DOENTES POR FUTEBOL

A conquista que evidenciou o Corinthians

A tarde de 16 de dezembro de 1990 no Cícero Pompeu de Toledo foi ensolarada e ficará marcada eternamente em todos os corações essencialmente corintianos. Mal sabiam os alvinegros do Parque São Jorge, que tomavam as arquibancadas do maior estádio paulista, que aquele domingo seria o início de uma guinada histórica. A peleja disputada sob os holofotes de todo o país colocaria o Corinthians Paulista em evidência no cenário nacional.

A vitória diante o dono da casa, o São Paulo, por 1×0, foi a consagração de um time mais brigador do que talentoso, mais determinado do qualquer outra coisa. Mesmo sem nenhuma estrela, colocado em cheque durante boa parte da temporada e com o treinador contratado após o início do campeonato, o alvinegro paulista derrubou o todo poderoso São Paulo, de Zetti, Cafu, Leonardo, Bernardo e Raí, e se sagrou campeão brasileiro pela primeira vez na história.

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O time do Morumbi, além de mandar as duas partidas finais em seu estádio, ainda tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Comandados por Telê Santana, que prezava pelo jogo limpo e bonito, o clube deixou Santos e Grêmio para trás antes de encarar o time de Nelsinho Baptista, que se apresentava como o inverso de Telê. A bola da equipe corintiana não tinha nenhum traço vistoso no certame nacional, embora não faltasse garra e disposição.

“Jogando feio”, como boa parte da imprensa pregava, os alvinegros foram deixando os adversários pelo caminho, chefiados pelo talentoso meio-campista Neto. No primeiro jogo das quartas de final, uma virada inesquecível ante o galo mineiro, no Pacaembu, com direito a dois gols de Neto, assistido por 30 mil almas presentes no estádio. No confronto de volta, quem brilhou foi o goleiro Ronaldo, que segurou o empate sem gols e a vaga na semifinal. O mesmo filme foi visto contra o Bahia: vitória em São Paulo por 2×1, com Neto anotando o gol da virada, e mais um empate por 0x0, desta vez na Fonte Nova, colocaram o Corinthians na final.

No primeiro jogo da decisão, coube ao polivalente e aguerrido Wilson Mano o gol do triunfo corintiano, que aproveitou uma bola parada cobrada por Neto logo aos 4 minutos de jogo para estufar a rede de Zetti. A vantagem mudava de lado e o time de Nelsinho Baptista dependia apenas de um empate no segundo jogo para levantar a taça.

Sofrida, como são todas as glórias corintianas, a partida foi tensa do primeiro ao último minuto. O sempre obediente time de Telê Santana sucumbiu ante a entrega corintiana no primeiro tempo e se viu obrigado a apostar todas as fichas num gol salvador na segunda etapa após um empate sem gols no primeiro tempo.

Aspirando ao título desde o primeiro segundo de jogo, foi apenas no nono minuto do segundo tempo que a glória se tornou nítida para a Fiel: Tupãzinho inaugurava o marcador do Morumbi e colocava uma mão no troféu, numa bola enfiada por Neto para o próprio Tupã, que depois tabelou com Fabinho e só parou no fundo dos barbantes da meta de Zetti. Estava desenhada a primeira grande conquista nacional corintiana.

Daí em diante, o Alvinegro do Parque São Jorge se tornou gigante. Coleciona em sua sala de troféus outros quatro campeonatos brasileiros (1998, 1999, 2005 e 2011), a Libertadores da América de 2012, os Mundiais de Clubes de 2000 e de 2012, a Recopa Sul-Americana em 2013, além de outros seis estaduais. Mas foi o título de 1990 que abriu espaço para tudo isso, para que o clube mais brasileiro fosse de fato reconhecido nacionalmente.

Ficha técnica:

Campeonato Brasileiro 1990 – Final
Data: 16 de dezembro (domingo).
Árbitro: Edmundo Lima Filho (SP)
Estádio: Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) – São Paulo (SP)
Público: 100.858

Corinthians: Ronaldo; Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wílson Mano e Tupãzinho; Neto (Ezequiel), Fabinho e Mauro (Paulo Sérgio).
Técnico: Nelsinho Baptista

São Paulo:  Zetti; Cafu, Antônio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí (Marcelo); Mário Tilico (Zé Teodoro), Eliel e Elivélton.
Técnico: Telê Santana

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Curitibano, jornalista, 22 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.