A noite de Célio Silva

  • por Rogério Júnior
  • 3 Anos atrás

Exuberante é a palavra que melhor retrata o desfile de Vagno Célio do Nascimento Silva no gramado do Estádio Olímpico, em Porto Alegre, na noite de 21 de junho de 1995. Seguro e eloquente como sempre, o zagueiro corintiano ditou o ritmo da peleja diante do Imortal Tricolor e se sagrou campeão da Copa do Brasil por mais uma vez. Três anos antes, no mesmo Rio Grande do Sul, Célio Silva anotara o gol heroico do Internacional na conquista da mesma Copa do Brasil – desta vez diante do Fluminense.

Calejado com decisões na capital gaúcha, Célio Silva, ou simplesmente o Canhão do Brasileirão para os mais íntimos, entrou na cancha no Olímpico Monumental, abarrotada de aficionados pelo Grêmio e por uma singela parcela do Bando de Loucos Corintianos, obstinado a vencer e a tirar o alvinegro paulista de uma fila inglória que já durava quase cinco anos.

O último título do Timão datava de 1990 e, de lá até o cotejo da final de 1995, o clube já amargara quatro vice-campeonatos: no Campeonato Brasileiro de 1994 e no Torneio Rio-São Paulo de 1993, ambos perdido para o arquirrival Palmeiras, e nos Paulistões de 1991 e 1993, deixados de bandeja para São Paulo e Palmeiras, nessa ordem.

Na caminhada rumo a mais um título nacional, o Corinthians já havia deixado Operário-MT, Rio Branco-AC, Paraná Clube e Vasco da Gama para trás antes de se deparar com o Grêmio, de Luiz Felipe Scolari, na grande decisão. O clube gaúcho já colecionava dois troféus do certame, conquistados em 1989 e 1994 sobre Sport e Ceará, respectivamente.

Mas o Corinthians era valente, como manda o figurino. Mesmo diante de todos os ingredientes que apontavam os gaúchos, de Jardel e Diabo Loiro, como os favoritos, a orquestra de Célio Silva foi à batalha. Montado por Mário Sergio, mas gerido durante a campanha pelo jovem treinador Eduardo Amorim, o Corinthians, de tradições e glórias mil, já flertava com o título desde o primeiro jogo da decisão.

O caminho para a glória já havia sido aberto sete dias antes do jogo em Porto Alegre. Jogando no Pacaembu, para um público estimado de 25 mil torcedores, Marcelinho carioca e Viola anotaram os gols da vitória por 2×1 sobre o oponente tricolor. Luiz Carlos Goiano marcou o gol gremista.

O confronto em Porto Alegre teve todos os atributos que uma grande decisão carece. Casa cheia, bom futebol, catimba e uma dose de agonia. Com todos os holofotes apontados para Chiqui Arce, Paulo Nunes, Jardel, Marcelinho Carioca, Viola, Marques e demais jogadores bem quistos pela mídia, foi Célio Silva, moço nascido em Miracema no Rio de Janeiro, quem brilhou.

O carregador de pianos do Parque São Jorge ergueu um muro na defesa alvinegra, que se mostrou intransponível ao longo da partida. O tento do Pé de Anjo da Fiel, anotado na segunda etapa, serviu para sacramentar a primeira Copa do Brasil da história do Corinthians e para consolidar o desempenho irreparável de Célio Silva.

Grêmio 0x1 Corinthians – Ficha técnica:

Copa do Brasil 1995 – Final

Gol: Marcelinho Carioca (26′ do 2º)
Data: 21 de junho (quarta-feira).
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Estádio: Olímpico Monumental – Porto Alegre (RS)
Público: 47.352

Grêmio: Danrlei; Arce, Rivarola, Adílson e Carlos Miguel; Dinho (Alexandre), Gélson, Luís Carlos Goiano e Arílson; Paulo Nunes e Jardel.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Corinthians: Ronaldo; André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo e Souza; Marcelinho Carioca, Viola e Marques (Tupãzinho).
Técnico: Eduardo Amorim

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.