De cabeça para baixo

  • por Mozart Maragno
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A vida nos surpreende. Muita gente que conhece meus textos e opiniões sabe da pouca simpatia por Muricy Ramalho, o inimigo público número 1 dos jogadores da base. Ao mesmo tempo, vi com bons olhos o trabalho de Oswaldo de Oliveira no Botafogo com as categorias inferiores, revelando alguns bons valores para o Brasil. Só que 2014 parece ter feito as cartas se embaralharem.

O leitor mais atento deve pensar: “mas Geuvânio e Gabriel são os destaques do Santos na temporada”. Explico. Só estão jogando por dois motivos. Primeiro porque as tentativas de contratações se mostraram frustradas, caso, especialmente, do chileno Eduardo Vargas. Houve, também, a lamentada saída de Montillo. Oswaldo confessou que sequer conhecia Geuvânio e Gabriel era considerado imberbe, imaturo ainda.

Além desse primeiro fator, veio a consequente necessidade de usar ambos na estreia diante do XV de Piracicaba, que foi a chance da história mudar. Adivinhem o que houve? Foi 1×0, gol num tirambaço de Gabriel, com passe de Geuvânio. Desde então, revezam o protagonismo, com alguns gols de casquinha de cabeça de Cícero em meio a isso. Não deram chance para tanta contestação, ainda que o Santos tenha a perda do título paulista nesse processo. Perda sacramentada, também, pela péssima atuação de jogadores caros, badalados e experientes que dominam 80% da escalação.

Penso que o ideal com bom senso seria uma mescla baseada no desempenho, algo que faz parte daquilo que Oswaldo discursa, mas não tem se materializado na prática. Claro que temos um fator preponderante para a irregularidade da equipe, isto é, a entrada de Leandro Damião estragou o encaixe do time, que funcionava de forma azeitada com Gabigol na frente, de “9”. Além de ter custado absurdos (para o padrão do futebol brasileiro) 42 milhões de reais, Damião vive péssimo momento há mais de 15 meses. Enfim, um mico que vai atrapalhando a todos. Não bastasse isso, Oswaldo costuma ser mais crítico com os garotos do que com os medalhões, uma total inversão de valores. Com Damião, “temos que ser pacientes”. Com Geuvânio, “sentiu o jogo, mudou o comportamento”.

Por outro lado, leitores, esse último final de semana, de início de Brasileirão, revelou um novo homem, reciclado, revigorado, que assimilou as críticas ao tratamento dado aos garotos da base nos últimos 10 anos. Muricy Ramalho escalou o “96” Boschilia como titular na estreia diante do Botafogo. Até aí, nenhuma novidade, já que ele escalava alguns no Santos. Mas não foi só isso. Escalou, apoiou antes do jogo nos microfones para o Brasil todo, deu moral na coletiva de imprensa após a partida e promete dar uma sequência boa. Não, ele não disse que “tem que baixar a bola”, “que veio com defeito de fábrica”. Uma boa surpresa.

Até quando vai durar essa lua de mel de Muricy com a base? Uma semana? É para valer mesmo? Não teremos recaídas? Será que Boschilia ter uma excelente bola parada e chegar dando de cabeça na área ajuda? O dado concreto e objetivo é que 2014 começou de cabeça para baixo. Que Oswaldo de Oliveira tenha mais coragem de escalar quem está melhor e não tenha medo de “perder o vestiário”. E que Muricy continue sua saga de redenção com a ótima geração de Cotia que foi base da seleção sub-17 ano passado.

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Formado em Educação Física, fundador do site Olheiros e apreciador do futebol de base desde sempre.