Um rugido leonino no México

Foto: Reuters - A celebração dos campeões.

Foto: Reuters – A celebração dos campeões.

No último domingo, 15, o México conheceu o seu novo campeão nacional. Diante de 96.676 pessoas, o Léon logrou êxito em sua empreitada e calou o estádio Azteca. O torcedor do América – adversário do León na final – mal podia acreditar que, em sua casa, o placar de 3×1 não era a seu favor e, mais do que isso, não conseguia entender como um clube que há duas temporadas estava na segunda divisão e na última terminou o campeonato apenas na 15ª colocação alcançara a conquista do título mexicano.

O Léon é um dos times mais tradicionais do futebol mexicano, sendo o sexto clube que mais vezes conquistou o campeonato nacional. Entretanto, viveu dias muito tensos na última década.

Entre 2002 e 2012, a equipe permaneceu na segunda divisão mexicana. Nesse período, uma forte crise financeira quase fez com que o clube tivesse que ser vendido. No entanto, com toda a sua grandeza, o León recrutou um forte elenco de jogadores experientes e com seu rugido assombrou toda a nação.

Em sua vitoriosa saga, o time atuou no tradicional esquema 4-4-2, com duas linhas de quatro homens e dois atacantes. A meta da equipe titular foi defendida pelo golquíper Yarbrough, mexicano de origem norte-americana, formado no Pachuca e reserva da seleção nacional nas Olimpíadas de Londres.

A defesa tinha na lateral direita o zagueiro improvisado Jonny Magallón, que esteve na Copa do Mundo da África do Sul. Pelo centro da zaga atuaram Rafa Márquez, ex-Barcelona e que dispensa maiores apresentações, e Ignácio “Nacho” González, que pensou várias vezes em abrir mão da carreira em razão das dificuldades ao longo do percurso (majoritariamente percorrido na segunda divisão do país). Já a lateral esquerda foi ocupada pelo lateral esquerdo Edwin Hernández.

Reprodução Record.com.mx - Rafa Márquez, um dos principais destaques da campanha do León.

Reprodução Record.com.mx – Rafa Márquez, um dos principais destaques da campanha do León.

Na contenção, Los Esmeraldas contaram com o baixinho José Vázquez. Seu 1,66m poderia parecer pouco, mas, considerando que ele foi o único marcador do meio-campo, o volante mostrou-se um gigante – a defesa do Léon foi a segunda menos vazada do campeonato na fase classificatória. Jogando a seu lado, mas com menos obrigações defensivas atuou o centro-campista Carlos Peña. O jovem de 23 anos é uma das novas apostas da seleção mexicana e é tido como nome certo de La Tricolor para a Copa de 2014.

Abertos pelos lados atuaram o colombiano Eisner Loboa pelo flanco direito e o mexicano Luis Montes pelo esquerdo. Os dois jogadores, quando a equipe atacava, tinham muita liberdade, mas também possuíam como uma de suas principais funções a recomposição do meio-campo quando o time era ameaçado. Montes, a exemplo de Peña, também tem tido algumas chances na seleção do México.

O ataque foi composto pelo uruguaio Matías Britos e pelo experiente centroavante argentino Mauro Boselli. Ao primeiro coube a função de circular pelo ataque e criar jogadas, já o segundo ficou por conta de balançar as redes. Ao todo, Boselli marcou 11 gols e foi o vice-artilheiro do torneio.

Reprodução: Ole.com.ar - Artilheiro, o argentino Boselli marcou 11 gols na vitoriosa campanha da equipe.

Reprodução: Ole.com.ar – Artilheiro, o argentino Boselli marcou 11 gols na vitoriosa campanha da equipe.

Outro nome que precisa, necessariamente, ser citado é o do treinador Gustavo Matosas, ex-jogador, que teve, inclusive, rápida passagem pelo São Paulo de Telê Santana. Ele assumiu a equipe em 2012, e apesar das dificuldades conseguiu mantê-la na primeira divisão. Veio 2013, e com mais tempo e prestígio, o argentino naturalizado uruguaio pode aparar as arestas do time. Ele tem sido apontado pela imprensa mexicana como o principal responsável pelo brilho de Las Esmeraldas.

Com uma média de idade de 27 anos, o León, tal qual uma fênix, ressurgiu das cinzas. O hexacampeonato mexicano sugere o início de um futuro promissor para La Fiera. Em 2014, o clube terá a Copa Libertadores da América pela frente e rivalizará na primeira fase com o Flamengo. Quem sabe a equipe não volta aos bons tempos das décadas de 40 e 50, quando foi tetracampeão nacional? Quem viver verá. Enquanto isso, na terra dos Astecas só se ouve rugidos leoninos.

Ficha técnica do jogo decisivo:

América 1 x 3 León

Estádio Azteca, Cidade do México

Árbitro: Roberto García Orozco

Público 96.676

Gols: 12′ Boselli, 51′ Ignácio González e 72′ Edwin Hernández (Léon); 42′ Ignácio González contra (América).

América: Muñoz; Mosquera, Valenzuela, F. Rodríguez; Layún, Medina, Sambueza, Mendoza, Aguilar; Jimenez e Mina. Téc. Antonio Mohamed

León: Yarbrough; Magallón, Rafa Márquez, Ignácio González, Edwin Hernández; Vázquez, Peña, Loboa, Montes; Britos e Boselli. Téc. Gustavo Matosas

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Advogado graduado pela PUC Minas, pós-graduando em Direito Desportivo e Negócios do Esporte, 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no "O Futebólogo", meu blog, e no "Bundesliga Brasil".