Camilo Sanvezzo: o desconhecido do gol bonito

#455886262 / gettyimages.com I Camilo tem brilhado com a camisa do Querétaro

Por O Futebólogo

As convocações de jogadores que atuam em países como Rússia e Ucrânia, bem como as de jogadores de equipes pequenas de outros países, sempre surpreendem o público em geral, acostumado mormente com os protagonistas do futebol das tardes dos domingos tupiniquins. A despeito disso, essa prática também permite a verificação de um “fenômeno”: onde a bola de futebol rola, a probabilidade de se encontrar um jogador brasileiro é enorme.

Malta e Coreia do Sul; Canadá e México, países muito distantes da realidade da maior parte do público brasileiro, trazem mais uma – de inúmeras – provas da afirmação supra. Ela tem nome e sobrenome e ganhou um lugarzinho na restrita lista de 10 gols mais bonitos do ano, selecionados pela FIFA e que após votação garante o Prêmio Puskas ao mais votado: Camilo Sanvezzo, um ilustre desconhecido nascido na “Capital do Oeste Paulista”, Presidente Prudente.

E foi em sua cidade natal que o ignoto jogador deu seus primeiros passos. Cria do modestíssimo Oeste Paulista Esporte Clube (não confundir com o Oeste de Itápolis), atual Grêmio Prudente (também não confundir com o Grêmio Barueri), o jogador passou muito pouco tempo atuando em terras brasileiras. Em 2009, aos 21 anos, após rápida passagem pelo Corinthians Alagoano, mudou-se para Malta, onde defendeu o Qormi FC e ganhou destaque.

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No clube maltês, permaneceu uma temporada, foi o artilheiro da liga nacional, com 17 gols em 13 jogos, e deixou o minúsculo país (de aproximadamente 316 km²) com a assombrosa marca de 27 gols em 26 jogos, registrando, ainda, dois hattricks e um poker. Segunda parada? Coreia do Sul!

Ainda no “submundo” do futebol mundial, mas, neste turno, em uma liga consideravelmente mais conhecida do que a maltesa, Camilo não se deu bem no oriente e menos de um ano depois já tentava sua sorte na liga norte-americana. Pelo Gyeongnam, chegou a atuar no time B. Aprovado em testes, em março de 2011, já fechava com seu novo clube: o Vancouver Whitecaps, da MLS.

E foi no futebol da América do Norte que o jogador, ainda um completo anônimo em terra brasilis, evoluiu. Já em sua temporada de estreia, foi autor de 13 gols em 36 jogos e o vencedor do prêmio de melhor jogador dos Caps. Mas o melhor ainda demoraria mais um pouco para chegar e sua segunda temporada não foi tão positiva, ao menos numericamente, tendo o brasileiro anotado apenas cinco vezes, em 31 jogos.

#131076270 / gettyimages.com I Destaque em Malta, Camilo ganhou notoriedade no Canadá

Veio a temporada 2013 e, com ela, a consagração. Os 25 tentos em 35 jogos o transformaram no artilheiro máximo da MLS naquele ano, lhe renderam novo prêmio de melhor jogador do Whitecaps, um lugar no elenco do MLS All-Star Game e a láurea de gol mais bonito do ano (justamente o tento que concorre ao Prêmio Puskas). Apelidado de “Mágico”, chegou a ser alvo de especulações quanto a uma possível naturalização para vestir a camisa da inexpressiva seleção canadense.

Todavia, seus planos futuros não residiram na terra da maple e, a despeito de ter apalavrado sua renovação com o clube de Vancouver, Camilo partiu para o Querétaro, do México, onde hoje comparte a cancha com ninguém menos que Ronaldinho Gaúcho (além de outros brasileiros casos de Danilinho, Ricardo Jesus, William e do naturalizado mexicano Sinha).

De momento, só o que se pode dizer é que seu desempenho segue excelente. Afinal, o atacante nada mais é do que o artilheiro da Liga MX Apertura, com 11 tentos em 16 jogos (um deles assistido por R49), dois a mais do que o colombiano Dorlan Pabón, de discreta passagem pelo São Paulo.

#457411658 / gettyimages.com I Jogando com R49, Camilo vive fase artilheira

Sobre o tento que tem lhe rendido fama e curiosidade por parte do público, falou:

“Na verdade, eu não esperava. Estar entre os dez gols mais bonitos do mundo… Não tem como não ficar contente, né? É gratificante. É uma jogada que eu gosto, tenho facilidade para fazer. Mas é difícil, a bola tem que vir na altura, na posição. Naquele jogo, graças a Deus, deu certo,” disse ao Globoesporte.com

Prova de que o futebol leva brasileiros para os mais distantes rincões, Camilo ainda é um anônimo para a nação brasileira, mas, para a “nação futebol”, já é figurinha carimbada. Marcando gols de forma desembestada, quem sabe não voe ainda mais alto? De imediato, ter sido selecionado para o prêmio que já consagrou pinturas como a de Neymar contra o Flamengo, em 2011, ou a de Zlatan Ibrahimovic, no amistoso entre Suécia e Inglaterra, em 2013, já é um feito e tanto.


Gol de Camilo Sanvezzo concorre ao Prêmio Puskas por LANCETV

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho), 24 anos. Admito minha preferência pelo futebol bretão, mas aprecio o esférico rolado qualquer terra. Desde a infância, tenho no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; o melhor jogador que vi jogar foi o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Estou também no O Futebólogo, no Chelsea Brasil e na Corner.