A lesão de Ronaldinho Gaúcho

  • por Edson Vinicius
  • 4 Anos atrás

Hoje foi anunciado pelo departamento médico do Atlético Mineiro que o astro da equipe, Ronaldinho Gaúcho, sofreu, durante um treinamento (o técnico Cuca revelou que na verdade foi durante um “dois toques”, antes do treino pra valer), grave lesão no músculo adutor da coxa esquerda. Exame de ressonância magnética feito no jogador revelou ruptura total do músculo, o que poderá tirá-lo da disputa do mundial de clubes em dezembro, já que o tempo de recuperação deverá ser prolongado, em torno de três meses. Tratamento intensivo já foi iniciado pelo clube mineiro para que o atleta consiga recuperar-se a tempo.

Os músculos adutores da coxa são um conjunto de 6 músculos – Pectíneo, Adutor Longo, Adutor Curto, Adutor Magno, Grácil e Obturador Externo -, que localizam-se na parte interna das coxas, estendendo-se do joelho até a virilha, tendo a função de executar o movimento de fechamento das pernas, chamado de adução do quadril. Essa musculatura, juntamente com os músculos ísquios tibiais, são os principais responsáveis pelo movimento da pelve e também têm por função a estabilização do quadril durante movimentos dos membros inferiores, como correr, chutar, saltar e virar-se.

Essa lesão acomete aproximadamente 15% dos esportistas, tendo uma incidência maior em corredores e jogadores de futebol. Nesses últimos, o músculo mais comumente acometido é o adutor longo, geralmente ocorrendo durante uma das fases do movimento de chute.

Alguns fatores de risco estão relacionados às lesões dos adutores: diminuição da força, a limitação no afastamento das coxas e o baixo condicionamento muscular; alterações posturais como a pronação excessiva dos pés e assimetria dos membros inferiores; e desequilíbrio  e fadiga muscular, provocados por uso excessivo e pouco tempo de descanso.

Os sintomas mais frequentes são dor na virilha, na parte superior dos músculos adutores, podendo se irradiar para perna, ou dor num ponto específico da região interna da coxa; dor ao fechar a perna (adução resistida); e dor ao levantar a coxa (flexão do quadril).

A lesão é classificada em três graus:
-Grau I: há um estiramento do músculo, com envolvimento de aproximadamente 10% das fibras musculares.
-Grau II: Há ruptura parcial da musculatura, com envolvimento de 80-90% das fibras musculares
-Grau III: há ruptura sub-total ou completa do músculo, com acometimento de mais 90% das fibras musculares.

O diagnóstico é feito pelo exame físico, com observação minuciosa da face interna da coxa, e corroborado por exames de imagem, como o ultrassom local e em especial a ressonância magnética, que fornecem informações precisas sobre o tamanho da lesão.

O tratamento depende do grau do acometimento, de acordo com a classificação descrita acima. Em geral, são prescritos anti-inflamatórios, compressas de gelo, repouso do local acometido e tratamento fisioterápico. Em casos de ruptura total, o tratamento cirúrgico pode ser necessário. Casos de grau I normalmente são resolvidos em 15 dias. 4 a 6 semanas podem ser necessárias para a recuperação total em casos de grau II. E no pior dos cenários, grau III, mais de 3 meses podem decorrer entre a lesão e a volta aos gramados.

Ronaldinho já teve lesão semelhante, porém na coxa direita, quando jogava no Barcelona, em 2008. Na ocasião, ficou afastado dos gramados pelo clube catalão por aproximadamente seis semanas, sendo nesse intervalo negociado com o Milan. E só voltou a disputar um jogo, já então no clube italiano, quatro meses após a contusão. Hoje, com uma lesão aparentemente mais grave que aquela, e cinco anos mais velho, conseguirá o mágico da bola se recuperar em tempo de abrilhantar mais ainda o mundial da FIFA e conquistar o único título que ainda lhe falta?

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Médico clínico geral e geriatra, apreciador do bom futebol, doente pelo Flamengo e viúva de Zico!