EnGHANAção!!!

  • por Rogério Bibiano
  • 17 Visualizações
Imagem: GoalGhana

Imagem: GoalGhana

Passaram-se muitos anos para que Gana, uma das grandes forças da história do futebol africano, conseguisse chegar a ser uma figura presente na Copa do Mundo com uma certa regularidade. Em 2014, a equipe prometia um futebol competitivo, mas, para desilusão de muitos fãs do esporte, deixou o mundial de maneira melancólica.

Nos anos 90, a equipe ganesa teve grandes valores individuais, que não conseguiam formar um conjunto e classificar o país para a tão sonhada Copa (Abedi Pelé, por exemplo, nunca jogou o mundial). Os motivos para o fracasso vão além das quatro linhas – sabidamente, os jogadores que atuavam no país não se entendiam com os que jogavam fora, o que gerava uma grande guerra de egos.

Em 2006, as Estrelas Negras finalmente conseguiram a classificação para a primeira Copa do Mundo de sua história, disputada na Alemanha. Talentosos e com um futebol alegre, os ganeses chegaram às oitavas de final, quando cruzaram com o Brasil e foram eliminados.

Quatro anos depois, na África do Sul, Gana esteve a um pênalti (desperdiçado por Asamoah Gyan contra o Uruguai) de passar para as semifinais e escrever definitivamente o seu nome na história das Copas como a maior campanha de uma seleção africana até então. Entretanto, acabou “apenas” honrosamente igualando Camarões em 1990 e Senegal em 2002.

APTOPIX South Africa Soccer WCup Uruguay Ghana

Gyan perde pênalti vital no Mundial de 2010 | Imagem: AP

Em 2014, no papel, Gana possuía um time com diversos jovens talentos, muitos com grande experiência em torneios internacionais e acostumados à pressão vivida em clubes do futebol europeu. A expectativa diante do desempenho desta equipe na Copa era muito grande, ainda mais após a vitória convincente sobre o Egito nos play-offs das eliminatória africanas (8×3 no placar agregado).

>> Leia também: Os Boatengs

Entretanto, assim como a maioria dos torcedores africanos espalhados pelo mundo e admiradores do futebol de Gana, fomos enganados, ou literalmente enGHANAdos! Já na chegada ao Brasil, algumas notícias davam conta de um racha interno na seleção africana. De um lado, jogadores dispostos a atuar sem se preocupar com premiações; do outro, atletas mais preocupados com o dinheiro do que com o desempenho em campo.

Alguns treinos boicotados aqui, outros ali e as tradicionais e eventuais desculpas bancadas pela comissão técnica. O jogo bom, mas que acabou em derrota para os Estados Unidos com um gol no final, escancarou a baderna interna vivida pela Seleção de Gana (não tão intensa quanto a de Camarões). O principal motivo para a celeuma era a reivindicação do pagamento da premiação pela classificação para o Mundial por parte dos jogadores.

Embora se tratasse de uma reclamação justa, é difícil entender por que a questão não foi resolvida antes e a bomba só explodiu durante o torneio. O fato é que a ala que não jogava por dinheiro (tendo os irmãos Ayew e o capitão Asamoah Gyan) conseguiu convencer os demais jogadores menos famosos a entrarem em campo em nome da honra ante a toda poderosa Alemanha, em um jogo no qual a equipe africana brilhou.

Nos dias seguintes ao empate contra um dos principais favoritos, a cobrança aumentou. Houve, então, a noticiada confusão envolvendo a chegada do dinheiro destinado à seleção de Gana em Brasília, local do jogo derradeiro contra Portugal e da despedida melancólica da Copa do Mundo. A equipe de Gana foi eliminada da Copa do Mundo 2014 e deixou uma triste imagem: a de um grupo constituído por mercenários.

Sair de uma Copa com a certeza da derrota em campo, mas ciente da luta e da dedicação é uma coisa. Deixar o principal campeonato de futebol do mundo, cuja participação é o principal sonho de muitos jogadores, de forma melancólica e indigna é outra. Foi o que Gana fez, enGHANAndo a todos os amantes do futebol que nela confiaram.

Natural de Telêmaco Borba-PR e criado em meio à "boemia futebolística", com horas de papo sobre futebol, samba e cervejas na pauta. Influência do pai, que também adorava futebol, e da mãe, que sempre apoiou a iniciativa. Técnico em Eletrônica, formado desde 1999, e fanático por futebol, futsal, futebol de praia, society e todo esporte que tenha no futebol a sua essência.

  • facebook