País de Gales e sua geração de ouro

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Gareth Bale, do Real Madrid, é quem lidera a nova e boa geração do futebol galês (Foto: PA)

Durante mais de 20 anos, o futebol mundial sofreu duramente com o fato de Ryan Giggs, ídolo histórico do Manchester United e maior jogador da história do futebol do País de Gales, nunca ter conseguido jogar uma Copa do Mundo ou Eurocopa. Giggs, que estreou pelo United no dia 2 de março de 1991, acabou sendo vítima de um período escasso de bons jogadores galeses. Ele nunca chegou a ter a oportunidade de formar com Ian Rush, outra lenda do futebol galês, uma dupla de sucesso. Giggs ainda era um novato e estava começando quando Rush já era ídolo do Liverpool e um veterano de luxo.

Giggs não teve sequer um parceiro à altura dentro de campo para dividir as responsabilidades. A rigor, nunca teve alguém que o ajudasse a levar o país às conquistas. Como resultado, viu a seleção do País de Gales sucumbir a outas seleções nas várias tentativas de se classificar para Copa do Mundo e Eurocopa. A última participação do país britânico em Copa foi em 1958, na Suécia, quando caiu nas quartas de final após derrota por 1×0 para o Brasil em Gotemburgo. A maior estrela dos galeses e ídolo da Juventus na época, John Charles, não jogou contra os brasileiros por conta das várias lesões que havia sofrido ainda na fase de grupos da competição.

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Ryan Giggs, à esquerda, e Ian Rush: ídolos galeses sem títulos pela seleção (Fotos: Action Images/Getty Images)

Hoje, entretanto, o cenário do futebol galês é melhor e há espaço para sonhos. Sonhos que Giggs, hoje com 40 anos e já aposentado dos gramados, nunca conseguiu realizar vestindo a camisa da seleção. Estrela do atual elenco do Real Madrid e recém-campeão UEFA Champions League, Gareth Bale é o galês que poderá tomar o posto de Giggs e Ian Rush como o maior jogador da história do país. ‘Joguei com Ryan Giggs e eu sempre disse que ele foi o melhor jogador com quem eu já joguei. Mas, sinceramente, acho que Bale será ainda melhor com o tempo”, diz Chris Coleman, técnico da seleção do País de Gales.

De fato, Bale foi genial na vitória galesa por 2×1 contra a modesta e quase amadora seleção de Andorra, pela primeira rodada das Eliminatórias da Eurocopa 2016. O jogador de 25 anos, ex-Tottenham, fez dois gols, um de cabeça e outro em uma magnífica cobrança de falta no melhor estilo Giggs. ‘O que Gareth Bale faz em campo é extraordinário”, exalta o treinador Coleman. Bale é, hoje, o novo Giggs da seleção do País de Gales.

‘Com ele em nossa equipe sempre sabemos que temos uma chance real de vencer”, reforça o técnico.

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Ao contrário de Giggs, Bale não está sozinho

Gareth Bale é o símbolo de uma nova e boa geração do futebol do País de Gales . Entre os nomes que estabelecem a ”geração de ouro” do país, Bale é o único que não atua no futebol inglês. O meio-campo Aaron Ramsey, do Arsenal da Inglaterra, é outra estrela da seleção, mas que recebe bem menos assédio. No esquema montado por Arsène Wenger nos Gunners, Ramsey é peça vital no meio de campo, assim como no time de Chris Coleman. O atual estilo de jogo da seleção do País de Gales é de passe, não de chutão. ”Sentimos que temos uma grande equipe que está agora junta por um bom tempo”, analisou Bale, após o jogo diante de Andorra.

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Joe Allen é outro bom nome da nova safra de jogadores galeses (Foto: Getty Images)

O País de Gales está no grupo B das Eliminatórias da Euro 2016 junto com Chipre, Bélgica, Israel, Andorra e Bósnia-Herzegovina. ”Nós temos a esperança e confiança que poderemos fazer um bom começo e fazer grandes coisas acontecerem neste grupo”, disse Joe Allen, de 24 anos, outro bom atleta deste grupo galês. ”Temos que ser confiantes, caso contrário não há sentido em estarmos aqui. Sentimos que temos um bom time, que estamos jogando um bom futebol”, acrescentou Bale.

O zagueiro Ashley Williams, do Swansea, já com 30 anos, se destaca pela experiência com relação aos mais jovens. É extremamente importante essa pitada de experiência em um time que está em formação. Há ainda no elenco Ben Davies, do Tottenham, e James Chester, do Hull City, além do goleiro Wayne Hennessey, do Cristal Palace.

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Aos 30 anos, o experiente zagueiro Ashley Williams é o capitão da seleção do País de Gales (Foto: Getty Images)

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James Chester, 25 anos, e Ben Davies, 21: juventude e talento a serviço do País de Gales (Foto: Press Association Images/PA)

Não é uma estreia com vitória diante de Andorra em uma eliminatória que garantirá o sucesso do País de Gales nos próximos anos. E nem o triunfo por 3×1 contra a Islândia no amistoso do último dia 5 de março. É contra a Bélgica no dia 16 de novembro que os galeses terão de fato ótima oportunidade de serem testados fortemente. Aí será a hora correta de impor futebol e continuar regando as sementes que já vêm sendo plantadas. A terra é fértil e a colheita tem tudo para ser boa em 2016, com a conquista da vaga para jogar a Eurocopa na França. Ou, quem sabe, em 2018, para disputar a Copa do Mundo na Rússia.

Últimas participações do País de Gales em grandes torneios

A última Copa do Mundo disputada por País de Gales foi em 1958, na Suécia. Na Eurocopa, o país foi eliminado nas quarta de final da edição de 1976, após perder por 3×1 no placar agregado para a antiga seleção da Iugoslávia.

Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]

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