Enviados por Dodô & Osmar

  • por Rogério Júnior
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A final do Campeonato Brasileiro de 1988, também denominado de Copa União, foi disputada apenas em meados de fevereiro do ano seguinte, em pleno carnaval brasileiro, que tem a cidade de Salvador como um de seus polos principais. Coube ao destino colocar um clube da boa terra, que estava prestes a apresentar o Nordeste a quem ainda não o conhecia, nesta decisão.

Tradicionalíssima festa popular brasileira, o Carnaval tem em Salvador dois responsáveis diretos pela invenção que embala os foliões até os dias atuais: o trio elétrico. Antonio Adolfo Nascimento e Osmar Macedo, conhecidos popularmente como Dodô e Osmar, propuseram a ideia em 1950, época em que desfilaram pela cidade em cima de um Ford 1929, arrastando uma multidão de soteropolitanos. O modesto veículo, utilizado pela dupla para animar os carnavalescos, logo tomou proporções maiores, com o uso de inúmeros caminhões adaptados com aparelhos de sonorização e se ampliou por diversas cidades brasileiras.

Dodô e Osmar podiam não ter a intenção de embalar um clube de futebol, mas ocasionalmente prolongaram as festividades de 1989 na capital baiana. O bloco do Esporte Clube Bahia teve de se apresentar em duas frentes para alcançar a maior glória de sua história: a primeira aparição foi em casa, na Fonte Nova, mas o desfile que o consagrou foi à beira do Rio Guaíba, em Porto Alegre, na cancha de José Pinheiro Borda, em 19 de fevereiro do fatídico ano, marcado pela relação muito próxima entre dois expoentes da cultura brasileira: carnaval e futebol. A festa pelo título, conquistado distante 3 mil quilômetros de casa, se estendeu apressadamente até o berço do estado da Bahia, que além de abrigar o Esquadrão de Aço, também se destacava pelo feito dos visionários Dodô e Osmar.

Comandados por Evaristo de Macedo, o Baêa fez uma campanha impecável e deixou grandes clubes brasileiros pelo caminho. Credenciou-se às oitavas de final do certame por ter sido um dos oito melhores da primeira fase e, logo na fase seguinte, teve um adversário regional pela frente, o Sport Clube do Recife. Após deixar os pernambucanos para trás, enfrentou o Fluminense nas semifinais e apresentou dois pilares da conquista, que também viriam a se destacar na grande decisão: o goleiro Ronaldo e o meio campista Bobô.

Uma virada inesquecível em Salvador, no primeiro jogo da decisão, dava mostras de que o tricolor não estava para brincadeira e rejeitava o caráter de mero figurante na disputa com o Internacional. Mais de 90 mil pessoas acompanhavam ao cotejo e tiveram a honra de presenciar um desfile de gala de Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, eternizado na história do Time do Povo.

Com a vitória por 2×1 na Fonte Nova, o caminho para o bicampeonato brasileiro estava mais do que aberto, embora 90 minutos mais ainda fossem necessários. Depois de Bobô brilhar em Salvador, foi a vez do arqueiro Ronaldo protagonizar mais uma atuação lendária, desta vez na casa na casa colorada. Segurou o ímpeto do time do Rio Grande do Sul com absoluta segurança em sua meta, contagiando os demais guerreiros baianos presentes no campo, arquibancadas ou mesmo na boa terra. O Tricolor de Aço, invencível em vibração, segurou o 0x0 no placar e se tornou o dono do Brasil de 1988.

Trio elétrico a postos, o carnaval de Salvador não tinha data para acabar.

Ficha técnica:

Campeonato Brasileiro 1988 – Final
Data: 19 de fevereiro de 1989 (domingo).
Árbitro: Dulcídio Vanderlei Boschilla (SP)
Estádio: José Pinheiro Borda (Beira-Rio) – Porto Alegre (RS)
Público: 79.598

Internacional: Taffarel; Luiz Carlos Winck, Aguirregaray, Norton e Casemiro; Norberto, Luis Fernando e Luís Carlos Martins; Maurício (Heider), Nílson e Edu.
Técnico: Abel Braga

Bahia: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir (Newmar) e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô (Osmar); Gil Sergipano, Charles e Marquinhos.
Técnico: Evaristo de Macedo

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Curitibano, jornalista, 22 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.

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