“Não acredito!”

  • por Henrique Joncew
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Não teve pênalti defendido, não teve gol salvador no apagar das luzes: o Atlético Mineiro repetiu o vexame do Internacional em 2010 e foi eliminado na semifinal do Mundial Interclubes. O carrasco foi o Raja Casablanca, que voltou a surpreender o mundo do futebol, após eliminar o Monterrey, do México, nas quartas-de-final, e vai encarar o Bayern de Munique na final da competição.

Podem-se apontar dois importantes pontos que custaram ao Galo a vaga na decisão: a displicência, no primeiro, e a afobação, no segundo.

Na primeira etapa, o alvinegro chegava com facilidade ao ataque, com muito espaço na intermediária de ataque e nas laterais. Entretanto, faltou esmero na construção das jogadas e incisividade na hora de buscar o gol, e atenção aos poucos ataques da equipe alviverde, que chegou com perigo duas vezes. O Galo, displicente, jogava como se sua superioridade técnica em relação ao Raja terminasse por decidir a partida a qualquer momento.

Após o intervalo, logo aos seis minutos da etapa complementar, o time marroquino abriu o placar com Iajour, em um contra-ataque que mostrou que as chances criadas no primeiro tempo não serviram de alerta quanto à postura relaxada do adversário. O Raja, é claro, recuou em campo para segurar o resultado, dando ao Atlético espaço para buscar o empate. E a igualdade veio, em belíssima cobrança de falta de um Ronaldinho pouquíssimo inspirado na partida.

Aí entrou a afobação. Cuca lançou o Galo inteiro ao ataque. O alvinegro não geriu a posse de bola com inteligência para vencer. O gol tinha que vir de qualquer modo. Alguém que não soubesse do que se tratava a partida pensaria que o Raja Casablanca jogava pelo empate.

Assim, o time alviverde, que até sofrer o gol de empate havia chegado poucas vezes, teve diversas chances de investir em velocidade contra uma defesa desnecessariamente vulnerável. Em uma dessas oportunidades, Réver fez pênalti em Iajour. Dessa vez, Victor não operou milagre e Moutouali, o melhor jogador da partida, anotou o segundo gol do time da casa. A afobação virou desespero, e o desespero virou pesadelo quando Mabide fechou o placar no fim da partida.

Enquanto isso, a torcida que viu o Atlético vencer a Libertadores sob os brados de “eu acredito!” teve um novo encontro com o inacreditável, mas desta vez, prefere não acreditar.

Moutaouali marca aos 39 do 2° tempo e coloca o Raja em vantagem (AFP Photo/Gerard Julien)

Moutaouali marca aos 39 do 2° tempo e dá a vantagem ao Raja, que viria a ampliar o placar e eliminar o Galo, contra todas as probabilidades (AFP Photo/Gerard Julien).

FICHA TÉCNICA: Raja Casablanca x Atlético Mineiro

Local: Le Grand Stade – Marrakesh, Marrocos.

Data e horário: 18/12/2013, às 17h30min (horário de verão de Brasília).

Árbitro: Carlos Velasco Carballo (Espanha).

Auxiliares: Roberto Alonso Fernandez (Espanha) e Juan Carlos Yueste Jimenzes (Espanha).

RAJA CASABLANCA

Askri; El Hachimi, Oulhaj, Benlamalem, Karrouchy; Guehi, Erraki, Moutouali [C], Chtibi (Mabide), Hafidi (Kanda); Iajour (Coulibaly).

Técnico: Faouzi Benzarti.

ATLÉTICO MINEIRO

Victor; Marcos Rocha (Luan), Leonardo Silva, Réver [C] e Lucas Cândido (Alecsandro); Pierre, Josué (Leandro Donizete), Diego Tardelli, Ronaldinho, Fernandinho; Jô.

Técnico: Cuca.

Gols: Iajour (6min), Ronaldinho (18min), Moutaouali (pen, 39min) e  Mabide (49min), todos no segundo tempo.

Cartão amarelo: Réver.

Geólogo. Fã de futebol, Fórmula 1, paleontologia, astronomia e pirataria desde criança. Belo horizontino, cruzeirense e líbero, armador ou atacante canhoto. Tem Zidane e Velociraptor como grandes ídolos e modelos de vida. Gosta de batata frita, do espaço e de combater o crime à noite sob o disfarce de Escorpião Negro.

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