Noel Sanvicente e os desafios na Vinotinto

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: site oficial Zamora - Chita comemorando o último Clausura pelo Zamora

Foto: site oficial Zamora – Chita comemorando o último Clausura pelo Zamora

Na Copa América de 2011, a Venezuela conseguiu um surpreendente quarto lugar e deu esperanças de que poderia ir bem nas Eliminatórias Sul-americanas e disputar sua primeira Copa do Mundo. Mas a classificação não veio e o técnico César Farías renunciou ao cargo em novembro do ano passado. E apenas nesta quarta feira (16), depois de nomes como os de Marcelo Bielsa, Carlos Bianchi, Tata Martino e Maradona serem especulados, a Federação Venezuelana de Futebol (FVF) anunciou que Noel Sanvicente é o novo técnico da seleção.

Noel “Chita” Sanvicente é o técnico que mais vezes conquistou o Campeonato Venezuelano (sete vezes), superando o uruguaio Walter Roque e o brasileiro Orlando Fantoni, ambos com cinco conquistas. Aos 50 anos, Sanvicente é técnico desde 1998, quando foi convidado para dirigir as categorias de base do Caracas. E desde então, só evoluiu.

Na reta final da temporada 2001-2002, foi colocado como interino no comando da equipe principal do Caracas, a diretoria gostou do trabalho e ele continuou no cargo. No comando do time profissional, Sanvicente conquistou os campeonatos da temporada 2002-2003, 2003-2004, 2005-2006, 2006-2007 e 2008-2009, fazendo o clube Rojo viver a melhor época de sua história.

Em 2007, já com sua qualidade reconhecida, foi convidado para ser técnico da seleção venezuelana, mas não houve acordo e ele continuou no Caracas. Com a recursa de Sanvicente, a FVF anunciou César Farías para o comando técnico.

Não foi só no cenário nacional que Sanvicente fez sucesso. Na Copa Libertadores de 2009, o Caracas fez sua melhor campanha, avançando até as quartas de final, sendo eliminado para o Grêmio pelo critério de gols marcados fora de casa, empatando os dois jogos contra a equipe brasileira. Ainda em 2009, Chita levou o Caracas à conquista da Copa Venezuela.

Em março 2010 a relação de amor acabou e ele deixou o o clube da capital, mesmo ainda com mais seis meses de contrato. Em maio, Chita aceitou o desafio de assumiu o comando do modesto Real Esppor, clube que tinha acabado de subir para a Primeira Divisão. No segundo semestre, o time fez a segunda melhor campanha geral da temporada, com 64 pontos em 102 disputados. Mas no Apertura 2011 o time foi mal e ele renunciou ao cargo. Na temporada seguinte, assumiria o comando do Zamora.

Em sua primeira temporada no alvinegro, mesmo tendo em mãos uma equipe sem grandes nomes, conseguiu conquistar o campeonato Nacional, feito que viria a se repetir novamente na temporada seguinte. Foi seu sétimo título nacional como técnico no país.

Sanvicente não conseguiu esse sucesso todo por acaso. Desde seus 21 anos, quando ainda era jogador, começou a fazer cursos para se tornar técnico. Nos anos oitenta e noventa, quando viajava o continente para disputar jogos da Copa Libertadores, Sanvicente aproveitava para conversar com técnicos de vários países. O próprio treinador já afirmou que aproveitava as viagens para visitar os centros de treinamentos das equipes para angariar mais e mais conhecimento. Nas viagens pelo Brasil, ele teve encontros com Paulo Autuori.

Em sua vencedora carreira como técnico, Chita sempre priorizou o futebol ofensivo. No Zamora, seu trabalho mais recente, adotou o 4-2-3-1, montando um time de toques rápidos, com laterais ofensivos e marcação pressão. Na última edição do Clausura, o Zamora teve o melhor ataque do campeonato com 45 gols marcados em 17 jogos.

A cobrança também deve ser forte em cima do novo técnico. As derrotas não são vistas mais como normais, esperadas. Nos últimos anos, a torcida e a própria imprensa venezuelana passaram a cobrar mais resultados, e Sanvicente deverá sentir isso no pele nesse ciclo que se inicia. César Farías, nos seus seis anos no comando da Vinotinto, teve que suportar uma grande pressão, principalmente a cada derrota que a seleção sofria.

Foto: La Razón - Sanvicente sendo apresentado como técnico da Venezuela

Foto: La Razón – Sanvicente sendo apresentado como técnico da Venezuela

Um ponto positivo para a escolha de Sanvicente para o comando técnico é sua capacidade para adaptar-se ao elenco que tem em mãos. No Caracas, onde conquistou cinco títulos nacionais, tinha o melhor elenco do país e jogadores tarimbados à disposição, enquanto no Zamora teve que apostar em jogadores que se destacavam em equipes menores e utilizar as categorias de base. Aliás, as canteras da seleção venezuelana também devem ganhar e muito com a chegada de Sanvicente.

Sem dúvidas, essa é a maior oportunidade da carreira de Chita. A Vinotinto tem uma boa base deixada por César Farías e o maior trabalho agora é incluir uma nova garotada nesse time. Alguns exemplos são os jovens Juan Pablo Añor, de 21 anos e que vai defender o Málaga na próxima temporada, Manuel Arteaga, atacante de 20 anos do Athletic Club Arlés-Avignon, da França; e Yonathan Del Valle, atacante de 23 anos do Paços de Ferreira.

Essa renovação deve ser o grande ponto a ser trabalhado por Chita. No último ciclo que se encerrou, jogadores como César González e Juan Arango eram os pilares da seleção. Mas agora, no ciclo que se incia, ambos devem perder espaço. O primeiro já tem 31 anos, enquanto o segundo já tem 34. É bem improvável que cheguem em condições ideais para disputar o Mundial da Russia. Vizcarrondo (30), Guerra (29) e Seijas (28) são outros que também deverão perder espaço.

A Venezuela já tem três amistosos confirmados para 2014: nos dias 5 e 9 de setembro enfrentará Coreia e Japão, respectivamente. No dia 6 de outubro, terá pela frente a seleção de Omã. Três amistosos que servirão para ver qual estilo de jogo Sanvicente irá implantar na seleção e quais serão os perfis dos jogadores convocados.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.