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Da final da Libertadores à série C – O azul que desbotou

São Caetano 1×2 Olímpia, Pacaembu, final da Libertadores de 2002:

Após vencer o jogo de ida no Paraguai pelo placar mínimo, o São Caetano só precisava de um empate para alcançar a taça mais importante das Américas. E chegou a sair na frente, com gol do meia Aílton (que também havia marcado no primeiro jogo), tornando ainda melhor o que já era bom. No entanto, após um verdadeiro apagão da defesa no segundo tempo, a torcida que lotou o estádio viu os paraguaios empatarem e virarem o jogo, forçando uma decisão nos pênaltis. Abalado psicologicamente pelas circunstâncias da partida, o time de São Paulo desperdiçou duas cobranças (com Marlon e Serginho) e, diante de um Olímpia frio e impiedoso, saiu derrotado em casa de uma forma da qual nunca mais esqueceria.

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Foto: Reprodução | Fim do sonho da América pro azulão

ODD Shark
Onze anos depois, com o time em pedaços, amargando desgostosos lugares na série A2 do campeonato Paulista e na série C do Campeonato Brasileiro, a perda daquele troféu, de fato, nunca foi tão lembrada e as possíveis consequências daquele hipotético título conquistado ainda assombram os arredores do Anacleto Campanella.

Caso a famosa taça das Américas estivesse hoje guardada na sala de troféus do Azulão, seu destino teria sido diferente?

Um inopinado São Caetano x Real Madrid e seus galáticos na final do Mundial Interclubes teria levado o clube do ABC a que patamar?

O time comandado por Jair Picerni vinha numa crescente extrema desde 2000, onde apareceu no cenário nacional eliminando gigantes do futebol brasileiro na extinta Copa João Havelange. Nutrido com volumosos investimentos de patrocinadores e da prefeitura da cidade, o azulão montava times tão bons bons e competitivos quanto os grandes da capital paulista.

Dois anos após o trágico vice da Libertadores, em 2004, tudo parecia correr bem com um inédito título paulista, decidido contra o interiorano Paulista de Jundiaí no mesmo Pacaembu. Muricy Ramalho era o treinador do time e com jogadores como Mineiro e Marcinho, a equipe atropelou e venceu os dois jogos da decisão. Entretanto, meses depois, a morte do zagueiro Serginho em campo marcaria permanentemente e de forma triste a história do clube, fato que de alguma forma anunciava os anos de abalo e decadência que estavam por vir.

Sérginho

Foto: Reprodução | Serginho recebe atendimento. Não adiantou

O último respiro ocorreu em 2007, onde o time comandado por Dorival Junior alcançou mais uma final de campeonato paulista, dessa vez perdendo para o Santos e ficando com mais um vice campeonato.

Parecia o fim de uma era.

Pouco tempo depois, os patrocínios minguavam, as contratações já não eram tão certeiras e o pequeno Davi já não oferecia mais tanta resistência aos Golias.

Foto: Reprodução | O time em 2013: crise sem fim

Foto: Reprodução | O time em 2013: crise sem fim

E a lembrança do jogo contra o Olímpia vem à cabeça.

E se?

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.