Você lembra? Emerson Sheik no Rennes

Foto: Reprodução - Emerson Sheik em ação pelo Rennes

Foto: Reprodução – Emerson Sheik em ação pelo Rennes

Língua afiada, personalidade forte e presença marcante em grandes clubes brasileiros. É difícil achar alguém que não conheça Emerson Sheik em terras tupiniquins. O atacante de 36 anos também deixou sua marca no futebol asiático, onde defendeu equipes do Japão e do Qatar. Mas você sabia que Sheik tentou se aventurar no futebol europeu? Ele passou uma temporada na França defendendo o Stade Rennais.

A transferência para o Velho Continente aconteceu quando já não era nenhum menino. Foi em 2007, aos 28 anos. Na época, defendia o Al Sadd do Qatar e era conhecido como Emerson Passos. A negociação girou em torno de 4 e 5 milhões de euros.

A expectativa sobre a ida de Emerson para o Rennes era gigante. Apesar de se tratar de um atleta de um campeonato asiático, os diretores do clube ressaltavam os ótimos números que ele teve no Qatar e no Japão. Na época, a imprensa francesa noticiava, inclusive, que times como Lyon, Lille e Saint-Étienne estavam de olho nele.

A transferência para o Rennes foi uma grande aposta do então presidente Frédéric de Saint-Sernin porque, além de contratar alguém de uma liga considerada inferior por um valor alto, ele estava trazendo um brasileiro. Algo contra atletas nascidos aqui? Não exatamente. Diferente de outros clubes franceses, que têm bom histórico com atletas de nosso país, o clube bretão não guarda recordações semelhantes.

A principal lembrança foi a de Lucas Severino. Em 2000, o atacante, que tinha 21 anos, era destaque no Atlético Paranaense e participou das Olímpiadas de Sidney. Com atributos como esse, o clube francês desembolsou 21 milhões de euros para contratá-lo. Durante muito tempo, foi uma das transferências mais caras de atletas brasileiros para o exterior. Porém, Lucas foi um tremendo fracasso na França. Em três anos, fez mais de 80 jogos e balançou as redes 11 vezes. Neste meio tempo, chegou a ser emprestado a Cruzeiro e Corinthians, onde teve passagens discretas e de poucos jogos. Em 2003, Lucas deixou o Rennes pela porta dos fundos e é, até hoje, considerado um dos grandes flops recentes do futebol francês.

Dudu Cearense, Adailton e Luís Fabiano foram outros exemplos de brasileiros que chegaram com muita pompa no clube e pouco renderam.

Tentando apagar essa imagem arranhada dos brasileiros, Emerson estreou pelo Rennes em outubro contra o Lokomotiv Sofia, na Copa da UEFA (hoje Liga Europa). Foram pouco mais de 12 minutos em campo e nada de muito relevante, a não ser a vitória do time da França por 3×1.

No Campeonato Francês, o debute foi diante do Paris Saint-Germain, no Parque dos Príncipes, na 10ª rodada. Ele entrou em campo aos 43 minutos do segundo tempo na vaga de Sylvain Wiltord, que saiu de campo para ser vangloriado. O time bretão vencia na capital por 3×1 e o veterano atacante havia marcado um gol e dado uma assistência. Com apenas quatro minutos em campo, o brasileiro pouco fez.

Emerson somou ainda mais quatro apresentações, duas no Campeonato Francês e duas na Copa da UEFA. O máximo que conseguiu (e que também serviu para registrar sua passagem pela Bretanha) foram dois cartões amarelos. Ainda em dezembro de 2007, anunciou saída do Rennes após quatro meses. Como qualquer brasileiro que fracassa no exterior, ele culpou o técnico Pierre Dréossi, que não lhe deu chances. Porém, muitos registram que Emerson não conseguiu demonstrar grandes qualidades no país, enfrentando um choque de realidade com defesas mais firmes e que dificultavam jogadas mais insinuantes.

Ao todo, Sheik acumulou 101 minutos em campo pelo clube bretão, deixando a França sem ter marcado nenhum gol. Mas acham que o Rennes saiu no prejuízo com Emerson? Muito pelo contrário. Apesar do retorno baixo em campo, o clube francês conseguiu vendê-lo por um valor maior do que comprou: 7 milhões de euros foi o que o Al Sadd gastou para trazê-lo de volta. O flop ficou marcado, mas ao meno$$$$ deixou algum legado.

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Uma mistura maluca de pessoa. Academico de jornalismo, catarinense de origens italianas e espanholas, mas apaixonado pela bola que rola na terra da Torre Eiffel e pela gorduchinha que pinta os gramados cheios de chucrute da Alemanha. Não escondo minha preferência por times que tem uniformes nas cores amarelas e pretas, mas sempre com análises bem embasadas... ou não. Mas acima de tudo, sou um Doente Por Futebol.