ENTENDA O DRAMA DE FALCAO GARCÍA

  • por Edson Vinicius
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DRAMA FALCAO GARCIA

Em 22 de janeiro desse ano, o atacante colombiano Radamel Falcao García, estrela da seleção seu país, sofreu grave lesão no joelho esquerdo em uma partida válida pela Copa da França, após sofrer uma falta dentro da área (não assinalada pelo árbitro) aos 40 minutos do primeiro tempo da partida. Exames posteriores diagnosticaram uma ruptura do ligamento anterior cruzado do referido joelho. Três dias depois do incidente, o jogador foi operado com sucesso em Portugal.

O ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho é uma estrutura constituída por fibras de colágeno e está localizado na parte central da cápsula articular, fora da cavidade sinovial. Tem como função ajudar na estabilidade do joelho.

Foto: gepeffs.com.br

Foto: gepeffs.com.br


A causa mais comum na lesão do LCA é a entorse do joelho, ocasionada por rotação interna da coxa associada a uma rotação da perna para fora (torção do joelho com o pé fixo no chão). Em geral, ouve-se um “estalo” no momento da entorse, causado pela ruptura do ligamento, seguida de forte dor local. Após a lesão, o joelho fica instável, com uma sensação de “falseio”.

O diagnóstico é feito através de exames de imagem, sendo a ressonância magnética nuclear o mais acurado.

O tratamento pode ser feito através de anti-inflamatórios, repouso e fortalecimento da musculatura da coxa (em caso de lesão parcial) ou da cirurgia para substituir o ligamento por um enxerto – geralmente proveniente do próprio paciente e extraído do tendão patelar ou do tendão dos músculos flexores do joelho. O tratamento cirúrgico é realizado em casos de ruptura total, mas, em casos de atletas profissionais, mesmo lesões parciais são determinantes para o procedimento operatório.

A reabilitação pós operatória acontece de maneira gradual e dura em média 6 meses. O enxerto é progressivamente transformado em um ligamento, parecido com o retirado, em um processo de revascularização que ocorre entre a sexta e a vigésima semana após a cirurgia. É de suma importância durante todo esse período que haja um acompanhamento médico e fisioterápico, evitando esforços excessivos e que comprometam a recuperação da estrutura. Ainda assim, mesmo após a recuperação da amplitude de movimento e da força muscular, estudos mostram que depois de dois anos ainda podem ser encontradas assimetrias entre a perna operada e a sadia, pela menor potência de movimentos do joelho acometido.

Como se vê, Falcao García corre contra o tempo para poder participar da Copa do Mundo. O período citado de seis meses de recuperação excede a data de início do torneio. Mas, segundo palavras do médico que o operou, o português José Carlos Noronha, “há possibilidade, e a luz no fim do túnel não é pequena”. O mundo do futebol, os colombianos e nós brasileiros torcemos por isso, e aguardamos Radamel aqui no Brasil em junho.

Médico clínico geral e geriatra, apreciador do bom futebol, doente pelo Flamengo e viúva de Zico!