A evolução do futebol na Jordânia

Jordania

A maior surpresa das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014 é, sem sombra de dúvidas, a Jordânia. Ao bater o Uzbequistão, nos pênaltis, a seleção local classificou-se para a repescagem mundial, na qual enfrentará a quinta colocada das Eliminatórias da CONMEBOL, provavelmente o Equador ou o Uruguai.

Pequeno país do Oriente Médio, a Jordânia não possui dinheiro proveniente do petróleo como seus vizinhos, mas tem um povo que ama o futebol e um belíssimo estádio, o Amman International Stadium, chamado também de Estádio Rei Abdullah, inaugurado em 1963.

A Associação de Futebol da Jordânia (JFA) foi criada em 1949 e se filiou à FIFA em 1958. A liga local, porém, cujo maior campeão é o Al-Faysali, do capitão Amman, é realizada desde 1944.

A partir da chegada do príncipe Ali Bin Al-Hussein à presidência da JFA, no início do século XXI, o futebol na Jordânia começou a modernizar-se, principalmente com a vinda de treinadores experientes e conhecidos do continente. Deste modo, a Jordânia pôde alçar novos voos e já chega a sonhar com vaga na Copa do Mundo 2014.

Hussein no prêmio da FIFA em 2013. (Foto:Christof Koepsel/Getty Images Europe)

Hussein no prêmio da FIFA em 2013.
(Foto:Christof Koepsel/Getty Images Europe)

Eliminatórias e Copa da Ásia

A seleção jordaniana reuniu-se pela primeira vez em um amistoso vencido contra a Síria (3×1), no Egito, em 1953, mas só foi participar de uma Eliminatória de Copa em 1986. Neste ano, estreou com vitória (1×0 sobre o Qatar), mas três derrotas a deixaram na lanterna do grupo B, que ainda contava com o Iraque, que iria àquela Copa.

Quatro anos depois, Qatar e Iraque voltaram a se colocar à frente dos jordanianos, assim como Omã. Duas vitórias sobre Omã e um empate com o Qatar foram insuficientes para classifica-los à segunda fase.

Em 1993, a equipe só venceu o Paquistão (duas vezes) e terminou na quarta colocação no grupo que contava ainda com Iraque (de novo), China e Iêmen. Além das duas vitórias, a campanha contou com três empates (duas vezes contra Iêmen e uma contra o Iraque) e três derrotas.

Em 1997, o grupo 3 asiático contava com três equipes e a Jordânia chegou à última rodada com chances remotas, mas para isso teria que vencer os Emirados Árabes fora de casa. Perdeu e ficou em segundo no grupo, à frente de Bahrain.

Um novo século chegou e os resultados continuaram médios. No grupo 7 das eliminatórias para a Copa de 2002, os duelos com Taiwan foram vencidos pelos jordanianos, que não foram páreos para o líder Uzbequistão e o vice-lider Turcomenistão.

Na Copa da Ásia de 2004, a seleção fez uma campanha surpreendente, chegando à fase principal pela primeira vez, eliminando Kuwait e Emirados Árabes na fase de grupos e chegando as quartas de final da competição, quando foi eliminada, apenas na disputa de pênaltis, pelo campeão Japão.

Nas eliminatórias para a Copa de 2006, realizadas em 2004, a evolução continuou visível. A Jordânia fez um primeiro turno impecável, vencendo Laos (5×0) e Qatar (1×0) em casa e protagonizando uma vitória sensacional contra o Irã em Teerã (0x1). No returno, porém, a equipe perdeu para o Irã no final (2×0, gols aos 35 e 46 do segundo tempo) e venceu Laos por 3×2, chegando à última rodada precisando de goleada para se classificar. Perdeu por 2×0 para o Qatar, finalizando sua campanha em segundo no grupo (12 pontos).

Nas eliminatórias para a Copa da Ásia de 2007, realizadas em 2006, a equipe não conseguiu classificação para a fase principal da competição, sendo eliminada por Emirados Árabes e Omã.

Nas eliminatórias para 2010, começou perdendo para o Quirquistão (2×0), igualando o marcador na partida de volta e vencendo nos pênaltis. Na fase de grupos, nova desclassificação, após derrotas em casa para as duas Coréias e vitórias apenas sobre o Turcomenistão.

Na Copa da Ásia de 2011, bela campanha mais uma vez. A seleção empatou com o Japão e eliminou Síria e Arábia Saudita na fase de grupos. Nas quartas de final, foi eliminada pelo Uzbequistão (2×1), finalizando a competição na sexta colocação.

Ainda em 2011, no início das eliminatórias para a Copa de 2014, a Jordânia foi arrasadora na fase de grupos e conquistou 4 vitórias nas 4 primeiras partidas, incluindo uma contra o Iraque, fora de casa. Mesmo com derrotas para o Iraque e China (já em 2012), avançou com 12 pontos, três a menos que os iraquianos.

Na quarta fase, que definiria os classificados nas vagas diretas e os credenciados à repescagem, a Jordânia alternou bons e maus resultados. Estreou empatando em casa com o Iraque (1×1), foi goleada pelo Japão (6×0), venceu a Austrália (2×1) e sofreu nova derrota, para Omã (2×1).

No returno, o Iraque venceu em Doha, com um gol a 4 minutos do final do jogo, mas uma incrível vitória sobre o Japão (2×1) recolocou a equipe na briga. Era necessário, porém, pelo menos empatar com a Austrália em Melbourne. Os 4×0 tiraram a equipe da briga pela vaga direta.

No último jogo, era preciso vencer Omã, a terceira colocada do grupo até então. O gol de Hayel, aos 13 minutos do segundo tempo, classificou a Jordânia para a repescagem asiática pela primeira vez.

O adversário e grande favorito era o Uzbequistão, que segurou o empate em 1×1 na primeira partida, em Amman. No jogo de volta, Ismailov abriu o placar logo aos 5 minutos, evidenciando a superioridade técnica uzbeque. No final da primeira etapa, porém, a Jordânia “achou” um gol, nos pés de Murjan, e segurou o empate que levaria a partida às penalidades.

Nos pênaltis, o mesmo Hayel teve a chance de classificar os jordanianos, mas perdeu o gol e levou a disputa para os tiros alternados. Foram necessárias mais 10 cobranças, 5 de cada lado, para Ismailov bater nas mãos do goleiro Sabbah. No final, Jordânia 9×8 e uma classificação inédita para a repescagem.

Jogadores comemoram a classificação. (Fonte: AP)

Jogadores comemoram a classificação. (Foto: AP)

Claramente, a Jordânia ainda não está na elite do futebol asiático, mas hoje vive sua maior chance de disputar uma Copa do Mundo, algo impensável até anos atrás.

Nas eliminatórias para a edição de 2015 da Copa da Ásia, a firme campanha se repete. A equipe venceu Singapura (4×0) e conseguiu um resultado importante na Síria (1×1). Após as duas rodadas, está dois pontos atrás de Omã, líder do grupo com duas vitórias.

Outros torneios

Os principais torneios que a Jordânia disputa, além da Copa da Ásia e Eliminatórias da Copa do Mundo, são o campeonato da WAFF (Ásia Ocidental), a Copa das Nações Árabes e os Jogos Pan-Árabes.

No campeonato da WAFF, os melhores resultados são dois vice-campeonatos (derrota para o Iraque em 2002 e para o Irã em 2008), enquanto na Copa das Nações Árabes a equipe tem as semifinais de 1988 e 2002 como melhores participações.

Nos Jogos Pan-Árabes, o país conseguiu os únicos títulos internacionais de relativa importância, vencendo em 1997 (vencendo a Síria) e 1999 (contra o Iraque). Na última edição da competição, em 2011, a Jordânia foi vencida na final pelo Bahrain (1×0).

Clubes locais

Os times jordanianos sequer participam da Liga dos Campeões da Ásia. Isso porque a AFC promove seus campeonatos continentais como se fossem divisões e um país só pode enviar representante para a Liga dos Campeões se cumprir uma série de fatores. Em 2013, a Jordânia tentou a qualificação, mas não conseguiu pontuação necessária e tem direito a apenas duas vagas na AFC Cup, uma espécie de segunda divisão. 

O Al-Faisaly, atual campeão do campeonato e copa locais, está praticamente nas semifinais, após vencer o Kitchee, de Hong Kong, fora de casa no jogo de ida das quartas. O Al-Ramtha, vice-campeão local em 2012, foi eliminado na fase de grupos.

A paixão da torcida do Al-Faisaly pelo clube.  (Foto: Reprodução)

A paixão da torcida do Al-Faisaly pelo clube.
(Foto: Reprodução)

O país já faturou a competição três vezes: o Al-Faisaly venceu em 2005 e 2006 e foi derrotado pelo Shabab Al-Ordon em 2007. Desde esse ano, porém, nenhuma equipe jordaniana chegou à final.

Jogadores e o time atual

Mohammad Awad, morto em 2012, pode ser considerado a principal estrela da história do futebol jordaniano. Como jogador, venceu a liga local por 10 vezes, todas que disputou, pelo Al-Faisaly. Como técnico, assumiu a seleção em 1985 e ficou até 1999, tendo guiado a equipe às principais conquistas da história.

Hoje, o nome mais conhecido da seleção está no banco. O egípcio Hossam Hassan, que participou da Copa de 1990 e venceu três Copas das Nações Africanas pelo seu país, é o técnico.

Hassan durante as Eliminatórias. (Foto:Reprodução)

Hassan durante as Eliminatórias.
(Foto:Reprodução)

O atual elenco é composto por jogadores que atuam no futebol da região, em especial a Arábia Saudita, o Kuwait e a própria Jordânia.

Dois jogadores tem experiência europeia: o meia Odai Al-Saify e Abdullah Deeb. Al-Saify teve passagens pelo Skoda Xanthi (Grécia) e Alki Lanarca (Chipre) e hoje atua no Al-Salmiya, do Kuwait, enquanto Deeb atuou no Mechelen (Bélgica) e hoje joga no Al-Orubah, da Arábia Saudita.

Outros atletas de algum sucesso são o capitão Amer Khalil, o zagueiro Anas Bani Yaseen, e os vice-artilheiros das eliminatórias asiáticas, Hassan Abdel-Fattah e Ahmad Hayel.

Escalação da Jordânia no jogo decisivo. (Foto:Reprodução)

Escalação da Jordânia no jogo decisivo.
(Foto:Reprodução)

Notas:

– Em novembro de 2013, haverá votação na AFC para definir se os moldes das competições continentais se manterão para o ano que vem. A sugestão é que 23 países sejam representados na Liga dos Campeões e que a final dessa competição seja em jogo único.

– A campanha nas eliminatórias de 2014 engloba um mau resultado para a Jordânia. Ranqueada 13ª na Ásia e 83ª no Ranking da FIFA, a seleção enfrentou o Nepal, número 147 do Ranking, e empatou em 1×1. O “porém” é que era a partida de volta, com o time praticamente reserva, e a partida de ida tinha sido 7×0 para os jordanianos.

– A melhor posição da Jordânia no ranking da FIFA é o 37º lugar, conquistado em agosto de 2004. Hoje, a equipe é a 73ª colocada, a 6ª da Ásia, à frente, por exemplo, de Togo, Trinidad e Tobago, Angola, China, Arábia Saudita e Coreia do Norte, seleções que disputaram Copas do Mundo neste século.

Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.

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