Galatasaray Campeão da Copa da UEFA

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 128 Visualizações

Nossa coluna de hoje falará sobre a maior conquista do futebol turco em competições de clubes: o título da Copa da UEFA do Galatasaray na temporada 1999-2000, em vitória sobre o Arsenal.

A história começa na fase de grupos da UCL, quando o Galatasaray enfrentou Hertha Berlim, Chelsea e Milan. Com uma campanha irregular, o clube turco ficou apenas em terceiro lugar na chave e não passou ao mata-mata. Pelo regulamento, entrou na terceira fase eliminatória da Copa da UEFA para enfrentar o Bologna. No primeiro jogo, empate em 1×1 na Itália, com gol de Sukur faltando menos de 10’ para o fim. Na volta, vitória por 2×1, com todos os gols ainda no primeiro tempo, deixando os torcedores tensos até o fim da partida.

Na fase seguinte, o primeiro grande desafio: o Borussia Dortmund. O time alemão também vinha da Champions e prometia ser um adversário perigoso para o Galatasaray, mas, dentro de campo, o que se viu foi o contrário. No jogo de ida, vitória do time de Taffarel e cia por 2×0, em jogo realizado na Alemanha. Hagi e Sukur foram os autores dos gols. Na volta, um empate por 0x0 garantiu o time turco prosseguindo na competição.

Nas quartas de final, o adversário foi o Mallorca e o Galatasaray avançou com tranquilidade: vitória por 4×1 fora de casa, após abrir 4×0. Na volta, outra vitória tranquila, com o time fazendo 2×0 ainda no primeiro tempo e administrando a larga vantagem. O Mallorca diminuiu no segundo tempo, mas em nenhum momento ameaçou a classificação turca.

A semi contra o Leeds: vitória, classificação encaminhada e mortes

Para o confronto da semifinal contra o inglês Leeds United, o sorteio do mando apontou o primeiro jogo para a Turquia. A torcida do Galatasaray já havia criado problemas em fases anteriores, mas nenhum na proporção que se viu no jogo de ida da semi.

Um dia antes do jogo, torcedores do Leeds bebiam em bares locais quando, às 9 da noite, um grupo de turcos chegou ao local. Uma imensa briga aconteceu e dois fãs do Leeds foram esfaqueados até a morte. As versões para o início da briga variam: algumas pessoas dizem que os ingleses insultavam pessoas comuns e a Turquia, inclusive rasgando bandeiras do país. Outros dizem que torcedores do Galatasaray jogaram cadeiras e ameaçaram os ingleses com facas. Quatro turcos foram presos. O incidente gerou a proibição de torcedores do Galatasaray assistirem a partida de volta, que seria realizada na Inglaterra.

Dentro de campo, o Galatasaray venceu por 2×0, com gols de Sukur e do brasileiro Capone, ambos no primeiro tempo. Na volta, empate em 2×2 e classificação dos turcos para a final, que seria disputada contra o Arsenal.

A final: mais confusão e o brilho de Taffarel

Era público e notório que a final entre Galatasaray e Arsenal teria problemas. Torcedores ingleses buscariam vingança e os turcos não baixariam a guarda. E foi o que aconteceu logo no começo do dia da decisão quando, durante a madrugada, turcos atacaram um hotel que hospedava torcedores do Arsenal. Os ingleses não recusaram a briga e a pancadaria durou por volta de uma hora, até ser interrompida por dinamarqueses (a final foi realizada em Copenhagen).

Durante o dia, mais confusões foram registradas. A primeira foi próxima à Câmara Municipal de Copenhaguen, quando torcedores turcos hastearam a bandeira do país. Ingleses que estavam em bares próximos viram a cena e começou a troca de insultos e uma pequena “chuva de garrafas”. Em outro momento, torcedores do Galatasaray atacaram fãs do Arsenal e a briga durou 45 minutos, com direito a apetrechos de restaurantes próximos utilizados como armas na batalha campal que tomou conta das ruas próximas. A polícia dinamarquesa só conseguiu conter a confusão após apelar para gás lacrimogêneo. Outros pequenos tumultos aconteceram – inclusive em Londres -, mas nada com proporções tão graves. No total, 60 pessoas foram presas na Dinamarca, sendo 16 ingleses, 39 turcos e o restante de outros países.

 

O jogo

O Arsenal entrou em campo como amplo favorito para a partida, mesmo com o Galatasaray invicto na competição – o Arsenal havia sofrido uma derrota. O favoritismo do clube inglês era justificado por ter atropelado todos os rivais nas fases anteriores – 6×3 no Nantes e no La Coruña, 6×2 no Werder Bremen e 3×1 no Lens – e por conta da presença de jogadores como Henry, Vieira, Bergkamp e Overmars.

O Arsenal começou o jogo fazendo valer seu poderio ofensivo, encurralando o Galatasaray, que mal conseguia passar do meio-campo. A chance mais clara foi aos 35’ do primeiro tempo, quando Overmars chutou forte e Taffarel fez grande defesa. No segundo tempo, a toada foi a mesma, com o Arsenal pressionando em busca do gol, o Galatasaray apostando em uma ou outra saída e Taffarel sendo exigido com frequência, mas ninguém conseguiu balançar as redes e a partida foi para a prorrogação.

No tempo extra, o Galatasaray sofreu um duro desfalque logo no começo, quando Hagi foi expulso após agredir o zagueiro-capitão Adam. Com a regra do Gol de Ouro ainda em vigor, o Arsenal partiu para cima visando se aproveitar do homem a menos do rival, mas Henry, Parlour e cia pararam em Taffarel e o placar não se mexeu. Nas penalidades, Suker e Vieira desperdiçaram suas cobranças e o Galatasaray venceu por 4×1. Taffarel foi eleito o melhor em campo.

A Supercopa da UEFA

O título da Copa da UEFA deu ao clube turco o direito de jogar a Supercopa da UEFA contra o Real Madrid de Casillas, Roberto Carlos, Figo e Raul. O clube espanhol era o então campeão da Liga dos Campeões, mas também caiu para os turcos, com outro brasileiro brilhando: o atacante Jardel. O ex-gremista fez os dois da vitória do Galatasaray e cumpriu sua missão de artilheiro, anotando 34 gols em 43 jogos, sendo 22 no campeonato turco, terminando com a vice-artilharia da competição. O time voltaria a vencer a liga nacional na temporada 2001-02, mas já sem Hagi, Popescu, Jardel, Sukur e Taffarel. Mas isso é outra história.

Até a próxima!

Facebook Comentários

33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.

  • facebook