Na iminência da eminência

  • por João Almeida
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Foto: Divulgação/CBF - Neymar segue brilhando e mesmo assim ainda há quem duvide dele;  o tempo calará quem insiste em criticar

Foto: Divulgação/CBF – Neymar segue brilhando e mesmo assim ainda há quem duvide dele; o tempo calará quem insiste em criticar

“Ah, mas contra o Japão até eu! Quero ver fazer quatro gols na Alemanha!”

Fale a verdade: você ouviu ou leu isso. Pode ter sido seu pai, seu irmão, seu vizinho ou qualquer pessoa na internet que tenha dito ou escrito algo assim, mas o fato é alguém o fez.

Não tem problema, já é rotina para Neymar ter de conviver com críticas de quem mais devia apoiá-lo. Enquanto o mundo inteiro se rende às habilidades do craque, são exatamente os brasileiros – aqueles que deviam se gabar de terem um jogador deste nível – que o desmerecem, sempre tentando achar algum demérito em um feito dele. São eles que acham que é obrigação de algum atacante fazer quatro gols no Japão. Afinal, é obrigação de um moleque de vinte e dois anos ser o quinto maior artilheiro da história da seleção mais vitoriosa existente. Não é?

Obviamente não, mas parece até que sim. Neste ano, Neymar foi obrigado – sim, obrigado – a carregar o peso de uma seleção sem brilho, com um técnico hoje (reitero: hoje) ainda menos brilhante, e em uma Copa do Mundo em sua própria casa. Cumpriu seu papel com louvor, mas ainda há quem diga que não. Claro, se ele não tivesse permanecido estático diante de um bólido colombiano prestes a cravar-lhe o joelho em suas costas, a história teria sido outra! Fraco!

O fato é que o jogador tem vinte e dois anos. Vinte e dois anos. Com essa idade já é cobrado como um veterano e ainda é o bode expiatório de uma síndrome de vira-lata cada vez mais presente. De alguma forma ele incomoda aqueles que deveria agradar, mesmo fazendo mais que o esperado. É o expoente de uma seleção contemporânea de um fenômeno de ufanismo reverso no que tange ao futebol. Aqueles que desistiram da seleção canarinho têm na figura de Neymar uma figura que canaliza tudo de ruim para eles e, assim, procuram colocar defeitos em tudo que o ex-santista faz.

Pode chutar com as duas pernas, mas chuta mal com ambas. Faz gol de falta; falha do goleiro. Faz três gols; o adversário era fraco. Na mesma medida em que brilha, acham fatores para ofuscarem seu brilho. É algo insistente: não importa o que ele faça, sempre o desmerecerão. Toda raiva que têm do Brasil recai sobre ele.

Entretanto, não obstante toda essa reprovação, segue trilhando seu caminho rumo à glória. Mesmo incrivelmente jovem, já figura entre os maiores artilheiros da história da seleção brasileira. Tem 40 gols com o uniforme de seu país e, se mantiver o ritmo – sendo que a tendência é aumentá-lo -, chegará ao topo da lista antes mesmo de completar trinta anos, ultrapassando ninguém menos que o Rei Pelé. Hoje, a falta de um título mundial, do protagonismo no Velho Continente ou de uma bola de ouro ainda dá margem para críticas. Talvez, mesmo sem essa margem, continuem criticando. Mas não importa. Com ou sem críticas, ele seguirá no seu brilhante caminho. Sua consolidação é iminente, é apenas questão de tempo – e o tempo, até aqui, sempre foi amigo de Neymar.