Jogos Históricos: Atlético de Madrid 1×0 Barcelona, 1996

  • por Victor Mendes Xavier
  • 69 Visualizações

O confronto direto entre Barcelona e Atlético de Madrid no Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões da UEFA reacendeu a rivalidade entre os dois clubes, enfraquecida nos últimos anos devido ao desequilíbrio técnico e financeiro entre os dois. O atual cenário nos remete à metade da década de 90, quando a dupla foi responsável por jogos históricos e decisivos por diferentes competições. Hoje, iremos relembrar a final da Copa del Rey de 1995/1996, no La Romareda, estádio do Zaragoza, em Aragão.

O Barcelona treinado por Johan Cruyff estava longe da versão que dominou o cenário espanhol entre 1990 e 1994. Para chegar à final, os blaugranas eliminaram Hércules, Numancia e Espanyol. Por sua vez, o Atlético de Madrid teve um caminho mais árduo: despachou Bétis, Tenerife e Valencia, respectivamente oitavo, quinto e segundo colocado na Liga Espanhola de 95/96.

Atlético de Madrid comemora o título da Copa del Rey 1996-1997: na histórica temporada do doblete (título da Liga Espanhola e da Copa del Rey), o Barcelona foi freguês (Foto: Acervo Atlético de Madrid)

Atlético de Madrid comemora o título da Copa del Rey 1996-1997: na histórica temporada do doblete (título da Liga Espanhola e da Copa del Rey), o Barcelona foi freguês (Foto: Acervo Atlético de Madrid)

Ao longo daquela temporada, o Atlético de Madrid, treinado pelo sérvio Radomir Antic, já demonstrava consistência e mentalidade vencedora. Com o time armado em um 4-3-3, a linha ofensiva era formada com Pantic e Kiko bem espetados pelos lados e Penev centralizado como referência. Quando estava com a bola, Caminero, um dos destaques colchoneros na temporada, tinha liberdade para subir, assim como o lateral direito Delfí Geli, com Simeone sendo responsável pela cobertura e dando assim mais proteção ao sistema defensivo, que tinha a zaga formada por Santi, Solozábal e o capitão Toni, pela lateral esquerda.

Mais forte fisicamente, o Atléti não deu espaços para o time catalão se sentir confortável. Com Figo e Hagi bem marcados, o Barcelona carecia de criatividade no meio-campo. Ao lado de Miguel Ángel Nadal, Guardiola, Guillermo Amor e Bakero, um romeno era um dos remanescentes do mágico time campeão europeu na primeira parte da década. Inoperante no centro do ataque Jordi Cruyff, filho do treinador, quase não pegou na bola.

A estratégia vingou. Durante os 90 minutos, o Atléti bloqueou as ações ofensivas do Barcelona e criou as melhores oportunidades. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Kiko recebeu com condição próximo à área, ajeitou para a canhota e chutou com força. A bola passou rente ao travessão defendido por Carles Busquets. A superioridade rojiblanca era nítida, e a tônica não mudou na segunda etapa. Insistindo nas finalizações de fora da área e levando vantagem na bola aérea, o time de Antic continuou pressionando, especialmente com Kiko, mas parou em Busquets.

Em um dos lances polêmicos da partida, a equipe de Madrid reclamou de um pênalti não marcado pelo árbitro após chute de Caminero, que teria batido na mão de Bakero. No final do segundo tempo, após Nadal e Busquets baterem cabeça, o argentino Leonardo Bigini, que havia entrado minutos antes, teve em seus pés a chance da consagração, mas acabou chutando em cima do zagueiro espanhol, que se recuperou a tempo de evitar o gol do título colchonero.

O 0x0 permaneceu no placar e obrigou a final a ter um tempo extra. Percebendo o desgaste físico de seus comandados e a inferioridade em campo, Cruyff resolveu recuar seu time, colocando o zagueiro croata Prosinecki no lugar de Figo. Melhor para o Atléti. Pacientes, os colchoneros continuaram tomando a iniciativa e giraram mais a bola para penetrar na área azulgrená. Após uma tabela entre Delfí e Vizcaíno no flanco direito, saiu o único gol do jogo. Rápido, Delfí avançou à linha de fundo e cruzou para a área. Pantic, como elemento surpresa, se infiltrou no esteio defensivo adversário, antecipou-se a Prosinecki e cabeceou firme às redes de Busquets para abrir o placar.

Forçado a sair para o jogo, o Barça deu mais espaços aos contra-ataques rojiblancos. Em um deles, o atacante espanhol Roberto recebeu de Caminero e, cara a cara com Busquets, chutou em cima do arqueiro catalão. A chance desperdiçada não mudou o rumo da partida e, após o apito final de Manuel Díaz Vega, a massa colchonera presente no La Romareda tomou conta do estádio. Estava claro que aquela partida teria contornos decisivos na disputa entre os dois na Liga Espanhola.

Dez dias depois do confronto pela Copa do Rei, o Barcelona recebeu o Atlético de Madrid pela Liga Espanhola. Três pontos à frente da equipe de Cruyff na tabela, o Atlético entrou no Camp Nou com o moral elevado pela vitória na Copa e disposto a dar o xeque-mate no campeonato. E, mais uma vez, o time de Antic deu uma demonstração de sua força. Liderados por Caminero em noite mágica, os rojiblancos venceram por 3×1, calaram os quase 98 mil torcedores presentes no Camp Nou e deram um golpe de autoridade rumo a uma taça que não era levantada desde 1976-1977.

A cinco rodadas do fim, o Atléti manteve a vantagem, conquistou o título e fincou uma das melhores temporadas de sua história, até hoje lembrada como a temporada do doblete. Abalado psicologicamente, o Barcelona sentiu o baque das derrotas, foi eliminado da Copa da UEFA para o Bayern de Munique e viu o Valencia ultrapassá-lo e terminar com o vice-campeonato. Ao final da competição, a Era Cruyff foi finalizada de vez, com a demissão do treinador holandês após uma discussão dura com o vice-presidente Joan Gaspart.

Atlético de Madrid 1×0 Barcelona
Data: 10 de abril de 1996
Estádio: La Romareda, Zaragoza
Competição: Copa del Rey – Final
Gol: Pantic, 12 minutos do primeiro tempo da prorrogação
ATLÉTICO DE MADRID: Molina; Delfí Geli, Santi, Solozábal, Toni; Simeone, Vizcaíno (Leonardo Biagini), Caminero; Pantic, Penev (Juanma Lopez), Kiko (Roberto).
BARCELONA: Busquets; Celades (Ferrer), Nadal, Popesscu, Sergi; Amor, Guardiola, Bakero (Róger García), Hagi; Figo (Prosinecki), Jordi Cruyff. 

Facebook Comentários

Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.

  • facebook
  • twitter