Quando Messi virou falso 9

  • por Victor Mendes Xavier
  • 3 Anos atrás
Foto: Reprodução - Raí Monteiro

Foto: Reprodução – Raí Monteiro

O jornalista Martí Perarnau lançou no início de setembro a biografia oficial de Josep Guardiola. Em ‘Herr Pep’, Martí conta como foi a primeira temporada do ex-treinador do Barcelona em sua nova casa, o Bayern de Munich, após ter acesso exclusivo aos bastidores da instituição do clube da Baviera durante um ano.

Durante uma conferência em Barcelona, o jornalista contou que a ideia de escrever uma biografia sobre Guardiola nasceu logo após a contratação do catalão por parte do Bayern para substituir Jupp Heynecks, em janeiro de 2013.

Apesar do foco do livro ser na estadia de Guardiola na Alemanha, uma breve passagem revela o diálogo e o motivo que levou o catalão a mudar Lionel Messi de posicionamento, em 2009. Oficialmente, Guardiola já comentou sobre isso durante uma palestra na Argentina no ano passado, mas a biografia explica melhor.

Pois bem, tudo começou a ser construído um dia antes de um superclássico entre Real Madrid x Barcelona, pela 35ª rodada do Campeonato Espanhol. A invencibilidade do rival, que estava 17 jogos sem perder em âmbito nacional, preocupava Pep. O catalão passou quase uma noite analisando o jogo entre os dois clubes no primeiro turno, quando o Barcelona venceu no Camp Nou por 2×0.

Anotações para cá, análises para lá e Guardiola reparou algo importante: a falta de compactação entre a linha defensiva e o meio-campo merengue. Enquanto Guti, Gago e Drenthe pressionavam com intensidade Xavi e Yaya Touré, Cannavarro e Metzelder não avançavam juntos e deixavam um vácuo entre os setores. Era por ali que Messi faria o carnaval no dia seguinte.

O livro diz que Guardiola ligou para Messi às 22h da sexta-feira, primeiro de maio de 2009. A intenção do catalão era se reunir somente com o argentino (as reuniões individuais costumavam contar com a presença de Puyol e Xavi, senadores do elenco). “Leo, é o Guardiola. Tenho algo muito, muito importante. Venha. Agora!”, teria dito Guardiola. Meia hora depois, Messi chegou e o treinador mostrou um vídeo explicando a função que o camisa 10 desempenharia no estádio madridista.

“Leo, amanhã em Madrid você vai começar na ponta, como sempre. Mas se eu fizer uma indicação, desloque-se às costas dos volantes e passe a se mover por essa zona que acabei de te ensinar. É o mesmo que fizemos em setembro do ano passado em Gijón”, sentenciou Guardiola. Messi acabava de ser preparado para deixar a habitual ponta direita para passar a jogar como falso nove.

>> Leia mais: Dicionário DPF: O Falso Nove <<

O restante da história todos sabem: o Barcelona goleou o Real Madrid por 6×2, botou uma mão e meia na taça da Liga e Messi, com dois gols e uma assistência, fincou uma exibição memorável pelo centro do ataque. Foi jogando por esse setor que o mundo presenciou a versão mais avassaladora do argentino.


Os melhores momentos da atuação de Messi. Repare que o argentino começa aberto à direita; mas, naturalmente, desloca-se para o meio para jogar na “zona morta” do Real Madrid

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa Esporte@Globo da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.