilhas Marshall

seleção ilhas marshall
Em 2005, houve um torneio envolvendo algumas ilhas da Micronésia, sem fatos conhecidos. Em geral, essa pode ser considerada a única referência quando se trata de futebol nas Ilhas Marshall. O esporte entre os nativos não é muito popular. Os Marshalleses estão mais interessados em jogar os esportes americanos típicos, especialmente basquete e softball. Pode-se dizer que provavelmente há uma associação de futebol na ilha de Majuro e isso é tudo o que é conhecido.

As Ilhas Marshall são o único país soberano que não possui um registro de time de futebol nacional. Mesmo o menor Estado do mundo, a Cidade do Vaticano, com uma área de apenas 0,44 quilômetros quadrados, tem ao menos um resultado oficial até hoje. Mônaco com 2,02 quilômetros quadrados é o segundo menor país reconhecido pelas Nações Unidas.

Micronésia

micronésia 2003

Seleção da Micronésia em 2003

O Estados Federados da Micronésia são formados por quatro principais grupos de ilhas: Chuuk, Kosrae, Pohnpei e Yap. Com exceção de Kosrae, cada estado possui uma associação de futebol própria, que inclusive competiu nos Estados Federados da Micronésia Games, em 2001. Uma equipe conjunta de Chuuk, Pohnpei e Yap competiu como Estados Federados da Micronésia, no Pacifc Jogos Sul-2003. Porém, depois de derrotas pesadas contra as potências da região como Nova Caledônia, Papua Nova Guiné e Taiti, a atividade do modelo diminuiu.

Em 2009, dois treinadores ingleses, Paul Watson e Matthew Conrad se tornaram treinadores da equipe do estado de Ponhpei e em fevereiro de 2010, de todo o país. Entretanto, após alguns jogos amigáveis de Pohnpei em Guam contra clubes da liga local, Watson deixou a Micronésia para procurar uma posição de treinador na Europa. Atualmente, a FSMA (Estados Federados da Micronésia Football Association) luta para que todos os quatro estados possam representar o futebol nos Jogos da Micronésia. A federação visa também a adesão plena à AFC, bem como à FIFA.

Não se sabe se uma seleção estaria preparada para o nível do cenário internacional, porém há indícios de evolução. O país obtêm laços estreitos com Guam, que auxilia a Micronésia para que possam desenvolver seu futebol, patrocinando bolas e kits de jogo.

Nauru

Nauru x Ilhas salomão

Estádio Denig, em Nauru

Em Nauru, o esporte nacional é o futebol australiano, mas o futebol tem seu espaço. Já houve até mesmo torneios organizados na ilha com participação das seleções de Kiribati, Tuvalu e outras. No entanto, desde 2004 não existe futebol organizado no país devido a falta de dinheiro, de pessoal qualificado e ausência de estádio que comporte as partidas. Há vários campos desportivos em Nauru, mas a maioria é usada somente para uso do futebol australiano, com regras e demarcações diferentes das do futebol convencional. O primeiro estádio oficial do país deveria ser o Estádio Meneng. No entanto, em razão da falta de investimentos do governo, a obra vem se arrastando desde 2005 e ainda não foi concluída. Com seu término, a meta de longo prazo é a filiação à FIFA.

O primeiro e único confronto internacional conhecido ocorreu em 1994, contra Ilhas Salomão na casa do adversário e terminou 2×1 em favor dos anfitriões. Não há muitas informações a respeito da partida, porém, é bastante improvável que Nauru tenha atuado com sua equipe nacional completa. Há também boatos de um jogo contra Kiribati em casa, porém, fala-se que a equipe adversária era formada apenas de pessoas que trabalham em Nauru.

Mônaco

monaco

Apesar do futebol figurar entre os principais esportes do Principado de Mônaco, o pequeno país não possui laços externos e é regido pela Federação Monegasca de Futebol que, apesar de não ser membro da FIFA ou UEFA, tem adesão à NF-Board, entidade que organiza campeonatos entre seleções nacionais não reconhecidas. A federação administra o time de futebol nacional e as três copas domésticas jogados no território local.

Recentemente, a seleção do país aceitou o convite para disputar a Copa do Mundo VIVA, na qual terminou em segundo lugar, depois de perder a final para a Lapônia por 21×1.

Em meio a tanto amadorismo, figura o AS Monaco, clube altamente bem sucedido, formado quase que inteiramente por jogadores não-monegascos e que em 2011 foi comprado pelo bilionário russo Dmitry Rybolovlev.

Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.

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