DOENTES POR FUTEBOL

Atlético x Cruzeiro: Brasileirão de 1999

Arte: Doentes por Futebol

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Cruzeiro e Atlético historicamente vivem em bipolaridade. Quando um está bem, o outro está mal. Ao menos era o que estávamos acostumados até 2011.

O Atlético foi o primeiro time a ganhar o Brasileirão no formato moderno. Mas o título de 1971 é o único nacional do clube, que, até 2003, era o que mais vezes ficou entre os quatro melhores, com dois vice-campeonatos.

Dentre os fundadores do Clube dos 13, o Cruzeiro foi o último a conquistar o Brasileirão, chegando ao primeiro título em 2003. Mas, antes disso, o time já tinha duas Libertadores (1976 e 1997) e quatro Copas do Brasil (1993, 1996, 2000 e 2003).

Poucas foram as oportunidades dos eternos rivais de polarizar uma disputa a nível nacional. Em 1987, os dois times chegaram às semifinais da Copa União. Enquanto o Galo parou no Flamengo, o Inter eliminou o Cruzeiro. Em 96, Os dois times estavam do mesmo lado da chave e tinham tudo para fazer uma das semifinais. Aí surgiu a Portuguesa, que eliminou o Cruzeiro nas quartas e o Atlético na semifinal.

Outra oportunidade surgiu em 2000. O Galo foi campeão estadual e poderia fazer uma final mineira da Copa do Brasil contra o Cruzeiro. Poderia. O São Paulo eliminou o Atlético e o Cruzeiro eliminou o Santos, para depois conquistar o título de forma heroica.

O confronto entre os times que teve maior importância até então ocorreu nas quartas de final do Brasileirão de 1999. O Cruzeiro vinha do trauma de três vice-campeonatos no ano anterior (Copas do Brasil e Mercosul para o Palmeiras e Brasileirão diante do Corinthians). Já o Galo havia conquistado o estadual e queria sair do jejum de títulos fora do estado.

O Cruzeiro era mais time, mas o Galo tinha Guilherme e Marques que buscavam se completar em campo. A melhor campanha era do Cruzeiro, que havia acabado a fase de classificação em 2º lugar, contra a 7ª posição do rival.

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Os dois times viviam momentos parecidos. Embora o Cruzeiro tivesse um elenco superior e a vantagem de jogar por três empates, o Galo nem precisou dos três jogos. Na primeira partida, como mandante, o Atlético não tomou conhecimento do Cruzeiro e, com show da dupla de ataque, sapecou uma goleada por 4×2. Cada atacante marcou duas vezes, com Paulo Isidoro e Muller descontando pro Cruzeiro.

No jogo de volta, o Cruzeiro partiu para cima, querendo forçar o terceiro jogo a todo custo. Ricardinho abriu o placar aos 34 minutos da primeira etapa para a Raposa. Aos 38, Guilherme empatou levando ao delírio a metade alvinegra presente no Mineirão.

No segundo tempo, novamente o Cruzeiro ficou na frente. Dessa vez, com gol de Muller, após jogada de Ricardinho. Em desvantagem, o Atlético foi pra cima e deixou espaços para perigosos contra-ataques cruzeirenses. Em pelo menos dois deles, Veloso precisou trabalhar.

O alvinegro chegou ao empate depois de muita persistência. Guilherme chutou uma bola na trave aos 28’. Aos 30’, um lance de inteligência. Adriano sofreu falta e, enquanto os zagueiros cruzeirenses reclamavam, ele bateu rápido para Marques, que foi ao fundo e devolveu para o meia chutar forte, no canto de André.

Depois disso, o jogo ficou lá e cá. O Cruzeiro buscava a vitória para diminuir o prejuízo para um possível terceiro jogo. Já o Galo queria a vitória para não precisar de uma terceira partida. E o terceiro gol atleticano veio através do artilheiro Guilherme. Em bola alçada, a zaga e o goleiro André vacilaram e a pelota explodiu no peito de Guilherme, que fez o terceiro gol e confirmou a classificação dos atleticanos.

Até os dias atuais, esse era o confronto de maior relevância entre Cruzeiro e Atlético-MG. Era, pois a final da Copa do Brasil de 2014 mudou isso, e o Galo foi novamente feliz. Venceu a ida no Independência por 2×0 e também a volta no Mineirão por 1×0.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.