Adeus, Zanetti!

  • por Claudemir Padilha Jr
  • 5 Anos atrás

“Foram quase 20 anos e eu tenho um relacionamento especial com os fãs, ninguém conseguirá apagar isso”.

Após 19 anos de Inter de Milão e 22 anos de carreira, a idade finalmente venceu Zanetti e o eterno capitão da Inter está se aposentando. É o fim de uma carreira vitoriosa, que rendeu 17 títulos, sendo os principais a Champions League de 2009/10 e o pentacampeonato consecutivo da Serie A.

Despedida de Javier Zanetti - Fonte: Site Oficial da Inter de Milão

Despedida de Javier Zanetti – Foto: Site Oficial da Inter de Milão

Seu título mais valioso, porém, foi a conquista da admiração de toda uma nação de torcedores, associando seu nome ao clube que ama, como Gerrard, Totti, Di Natale, Rogério Ceni, Marcos, Puyol e outros poucos conseguiram.

Dentro de campo, Zanetti é uma referência, um dos melhores laterais direitos de sua geração. Desde a sua chegada em Milão, ganhou o apelido de “Trator” por sua dedicação e capacidade de marcação, características que o acompanharam ao longo de toda sua carreira.

Por dominar todos os fundamentos e ter muita disciplina tática, Zanetti sempre foi muito versátil e deixou seus treinadores confortáveis para escalá-lo em várias posições.

Sua longevidade e resistência deveriam ser objeto de estudo, segundo seu ex-companheiro de clube, o zagueiro aposentado Iván Córdoba. O lateral só teve sua primeira lesão séria aos 39 anos e é o jogador que mais atuou pela Inter e pela seleção argentina. No Campeonato Italiano, apenas Paolo Maldini jogou mais que ele.

Início da carreira:

Com 15 anos, Zanetti foi rejeitado nas categorias de base do Independiente – imaginem o quão arrependidos eles devem ter ficado – por ser muito baixo. Porém, essa negativa não foi suficiente para dissuadi-lo de seguir seu sonho, e o jovem foi foi parar no modesto Club Atlético Talleres da segunda divisão. Nesse início de carreira, Zanetti, que pertencia a uma família humilde, precisou conciliar os trabalhos de entregador de leite e de pedreiro (ao lado de seu pai) com a carreira no futebol. 

Zanetti durante sua passagem pelo Talleres - Foto: Reprodução

Zanetti durante sua passagem pelo Talleres – Foto: Reprodução

O lateral direito só ficou no Talleres como profissional por uma temporada. Suas boas atuações chamaram a atenção do rival, o Banfield. Na primeira divisão, ele continuou se destacando e, um ano após sua contratação, em 1994, começou a ser convocado para a seleção principal da Argentina.

Seleção Argentina:

Em sua Seleção, Zanetti é o recordista de números de partidas e talvez seja o jogador mais injustiçado que já a defendeu. Apesar de sua qualidade indiscutível, jogou apenas as Copas de 1998 e 2002.

Zanetti defendendo a Argentina na Copa do Mundo de 1998 - Foto: Reprodução

Zanetti defendendo a Argentina na Copa do Mundo de 1998 – Foto: Reprodução

Em 2006, José Pekerman, técnico da Argentina na época, surpreendeu e ligou para Zanetti para avisá-lo que ele não estaria na lista dos convocados. Em 2010, Maradona não o ofereceu nem o consolo de uma explicação.

Ao chegar na seleção em 2008, Maradona tirou a braçadeira de Zanetti e a deu para Mascherano. Foi o primeiro indício de que ele não gostava do jogador, mas, mesmo assim, o lateral participou de quase todos os jogos daquelas Eliminatórias da Copa do Mundo, ficando de fora apenas dos dois últimos. Coincidentemente (ou não), os quatro gols da Alemanha que eliminaram a Argentina nas quartas de final saíram do lado direito defensivo. Talvez com Zanetti e Cambiasso (companheiro da Inter que também foi injustiçado e ficou de fora nessa convocação) a Argentina tivesse melhor sorte.

Seu único título pela seleção foi o dos Jogos Panamericanos de 1995 e seu momento inesquecível foi nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1998, quando fez o gol de empate que levou a decisão para os pênaltis e a Argentina acabou eliminando a Inglaterra (confira o gol no vídeo abaixo). Possui também medalhas de prata da Copa América (2004, 2007), Copa das Confederações (1995, 2005) e Jogos Olímpicos (1996).

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Inter de Milão:

Massimo Moratti tinha acabado de assumir a presidência da Internazionale de Milão em 1995 e uma de suas primeiras contratações foi a de um lateral direito argentino que o impressionou por suas atuações nos Jogos Panamericanos.

O então capitão da Inter naquela época, Giuseppe Bergomi, também ficou admirado com Zanetti: “Em seu primeiro treino, nós estávamos fazendo um exercício de posse de bola. Ele nunca perdia a bola, ela estava sempre grudada em seus pés. Naquele dia, eu soube que ele faria história”.

Em 1999, o argentino teve proposta para se mudar para o Real Madrid, mas decidiu permanecer para deixar sua marca: “Eu sempre me senti em casa na Inter e é por isso que nunca pensei em sair”. Nessa época, ele recebeu sua braçadeira de capitão, que descreveu como uma linda responsabilidade.

Pela Inter, foi pentacampeão nacional, ganhou quatro Copas da Itália, quatro Supercopas da Itália, uma Copa da UEFA, uma Champions League e um Mundial de Clubes, sendo que só na Copa da UEFA ele não foi o capitão que levantou a taça.

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Nesse último sábado, Zanetti se despediu da torcida no Giuseppe Meazza no confronto contra a Lazio e assumirá um cargo na diretoria do clube na próxima temporada. O argentino entrou no segundo tempo no lugar de Jonathan sob muitos aplausos.

“Estou feliz por esta maravilhosa carreira vestindo esta camisa que eu realmente amo. Agora tenho de fazer outra coisa. Eu não sei se eu vou fazê-la bem, mas posso dizer que vou defender a Inter do jeito que eu defendi em campo. Aprendi a amá-la graças a vocês. Eu amarei este clube para sempre. Obrigado por terem me amado”, disse ele em seu discurso de despedida.

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Do interior de SP e com 21 anos nas costas, é apaixonado por futebol desde os 8.