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Despertar

O Brasil ergueu o troféu da Copa das Confederações pela quarta vez (Foto: AFP).

O Brasil ergueu o troféu da Copa das Confederações pela quarta vez (Foto: AFP).

O Brasil vivia clima de manifestação nas ruas quando começou a Copa das Confederações. Estudantes, trabalhadores, aposentados e gente de todo tipo saiu às ruas protestando contra as mazelas políticas, econômicas e sociais do país. A movimentação, ainda que difusa, fez as pessoas voltarem a sair de casa para exigir mudanças, atitude que andava faltando.

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Enquanto o povo acordava nas ruas, a Seleção Brasileira fazia o mesmo nos gramados. Desacreditado e vacilante, o escrete canarinho abriu o torneio contra o Japão. E, logo no começo, a jovem estrela Neymar acertou um belíssimo chute que anunciava grandes mudanças.

Assim, a fase de grupos começou a se desenrolar sem grandes surpresas. Brasil e a Itália, de um lado, despacharam México e Japão. Neymar foi o grande destaque individual do grupo. Do outro lado, a campeã mundial Espanha mal se esforçou para ganhar seus três jogos, marcando quinze gols, com direito a um 10×0. O Uruguai foi o segundo colocado.

Mas a grande atração dessa fase foi a Seleção do Taiti. A equipe da Oceania conquistou o carinho dos brasileiros com sua postura despojada e humilde. Os adversários, inclusive, ganhavam colares típicos do país quando da entrada dos times em campo. Mas a grande presenteada foi a cidade de Belo Horizonte, que viu Jonathan Tehau marcar o único gol taitiano no torneio. A comemoração no estádio do Mineirão foi digna de um Cruzeiro x Atlético, clássico local.

Taitianos "remam" na comemoração do gol de Tehau. O jogo foi 6x1 para a Nigéria, mas quem liga? (Foto: Getty).

Taitianos celebram gol de Tehau remando. O jogo foi 6×1 para a Nigéria, mas quem liga? (Foto: Getty).

Nas semifinais, tensão. O Brasil enfrentou o Uruguai em uma partida eletrizante no Mineirão. Pouco após o início, David Luiz cometeu pênalti em Lugano. Mas Júlio César salvou a pele do companheiro e da Seleção Brasileira, defendendo a cobrança de Forlán. O jogo prosseguiu, e saíram gols de Fred e Cavani. O empate persistiu até os 40 minutos da etapa complementar, até Paulinho marcar de cabeça e colocar o Brasil na decisão. A Espanha encarou a Itália em Fortaleza. A partida teimou em continuar empatada em 0x0. Nada violaria as redes de Buffon e Casillas e, assim, a finalista seria definida nos pênaltis. A disputa teve 7 cobranças para cada lado. O italiano Bonucci foi o único a desperdiçar, eliminando sua Seleção.

Os italianos ainda se consolariam com o terceiro lugar, que também foi decidido nas penalidades máximas após um bom jogo contra o Uruguai, que terminou em 2×2. As cobranças de pênaltis, nas quais Buffon brilhou e defendeu os chutes de Forlán, Cáceres e Gargano, terminaram em 3×2 para a Azzurra.

A decisão entre Brasil e Espanha era um jogo há muito aguardado. Apesar da fraca fase recente, a Seleção Brasileira ainda é a maior vencedora do futebol mundial, enquanto a Espanhola dominava as últimas competições com autoridade e um estilo de jogo envolvente e letal. A Fúria era franca favorita, mas não resistiu. O Brasil sufocou a troca de passes da Espanha sem dar margem a contestações: 3×0, gols de Fred (2) e Neymar, e anulação completa dos craques Xavi e Iniesta pela defesa.

Mesmo caído no chão, Fred abre o placar na final (Foto: Folha).

Mesmo caído no chão, Fred abre o placar na final (Foto: Folha).

Mesmo que não seja exatamente a maior glória do mundo, a conquista da Copa das Confederações serviu para a Seleção Brasileira resgatar a confiança e o respeito dos adversários. O Brasil ainda não é o grande favorito ao título da Copa do Mundo de 2014, mas, sem dúvidas, é novamente um candidato de respeito.

Brasil campeão da Copa das Confederações 2013. Em pé, da esquerda para a direita: Paulinho, David Luiz, Júlio César, Fred e Thiago Silva. Agachados: Neymar, Daniel Alves, Oscar, Marcelo, Hulk e Luiz Gustavo.

Brasil campeão da Copa das Confederações 2013.
De pé, da esquerda para a direita: Paulinho, David Luiz, Júlio César, Fred e Thiago Silva.
Agachados: Neymar, Daniel Alves, Oscar, Marcelo, Hulk e Luiz Gustavo.

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Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.