Furacão mostra que o caminho é apostar na base

  • por Mozart Maragno
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Rotina: Douglas Coutinho marca mais um gol pelo CAP (Heuler Andrey/Getty Images South America)

Rotina: Douglas Coutinho marca mais um gol pelo CAP (Heuler Andrey/Getty Images South America)

Os clubes brasileiros mais estruturados investem consideráveis quantias em suas categorias de base, como dita a boa governança do futebol. O grande gargalo, na modesta visão do blogueiro, não estaria na má formação dos atletas e, sim, na transição mal feita, onde queimam-se muitos jogadores talentosos. Os clubes, com alguns dirigentes amadores e técnicos conservadores, preferem dar respostas imediatas à torcida e imprensa local com uma série de contratações de medianos experientes rejeitados pela Europa.

Evidentemente, há problemas nas categorias de base do Brasil (que vamos debater mais à frente), com jogadores talentosos preteridos e jogadores sem tanto futuro militando por anos nas fileiras dos clubes. Considero, repito, um problema menor. Tanto é menor, que o Atlético/PR (CAP), finalmente, volta a usar sua base com sucesso, algo que era mais comum no início dos anos 2000, na fornada que revelou primeiro Kléberson, depois Jádson, Fernandinho e Dagoberto.

Por mais que o presidente Mario Celso Petraglia seja, digamos, polêmico, a temporada 2014 marca definitivamente o retorno do CAP a algo que nunca deveria ter abandonado. Faz, até aqui, a melhor campanha do clube na era dos pontos corridos. Ao liberar Manoel e Paulo Baier e investir na equipe sub-23 para o estadual por dois anos seguidos, apostando em jovens técnicos para esses garotos em transição, vai colhendo os frutos com o sonho de qualquer agremiação: time jovem, talentoso e barato, que pode trazer retorno técnico e financeiro.

Em 2013, esse time sub-23 revelou Douglas Coutinho, que terminou “on fire” no campeonato estadual, dando trabalho ao Coritiba principal. Pouco utilizado no segundo semestre, começou a ganhar chances com o técnico espanhol Miguel Portugal e a partir da presença interina de Leandro Ávila se tornou titular absoluto. O garoto de 20 anos – idade para o Rio 2016 – é o vice-artilheiro do Brasileirão e tem mostrado muita qualidade, também, nas assistências. Quem aproveitou a oportunidade do sub-23 de 2014 (do técnico Petkovic) foi Marcos Guilherme. Assumiu a camisa 10 e teve tão bom desempenho que continuou com ela no Brasileirão.

Deivid, o alagoano Otávio, Leo Pereira, Nathan (precisa renovar contrato logo!) e a estrela Marcelo Cirino se juntam aos citados para formar uma das mais promissoras gerações da base de um clube do futebol brasileiro nos últimos tempos. O CAP prova que não é necessário inchar a folha com jogadores medianos que trazem pouco retorno e têm pouca identificação. A base é o melhor caminho e ela traz, sim, resultados em menos tempo do que imaginam os conservadores. A presença no G4 constrange muitos clubes que pagam salários astronômicos e frequentam a segunda parte da tabela. Desmonta a lorota do “sentir pressão”. Quem é bem trabalhado e preparado vai sempre dar conta do recado. Exemplos não faltam.

Pitacos do Mo

 

Formado em Educação Física, fundador do site Olheiros e apreciador do futebol de base desde sempre.