Costa Rica: será possível fazer mais história?

Foto - Getty Images: Felicidade e momento de fé dos costarriquenhos após a classificação contra a Grécia

Foto – Getty Images: Felicidade e momento de fé dos costarriquenhos após a classificação contra a Grécia

A Costa Rica é, definitivamente, a grande surpresa desta Copa do Mundo. Após passar por cima de três seleções campeãs mundiais na fase de grupos (Uruguai, Itália e Inglaterra), com dificuldades, venceu a Grécia nas oitavas de final, nos pênaltis, e fez história: está nas quartas do Mundial pela primeira vez. É também a primeira seleção da América Central a chegar neste estágio da Copa.

A seleção comandada pelo técnico Jorge Luis Pinto era vista, antes de começar a competição, como o saco de pancadas oficial do certame. Em um grupo com três seleções que totalizavam sete títulos mundiais, era de se esperar que não haveria muita coisa para se fazer.

Porém, logo na primeira partida, as surpresas começaram a ocorrer. O Uruguai, que sonhava fazer saldo e ir para cima de Inglaterra e Itália com uma boa vantagem, acabou vivenciando um pesadelo: 3 a 1 para os costarriquenhos, com Joel Campbell inspirado, marcando um gol e também servindo Ureña no terceiro. Bolaños fez o segundo.

A vitória em cima do Uruguai foi a grande surpresa da primeira rodada, juntamente com a goleada holandesa para cima da Espanha. O próximo adversário dos centro-americanos seria a Itália, que havia vencido bem a Inglaterra e era a franca favorita. Mas o favoritismo ficou no papel. Bryan Ruiz, do PSV Eindhoven, marcou o gol da partida, tento que não só deu a vitória para os costarriquenhos, como também a classificação para as oitavas.

Nem mesmo o torcedor costarriquenho mais otimista esperaria uma classificação para as oitavas de final desta Copa do Mundo. Estando no considerado ‘grupo da morte’, um terceiro lugar seria uma grande vitória. Mas contra a Inglaterra, a seleção centro-americana surpreenderia de novo: desta vez com um empate sem gols, consolidando assim a classificação como campeã do Grupo D.

Nas oitavas, contra a Grécia, teoricamente seria um desafio mais fácil para a seleção-sensação. E não é que não foi? Acabou sendo a parada mais dura para o time de Bryan Ruiz, que marcou o primeiro gol do jogo. No final, os gregos empataram com Sokratis e a prorrogação foi forçada. O empate persistiu e as penalidades vieram. Depois de um jogo muito tenso e domínio grego da metade do segundo tempo até a prorrogação (inteira), o alívio: 100% de acerto nos pênaltis, vitória por 5 a 3 e classificação para as quartas garantida.

Foto - Reprodução/Twitter: Com a vaga para as quartas garantida, os costarriquenhos foram às ruas comemorar o feito histórico

Foto – Reprodução/Twitter: Com a vaga para as quartas garantida, os costarriquenhos foram às ruas comemorar o feito histórico

A história está feita, independente do resultado contra a Holanda, sua próxima adversária. Podemos considerar a Costa Rica uma nova Turquia – aquela, de 2002, que chegou às semifinais e caiu justamente para o Brasil, que seria o futuro campeão? No quesito “fazer história”, até que sim, mas aí precisaria passar dos holandeses. Por enquanto, é considerada um “Senegal“, que também na Copa da Coreia/Japão colocou seu nome na história e chegou às quartas – caindo justamente para os turcos.

A Turquia de fato surpreendeu em 2002 e a Costa Rica está surpreendendo em 2014, mas um fator crucial torna esses modos de “fazer história” distintos. A seleção turca passou em segundo na fase de grupos, perdendo para o Brasil, vencendo a China e empatando com quem? Sim, com a Costa Rica. Venceu, nas oitavas, o Japão (um dos anfitriões) e, nas quartas, o Senegal. Na semifinal, caiu novamente para o Brasil. O adversário de expressão dos turcos naquele Mundial foi nossa seleção e, por duas vezes, saíram derrotados.

Esta Costa Rica chegou no seleto grupo dos oito melhores do mundo destruindo gigantes – Grécia não está no meio deles mas, dez anos atrás, conquistava uma Eurocopa, logo, pode ser considerada uma seleção digna de atenção. Contra a Holanda, o duelo está aberto. A forma como os holandeses e costarriquenhos se classificaram, sofrida, heroica, deixa o duelo sem favoritos. Não restam dúvidas de que ambas irão muito motivadas para o confronto. A Holanda, com a missão de voltar à semifinal, e a Costa Rica, querendo fazer mais história.

Quem ganhará este embate? Dentro de campo, não importa. Fora dele, com certeza, nós, amantes do futebol.

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Estudante de Jornalismo. Foi editor de futebol alemão e holandês na VAVEL Brasil e cofundador da VAVEL Portugal. É blogueiro do Bayern no ESPN FC (projeto da ESPN Brasil) e completamente Doente por Futebol.

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